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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

[Sessão Crítica] Bad Boys Para Sempre - Xplus (legendado)

DO LUXO AO PERIGO 




Em 1995, conheci Os Bad Boys no VHS - sucesso chegando nas locadoras direto do cinema. A fita estava quentíssima de tão nova. Testemunhei um dos primeiros sucessos de Will Smith e logo se tornou um dos meus atores favoritos. Dirigido pelo então estreante Michael Bay, a trama do primeiro filme marcava pelo desafio crescente dado a carismática dupla de protagonistas: Mike Lawrey (Smith) e Marcus Burnett (Martin Lawrence). O filme teve reforço com grande produção de Don Simpson/ Jerry Buckheimer Films.



Em 1996, Michael Bay já se definia o rei dos filmes de ação da temporada, dirigindo A Rocha - um filme de ação com celebro ao lado de Os Bad Boys, porém, mais complexo e menos fácil de digerir pelo público mais focado em explosão. Bay estava engatando seu segundo sucesso consecutivo mais centrado nos críticos naquele ano enquanto se tornou um sucesso dobrado para o público (U$$ 141 milhões de Os Bad Boys, avançando para expressivos U$$ 335, 1  milhões com A Rocha).


Já em 1998, na onda de Titanic - sucesso absoluto reconhecido pelo Oscar que inspirou expressivamente o cinema de ação e romance dos anos 90 - Michael Bay emplacou seu primeiro filme catástrofe com Armageddon - também trazendo um casal romântico estrelado pela dobradinha Ben Affleck (mais um galã talentoso dos filmes de drama, direto de sua brilhante revelação ao lado do amigo Matt Damon no Oscarizado O Gênio Indomável) e Liv Tyler (filha do vocalista do Aerosmith, Steven Tyler, e então modelo em muitos de seus videoclipes incríveis).

À partir de 2006, Michael Bay - inspirado pelo sucesso de seu primeiro filme catástrofe - decidiu se concentrar numa série de adaptações do desenho Transformers. O rei dos filmes de explosão parece ter esgotado a sua fórmula de realizar filmes divertidos de ação e boa história. Optou por seguir numa onda repetitiva e exaustiva de sequências do título, embora divirta momentaneamente e traga público.


Com essas séries de filmes de orçamentos astronômicos,  Michael Bay se distanciava em querer surpreender como tentava antes. Mas sempre que decidia voltar, vez ou outra, com filmes de orçamento menor, Michael Bay se concilia com a consciência dos entusiastas mais abertos. James Cameron, que já foi inspiração como diretor de ação, parece agora cair na mesma onda dos seus influenciados se envolvendo num emaranhado de sequências de Avatar (só torço para que dê certo, de verdade - pois o cinema de ação precisa evoluir para além dos filmes da Marvel).


Com base nesse parâmetro dos trabalhos do diretor de Os Bad Boys, voltamos ao ano de 2003, com mais dinheiro, Michael Bay retornava à direção em Bad Boys II. Com trabalho de fotografia arrojado - concentrando bastante no tom realista das cenas de ação - e explosões catastróficas de cenários (mesmo que contra a lógica dos críticos mais xiitas).

Depois de uma longa espera, e muitas conversas, Os Bad Boys III finalmente sai do papel e segue as filmagens para uma sequência após 15 anos ganhando agora o título final no anuncio. Bad Boys Para Sempre estréia neste início de 2020. Partindo de uma ideia de Will Smith, a trama constrói um desafio incrível para o seu personagem.

Sem Michael Bay na direção, os desconhecidos Adil El Arbi e Bilall Fallah assumem o lugar nesse terceiro episódio. Embora eu seja puritano e não goste de troca de diretor em sequências diretas como esse tipo de cinessérie, o trabalho surpreendeu e foi excepcional.






Definitivamente, Bad Boys Para Sempre respeita bem as raízes dos seus protagonistas e amplia ainda mais as suas personalidades - enquanto que Mike assume agora uma grande presença na ação, Marcus acaba se tornando o alívio cômico a maior parte do tempo (chegando a ser exageradamente bobo) - claramente, os fãs da velha comédia, mais inocente como a de Mr. Bean, se identificarão muito mais com o estilo de Lawrence enquanto os que buscam elementos mais versáteis (e um humor mais ácido) ficarão com Smith. Num resumo, para quem equilibra (em apreciar muito bem ambos os estilos), irá se divertir amplamente com a grande dualidade entre os dois personagens e, no fim, se juntar a todos os outros ao se emocionar em coro com a relação de profunda irmandade da dupla. 

Comparado ao segundo filme, este é mais diplomático. A relação emocional entre os personagens parece ter mais atenção, sem contar também sua conexão com elementos sociais da sociedade, como questionamentos sobre ocultismo e as influencias da religião sobre o controle do homem.

Se em Bad Boys II, as cenas de ação impressionavam pela fotografia realista, aqui, o impacto continua a ser sentido ainda mais na violência extrema - valorizando a ambientação sóbria de seu universo.  A fotografia continua a ser um show à parte com as variações de cores em conjunto com a direção de arte - da alta tecnologia, das luxuosas festas com luzes e músicas dançantes aos cenários silenciosos que se preenchem com chuvas e fogo. Na edição, sobra homenagens aos filmes anteriores - sem deixar de lado os efeitos de câmera lenta charmosos de Michael Bay e as suas visões panorâmicas sobre as cidades.

Na trilha sonora, a música tema Bad Boys é constantemente lembrada pelos personagens, e tocada em sua plenitude em algum momento (praticamente me deixou cantarolando do fim da sessão até agora). A canção foi originalmente escrita por Ian Lewis e cantada pelo grupo Inner Circle para o álbum One Way de 1987. A música acabou também se tornando tema de uma série policial americana de TV de 96: Cops: The Best of Cops. O compositor Lorne Balfe também remete a mixagens dos temas instrumentais do primeiro, composto por Mark Mancina  (que muito lembrava o estilo de Hans Zimmer).



O perigo prossegue sem prescindentes e oferecido a cada um de seus protagonistas e até coadjuvantes, que não são poupados do desafio iminente e crescente - mesmo os novatos não tem folga e se destacam na interação. Como de costume, protagonistas enfraquecem sua fodalidade importância na ação para dar lugar a uma nova geração de personagens, ampliando o universo da familiar história. Embora isso pareça um problema em outros filmes, aqui, muito pelo contrário, a construção fala mais com a alma de sua realidade e entrega uma experiência prazerosa com presenças heroicas, representativas e atuações muito convincentes.

Bad Boys Para Sempre parece ter sido o título que mais agradou os parâmetros polêmicos das mídias virtuais. Mas, sempre com grande inspiração do meu imparcial guru: o livro Guia de Vídeo (Editora Nova Cultural), sempre acreditei na cinessérie Bad Boys e o que ele pode oferecer como inspiração.

Como é onda a tendencia de velhos bons filmes retornando a uma audiência mais jovem e virar uma nova série de continuações, é sugestivo que aguardem novas sequências (cinematográficas ou não).


ATENÇÃO: FIQUEM DURANTE OS CRÉDITOS.

Momento Pós-Crítica
A Música de Bad Boys

- A mistura de estilos musicais entre cantores e bandas chama muito a atenção na cinessérie Bad Boys. Para quem esperava apenas black music, os álbuns contam desde R&B, reggae, pop a rock gótico e industrial. 

- No primeiro filme, a trilha de Mark Mancina vem, logo na introdução, rasgando no suspense, combinando com as ações das cenas e criando um imenso clima de ação. Sem contar a trilha sonora com a participação dos diversos artistas, como Diana King (Shy Guy - com videoclipe oficial trazendo a participação de Will Smith e Martin Lawrence) e até KMFDM (Juke Joint Jezebel) - este último, teve um tema que também esteve no filme Mortal Kombat e, do mesmo grupo, a canção ULTRA, na versão americana de Street Fighter II: O Filme do mesmo ano. 


SESSÃO CRÍTICA
BAD BOYS PARA SEMPRE
Sessão Acompanhada: UCI Parkshopping - P 20 - 30/01/2020 -  21:15
Slogans: Sempre Juntos Até o FinalAndamos Juntos, Morremos Juntos


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