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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os Vampiros e os Games




A cultura pop sofreu recentemente uma invasão de vampiros. Pena que não foi algo bom, ou fiel, melhor dizendo, pois essa invasão não foi feita pelos vampiros em essência como os das lendas, e sim por formas alteradas com fins estritamente econômicos. Pudemos ver isso amplamente manifestado na literatura e no cinema. Mas e os games, onde ficam nisso? Bom, é sobre isso que pretendo abordar aqui: a relação dos vampiros com os games.

Mas antes de iniciarmos, um pouco de história:

Afinal, o que são como são e de onde surgiram os vampiros?
A Wikipedia define vampiro como seres mitológicos ou folclóricos que subsistem se alimentando da essência de vida (geralmente em forma de sangue) de outras criaturas independentemente de serem criaturas vivas ou mortas.

Engana-se quem pensa que os vampiros são criação de Bram Stoker em seu [excelente] livro “Drácula”, pois eles estavam por aí bem antes disso. Os relatos mais antigos desse gênero vêm de contos do povo Persa, mas há também relatos de lendas de seres que podem ser classificados como “vampiros” nas culturas da Mesopotâmia, dos Hebreus, de Roma e até da Grécia Antiga. Eles receberam essa denominação ”vampiro”, mas eram espíritos ou demônios que tinham como característica primordial o consumo de carne humana e sangue. Essas lendas viajaram e foram adaptadas cada uma segundo as tradições de cada povo.

Muitas culturas tentam explicar o surgimento dos vampiros. A cultura chinesa diz que se um animal como um cão ou gato passarem por cima de um cadáver ou se um cadáver for enterrado com machucados não tratados com água fervente, o corpo se transformaria em vampiro.
Já algumas outras culturas explicam os vampiros como espíritos manifestos de bruxas, magos e suicidas. No folclore russo, vampiros além de serem considerados espíritos de magos e bruxos, também eram considerados espíritos daqueles que se rebelaram contra a Igreja Russa Ortodoxa.
De um ponto de vista característico, os vampiros podem ser descritos como pessoas magras, pálidas, de faces inchadas. Podem apresentar ou não carnes podres e marcas de sangue em seus lábios e narinas assim como também podem apresentar feições como as de um morcego. Costumam desenvolver garras e/ou presas.

Quanto aos poderes, os vampiros tem poder sobre os animais menores e o clima. Podem se transformar em pequenas criaturas e em fumaça. Tem habilidades hipnóticas e telepáticas. Possuem super-força, super-agilidade, poder de gravitação e imortalidade. Além de um grande poder de sedução.
Quanto às suas fraquezas, os vampiros perdem seus poderes na luz do sol (e não são destruídos nela, como a maioria pensa), tem repulsão a alho, rosas silvestres, água benta, crucifixos, hóstia e outros. Só podem atravessar água corrente na maré alta ou baixa. Apenas podem entrar em um local se for convidado e, uma vez convidado, ganham passe livre. Só não sei se isso se aplica a todos os vampiros, mas Drácula perde a capacidade de se regenerar se não ficar perto de terra vinda de sua terra natal.
Há diversos modos de se matar um vampiro. Isso porque há uma grande variação cultural quanto ao assunto, mas os métodos mais comuns são o empalamento por estaca no coração, decapitação seguida ou não da colocação da cabeça entre os pés do vampiro e a inserção de alho na boca da criatura seguida por seu desmembramento.

O modo mais popular como os vampiros são conhecidos

A popularização mundial dos vampiros

1.Alimentando crenças
No século XVIII os vampiros ganharam grande evidência na Europa Oriental. Isso foi fomentado por dois fatores: as superstições populares (que eram bem fortes nos vilarejos) e a pela medicina bastante limitada da época.

Com a medicina limitada pela ciência e tecnologia da época, ocorriam muitos enterros prematuros. Pessoas vivas iam para a tumba ainda vivas por negligência médica. Uma vez dentro dos caixões e devidamente enterradas, o indivíduo dado como morto acordava e, no desespero pra sair, batia e arranhava a porta do caixão para tentar escapar. Nesse frenesi, acabava por machucar a cabeça, deixando marcas de sangue na boca e nas narinas. Quando iam desenterrar o caixão para ver a natureza do barulho, a população se deparava com um ser morto (agora por asfixia) e com as narinas e boca ensanguentadas. Isso tudo era interpretado na época como sinal de vampirismo.

Fatores como a composição química e temperatura do solo influenciam na decomposição de um corpo. Os gases que se formam na decomposição do corpo (metano principalmente) (CH4) se acumulam no torso, gerando pressão naquela área e empurrando o sangue para as narinas e para a boca. O solo por sua vez, devido a sua composição, ajudava o corpo a se manter com aspecto conservado. O que alimentava mais uma vez as crendices populares, pois o corpo parecia mais conservado, saudável e ‘bem alimentado’ de sangue.

Raiva, porfiria e doenças de caráter contagioso como a tuberculose e a peste bubônica tinham suas características associadas ao comportamento ‘vampiresco’. Certa vez vi na internet a foto de um túmulo com grades, feito com o intuito de prevenir que o vampiro saísse do túmulo. Infelizmente não a encontrei mais. Fico devendo essa, pessoal.

Esses movimentos tomaram tanta proporção que houve caças ao vampiro. Mutirões para abrir caixões e estacar corpos foram organizados para ‘esterilizar’ os vampiros. Essas caçadas só tiveram fim quando a Imperatriz Maria Teresa da Áustria enviou seu médico particular para investigar os tais vampiros. Concluindo a não-existência deles, a Imperatriz proibiu a abertura e profanação de túmulos e corpos.





2. A popularização
A arte está aí, desde sempre, registrando a vida e a imortalizando. Com os fatos narrados acima não foi diferente. Os vampiros renderam boas pinturas, gravuras, livros e peças teatrais. Mas foi em 1897 que eles começaram a ganhar maior evidência. Em 1897 foi lançado Drácula, de Bram Stoker.
Para escrevê-lo, Bram Stoker pesquisou o folclore europeu por anos. Em suas pesquisas, descobriu a história de Vlad III, Príncipe da Valáquia.

Mas comumente conhecido como ‘Vlad III, O Empalador’, ele foi príncipe da Valáquia (província histórica da Romênia). Era conhecido por sua crueldade e defendeu sua terra contra o Império Otomano com todas as forças. Certa vez, recebeu um ataque onde acabou por perder seu pai e irmão. Todos haviam dado Vlad III como morto (quando na verdade estava vivo).
Com sede de vingança, Vlad III atacou ferozmente os Otomanos, matando vários. Como era muito cruel e havia sido dado como morto, a população acha que seu retorno era devido a algum pacto demoníaco que havia feito.

O pai de Vlad III (Vlad II) fazia parte da Ordem do Dragão, que foi criada para defender o reino dos ataques Otomanos. Por entrar na Ordem, recebeu o apelido de ‘Dracul’ que significa ‘dragão’ e também ‘diabo’ no romeno atual. Logo, Vlad III recebeu o nome ‘Draculea’ (ou ainda ‘Drácula’), que significa ‘filho do dragão’ ou ‘filho do diabo’ (a interpretação mais popularmente adotada).

Vlad III saboreando sua refeição enquanto aprecia um empalamento

Castelo de Bram, morada de Vlad III. Também conhecido como Castelo Drácula.

A história de Vlad III empunha medo na população devido a fatores históricos e supersticiosos. E com isso, Bram Stoker escrever seu romance Drácula.
O livro foi muito bem sucedido, influenciando teatro, rádio, livros, HQs, mangás, desenhos, televisão, e games. Isso difundiu os vampiros para os quatro cantos da Terra, os tornando parte da cultura popular.

Nosferatu, filme alemão de 1922 é adaptação de Drácula para os cinemas.


Os vampiros nos games

Agora que temos bagagem o suficiente, acompanharemos a progressão dos vampiros nos games.


 Nome: The Count
Ano: 1981
Plataforma(s): Apple II PlusCommodore PET, TRS-80,Vic 20, TI 99/4a, Atari 400, Atari 800, ZX Spectrum, Commodore 64, BBC Micro, Acorn Electron, Dragon 32/64

The Count foi o primeiro game de vampiros que se tem notícia. É uma game puzzle em formato de texto, onde o jogador deve digitar as ações (como “Climb Tree” ou “Walk East” por exemplo), coletar itens, desvendar enigmas, evitar perigos e o principal: derrotar o Conde Drácula. O interessante desse jogo é que ele usa o tempo no jogo. O tempo é posto para três dias e certos eventos ocorrem somente em certos dias e em certos horários.


 Nome: Vampire Village
Ano: 1983
Plataforma(s): ZX Spectrum

O primeiro game de vampiros com interface gráfica. Neste game o jogador deve administrar recursos limitados para levar os habitantes da vila para o outro lado do rio. Do outro lado do rio há uma casa onde um vampiro está sendo mantido. Os aldeões o querem matar.

Esta é uma imagem do game rodando.





 Nome: Ghost House
Ano: 1986
Plataforma: Master System

Ghost House é um jogo de ação side-scrolling que coloca o jogador no papel de Mick, um caçador de vampiros. Sua missão é destruir os cinco vampiros que vivem na mansão. O jogo lembra um pouco Alex Kid. Ele tem uma movimentação meio dura e combates contra chefes um tanto frustrantes devido ao sistema de colisão mal feito. Recebeu uma adaptação distribuída no Brasil e México denominada Chapolin X Dracula: Um Duelo Assustador. Essa versão sofria ainda com más animações.

Na esquerda temos Monster House e na direita, Chapolin





  
Nome: Castlevania
Ano: 1986
Plataforma(s): Nintendo Entertainment SystemCommodore 64, Commodore Amiga, PC MS-DOS, PC Microsoft Windows, Game Boy AdvanceAT&T Wireless mMode Network,Virtual Console

Foi em 1986 que a franquia de sucesso Castlevania começou. É um game de aventura de movimentação lateral onde o jogador controla Simon Belmont, que tem a missão de colocar Drácula para dormir mais uma vez. A franquia continua até os dias de hoje.

Uma diferença de meros 24 anos





 Nome: Bram Stoker’s Dracula
Ano: 1993
Plataforma(s): NESSuper NES/Super FamicomGame BoySega Game GearSega Master SystemSega Mega Drive/GenesisSega CD, Amiga, MS-DOS

Bram Stoker’s Dracula percorre o roteiro do livro Drácula sob a ótica de Johnatan Harker, só que com uma grande “licença poética”. Quem leu o livro (como eu) pode perceber a semelhança na ambientação e em alguns personagens. Mas para poder se tornar um game de verdade, alterações foram feitas, como encher os locais de monstros e chefes, transformar Johnatan Harker em um caçador voraz e abandonar o resto do elenco. O game virou uma espécie de Castlevania e ficou super legal.

Aqui temos Johnatan Harker na estalagem do começo do livro





 Nome: Dracula 2: The Last Sanctuary
Ano: 2000
Plataforma(s): Playstation e Windows

Sequência de Dracula: Ressurection, Dracula 2 ofende o obra de Bram Stoker, pois além dele não conseguir criar uma boa atmosfera (Bram Stoker’s Dracula é bem melhor nisso), acaba transformando essa série de games em uma “Mario da Transilvânia”, onde seu único objetivo é resgatar Mina Harker. Sofrível.


Nome: Nosferatu: The Wrath of Malachi
Ano: 2003
Plataforma(s): Microsoft Windows

Este pode não ser um game muito conhecido, mas não significa que não seja bom. Seguindo o roteiro do livro Drácula e do filme  Nosferatu, Nosferatu: The Wrath of Malachi conta a história de James, um rapaz que descobre que sua família foi raptada por um vampiro, que por sua vez, é seu cunhado. O jogador terá duas horas de prazo para salvar seus familiares e evitar que o pior aconteça. O game conta com uma boa atmosfera e um castelo que, segundo a Gamespot, deixa o castelo de Drácula no chinelo.


 Nome: Van Helsing
Ano: 2004
Plataforma(s): PlayStation 2, Xbox e Game Boy Advance

Van Helsing não é lá um jogo muito bom, mas é fiel ao filme que, por sua vez, conta a história do Dr. Van Helsing só que com muitas modificações. O game lembra um pouco Devil May Cry e tem um aspecto gótico muito bom.


Nome: The Elder Scrolls IV: Oblivion
Ano: 2006
Plataforma(s): Microsoft WindowsMobile phonePlayStation 3, Xbox 360

Na série The Elder Scrolls é possível se tornar um vampiro. Em Oblivion isso se tornou mais presente e no título seguinte, Skyrim, a “carga vampiresca” foi aumentada. Quando se torna vampiro, se ganha bônus em habilidades físicas, mas se perde na resistência a magias, como fogo. O jogador também se torna fraco na luz do sol.

Um vampiro do game


Conclusão

Os vampiros se tornaram grandes ícones da cultura pop. Se expandiram e se instalaram em todas as mídias. Nos games não foi diferente, mas aqui eles não são tão expressivos. Infelizmente. Há bons games do vampiro e em diferentes gêneros, mas nem tanto. Uma pena, pois eles são criaturas presentes em diferentes culturas e apresentam uma profundidade fascinante.

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