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terça-feira, 24 de maio de 2016

[Sessão Crítica] X-Men: Apocalipse 3D XPlus - "Apenas os fortes sobreviverão"

AONDE ESTÁ A 
PROMETIDA GRANDIOSIDADE ?
Filme traz algumas pequenas recordações dos filmes anteriores com maestria. Porém, é a 
aventura mais fracas da segunda trilogia dos mutantes.


X-Men é a cinessérie adaptada dos quadrinhos mais longa do cinema. Para não haver dúvidas, são 16 anos mantendo fielmente o mesmo elenco - havendo algumas pequenas mudanças levando em consideração a sua cronologia (muito bem amarrada em Dias de um Futuro Esquecido), entre altos e baixos. Foi também a primeira adaptação cinematográfica de quadrinhos a trazer uma superequipe, ganhando este feito graças ao fiasco de Quarteto Fantástico (1994).

Foi uma merecida estréia nos cinemas naquele ano de 2000.  Há 5 anos antes, Bryan Singer estava apenas conhecido como o estreante e talentoso diretor que conquistou a crítica especializada e a academia com o surpreendente Os Suspeitos (1995) - faturando o Oscar de Melhor Roteiro Original (Christopher McQuarrie) e Melhor Ator (Kevin Spacey).

Mantendo a forma de conduzir seus atores, Singer consegue manter a sensibilidade de nos fazermos preocupados com todos os personagens em cena, desde os principais aos coadjuvantes - com simples cenas de expressão visual ou em alguns diálogos curtos que valem por qualquer tipo de justificativa de uma briga em um filme de super-heróis nas mãos de Zack Snyder (sim, foi uma alfinetadinha na concorrência chamada Batman v.s. Superman).

Desde Dias de Um Futuro Esquecido, X-Men: Apocalipse é o filme dos mutantes com mais efeitos especiais dirigidos por Bryan Singer ('O cara' que começou dirigindo com X-Men 1 e 2). Porém, a intensidade desse truque fantástico do cinema junto ao roteiro certamente está entre os mais baixos de sua carreira. Triste dizer isso, depois do fantástico filme anterior (que é disparadamente o melhor da série junto a X-Men 2).

No seu quarto filme, Synger parece ter perdido a inspiração de profundidade (e incrível importância) do universo que ele mesmo construiu. Em meio a um período onde super-heróis góticos - como Baman (retornando nas mãos de Tim Burton), O Corvo (do seu inesquecível intérprete, Brandom Lee) e até mesmo Blade (a surpresa em 98) - buscaram trazer toda uma realidade sombria a tona, Synger, já nos anos 2000, buscou uma forma de provar que trajes pretos valem mais do que uma lycra amarela de um quadrinho colorido para provar que seus heróis são "pés no chão" em uma Nova York do mundo real. Super-Heróis que, em sua maioria, não usam máscara e se mostram tão humanos quanto outros super-heróis que já circularam pela tela grande. Com o tanto de efeitos visuais dominando os novos filmes da saga X-Men, numa forma de trazer ainda mais dos quadrinhos, é visível a falta de necessidade para justificar um dos mais fracos roteiros da cinessérie, esta que é uma das melhores do gênero - ainda que exista um público xiita que se prolifera como bactérias em tempos de era digital.

A cinessérie já foi o melhor exemplo a ser seguido quanto a condução de seus personagens em cena, mesmo que ainda mantenha o foco em um único personagem que conduz a história principal. Atualmente, nos surpreendemos com a versatilidade de Joss Wheedon em Os Vingadores da Marvel Studios e, por que não, os irmãos Russo, que veio se destacando com os dois filmes do Capitão América.

E a maior questão é: Bryan Singer conseguiria conduzir um X-Men sem o queridinho Wolverine (Hugh Jackman) como protagonista? Sob a direção de Matthew Vaughn, X-Men: Primeira Classe conseguiu provar o seu valor sendo um ótimo filme conduzido por um Xavier (James McAvoy) e um Magneto (Michael Fassbender) da nova geração - e nos deixando divididos em questão de preferência com a trilogia protagonizada por Patrick Steward e Ian McKellen.



Se sobreviver é para os fortes, então Magneto é a presença mais forte do filme 

Bem, com X-Men: Apocalipse, vemos que o maior destaque fica mesmo é com o Magneto (Fassbender). A presença de um antagonista veterano na cinessérie como destaque, e o seu impactante 'volta às origens', é comovente e compreensível.  Tal justificativa, nada banal, em sua mudança faz de algo que poderia ser previsível em toda a construção do gênero "bem contra o mal" dos filmes de super-heróis a acontecer de forma sutil sem nos forçar a acreditar, mas a compreender o seu peso. A forma com que as histórias buscam humanizar seus personagens no mundo real ainda se mantém de alguma forma aqui.


Mercúrio (Evan Peters) tem também os seus bons momentos. Professor Xavier (James McAvoy) se divide entre "meio monge, meio guerreiro".

Uma pequena série de recortes dos títulos anteriores e alguns momentos memoráveis dos quadrinhos
são apresentados com certa maestria, apesar de alguns improvisos. Porém, é uma das aventuras mais fraca dos mutantes. O desenvolvimento morno declina no decorrer do filme chegando a parecer um rascunho mal acabado de um episódio dos Power Rangers (sem brincadeira!). 

 Da direita para esquerda, Psylocke em duas versões: Meiling Melançon (X-Men: O Confronto Final, em rápida participação) e agora, interpretada por Olivia Munn.

O aproveitamento dos novos mutantes chega a ser pífio. Não sobreviveu quase ninguém. Até mesmo o próprio Apocalipse ( Oscar Isaac, irreconhecível ) não é bem explorado. Um vilão tão grandioso reduzido ao pior de todos os filmes já lançados. Falta-lhe imponência, ainda que o conceito de "falso profeta" tenha sido bem implementado em meio a sua busca por seguidores - e o Anjo (Ben Hardy) torna-se um bom destaque nesse ponto. Nem mesmo a esperada Psylocke (Olivia Munn) e Jubileu (Lana Condor) tiveram tempo decente em tela.


Sendo os efeitos visuais utilizados com tamanha falta de ousadia, o nível de interesse para recomendar o formato 3D Xplus é praticamente nulo - a não ser pelas tomadas astronômicas vistas de cima enquanto Psylocke cai em meio as estalactites (cena que pode ser bem valorizada no formato IMAX). Tirando esse pequeno detalhe, vale assistir numa sala normal que a experiência não se perde, a não ser que queira experimentar as tecnologias pela primeira vez. 


ATENÇÃO: FIQUEM ATÉ DEPOIS DOS CRÉDITOS


MEMÓRIAS DA SESSÃO 
Depois de um divertido domingo acompanhando por algum tempo as últimas horas do campeonato de Street Fighter V na Saraiva Sopping Tijuca, revendo alguns amigos (como o Synbios - Marcio - fã de carteirinha das Memórias da Sessão aqui) decidi deixar a sessão de X-Men excepcionalmente para o domingo. E como é difícil escrever sobre um filme após a sessão de domingo, justamente por ser o último dia antes de mais uma pesada e tediosa semana.

Como eu não estava a fim de esperar muito no shopping, acabei enrolando pra sair de casa. A condução para o local leva décadas. E por pouco acabei não pegando duas pra adiantar (ou se iria adiantar, já que mesmo no lugar ou anda pelo menos uns 20 minutos ou espera quase a eternidade a linha alimentadora). Passei, então, a compreender que deve haver um atraso necessário da sessão para quem ainda não tiver tempo para chegar pro começo do filme (e a culpa é do transporte público escasso da cidade).

Eu consegui entrar 2 minutos depois marcado pela sessão e ainda tinha pessoas entrando. Chegando no início da fila eu perguntei se era pro X-Men. E (PASMO AO EXTREMO!) o camarada que eu havia perguntado estava com a mesma camisa de estampa do Street Fighter que a minha - será que combinamos? Bom encontrar mutantes como eu ali. Camisa da sorte! O mais curioso que era a mesma camisa que eu havia usado há um dia antes. Eu tava com o mesmo traje, exceto a meia. É raro eu ir com a mesma roupa em dois dias mas felizmente deu pra aproveitar.

Já na sala, entrei e já estava no trailer. Quando tava chegando ao assento, avistei um casal 'bloqueando' a passagem pra minha poltrona. Pedi licença, a namorada do camarada se levantou numa boa; já ele, ficou igual um bicho morto na cadeira, não dava espaço direito pros outros passarem, achando que o cinema é só dele e que aquilo era a casa dele. e, pra piorar, ocupava o braço da cadeira e mais um pouco no lado esquerdo. Do lado direito, há algumas cadeiras, teve um grupo acionando a luz do celular em plena sessão, atrapalhando quem tava próximo - inclusive a mim.

Houve algumas reações da platéia nesta sessão. Porém, boa parte dela todos estavam bem silenciosa. Em algumas situações de humor, se podia ouvir algumas risadas isoladas bem no meio da sala e mais a frente, próximo a tela.

Mais uma vez, a sala ligou as luzes antes do fim dos créditos (nesse ponto, em termos de postura, mais uma nota 0 para o estabelecimento) e algumas pessoas saíram. Mas assim que a cena pós-créditos apareceu, eles voltaram a apagar as luzes.

No fim do dia, comprei dois churros - um de chocolate e outro de doce de leite - mais dois guaracamp para aliviar a fome da noite.


 SESSÃO CRÍTICA 
X-MEN: APOCALIPSE
Título Original: X-Men: Apocalypse 
País: E.U.A. / Canadá
Sessão Acompanhada: 22/05/16 - 16:45 - O 11 - UCI ParkShopping Campo Grande
Duração: 144 Minutos
Gênero: Aventura/ Ficção Científica

1 Hit Combo :

Synbios disse...

"e a culpa é do transporte público escasso da cidade" Na Zona Oeste principalmente, o transporte é escasso, os ônibus são de má qualidade, demoram a passar, mal conservados, as empresas da região estão todas falindo aos poucos(tem linha da ZO para o Centro do Rio, como a 358 Cosmos X Carioca, que dependendo do horário circula com 1 carro), sem contar a Supervia que dia de domingo manda 1 trem a cada 40 minutos... infelizmente isso é apenas um dos muitos retratos do abandono da Zona Oeste pelo poder público. Por essas e outras que o Rio de Janeiro é conhecido como a "cidade partida", enquanto isso na Zona Sul e na Grande Tijuca vemos ônibus novos, vazio e com ar condicionado passando toda hora.

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