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terça-feira, 7 de março de 2017

[Sessão Crítica] Logan: A Despedida de Hugh Jackman




Desde que X-Men: O Filme saiu em 2000 ( o ano de preparação para o século XXI ), estava claro que a cinessérie buscava se distanciar do visual espalhafatoso dos quadrinhos para se tornar algo mais “cinza”, mais “ sóbrio “, mais pé no chão, para se situar no mundo real em uma cidade real: Nova Iorque.

Acreditava-se então, o diretor Bryan Singer, que aquela seria a visão definitiva de uma adaptação em quadrinhos – algo mais realista. E essa acabou sendo a visão do nosso atual século para as adaptações em quadrinhos adiante, até mesmo por um certo super-herói da rival, DC/ Warner: Batman Begins. Mas não podemos esquecer do bem sucedido Blade: O Caçador de Vampiros, em 1998, que já era um ensaio a respeito – justamente por se tratar de um personagem não conhecido pelo grande público e acabou se tornando a primeira adaptação mais bem sucedidas de um super-herói da Marvel para o cinema, sendo então visto como um filme legítimo e não como um filme de quadrinhos.

Taí, finalmente acertaram a mão com as adaptações cinematográficas dos heróis Marvel que vieram para solidificar aquilo que veio representando nos quadrinhos desde a década de 60 – com heróis muito humanos e conectados sentimentalmente (até na forma de viver) com os seus leitores (ou telespectadores). A Marvel, propriamente dita, ainda não dava as caras no cinema com o seu futuro Marvel Studios, mas Stan Lee já estava lá aplaudindo os sucessos dos famosos X-Men e, posteriormente, Homem-Aranha. Aderiram a essência do humor e expandiram – com toda aquela liberdade criativa (sem restrições a referências) – exceto quando a Marvel Studios veio ao páreo, com sucessos louváveis, porém, engessados - já que muitos dos seus direitos de adaptação cinematográfica dos seus próprios personagens (e até mesmo termos) estavam presos e espalhados em meio a um emaranhado de empresas desde que eles fizeram um acordo de venda devido a crise nos quadrinhos.

Logan ou, em alguns casos, codinome: Wolverine, seria assumido pelo ator Dougray Scott – que não pode gravar pois já estava participando das filmagens de Missão: Impossível II. Assumiu então o desconhecido Hugh Jackman. As críticas nas redes sociais surgiram no decorrer dos anos – condenado a um galã, de estatura alta, assumindo o papel de um baixinho rabugento e briguento? Em outros casos, ainda no lançamento: “- Será que daria certo ? ” A duvida e a desconfiança pairavam. Mas no decorrer dos anos, Hugh passou a ganhar cada vez mais respeito pela sua dedicação ao personagem. Hugh foi fiel ao seu mutante de garras afiadas maior que qualquer outro ator que tenha assumido um super-herói do cinema desde Christopher Reeve. Isso é emocionante e merece uma saraivada de aplausos por 1 hora em silencio. A despedida de um guerreiro é dolorosa justamente por se tratar de um herói tão dedicado ao seu personagem – sim, Hugh é o herói do Wolverine.


O teste de Hugh Jackman para X-Men: O Filme (gravado em 1999)
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É impressionante que Hugh, com a sua versátil experiência artística, de teatro e canto, assumir de maneira multifacetada o mesmo personagem no decorrer desses 9 filmes em 17 anos. Começou do jovem Wolverine com olhar Bad Boy raivoso, definido pelas atitudes rebeldes e cheias de energia, durante toda a primeira trilogia X-Men, ao Wolverine emocional de X-Men: Origens, o revoltado de X-Men: Primeira Classe, o perturbado de Wolverine: Imortal,  o confuso de X-Men:Dias de Um Futuro Esquecido,  ou um louco improvisado de X-Men: Apocalipse

Agora, assim como costumam terminar uma cinessérie, em uma trilogia, vemos o Logan (nome real de Wolverine) do Hugh assumindo uma outra postura: como um veterano soldado cansado e abatido pelo seu trajeto. Uma espécie de Velho Logan livremente inspirado na série de quadrinhos paralelos, porém, de maneira única. É também preciso entender que a cinessérie X-Men não foi pensada de forma planejada como os longas da Marvel Studios. Felizmente porque abriu-se um leque de coisas inventivas que só víamos nos quadrinhos – aonde tudo é capaz de acontecer. Assim como nos quadrinhos de origem, personagens queridos morrem e retornam ou são substituídos (às vezes por versões mais jovens) sem se importar com o amanhã - ou seja, sem se importar sobre o que o leitor vai sentir a respeito, já que a intenção é impressionar ou criar um ciclo para que tudo não caia na mesmice. E a cinessérie X-Men acabou fazendo isso muito bem. X-Men: O Confronto Final foi o mais corajoso como o desfecho de uma primeira trilogia de sucesso de super-heróis famosos de histórias em quadrinhos.


Durante quase toda a cinessérie X-Men, Wolverine foi um personagem que ganhou deveras importância pela sua popularidade – destacando-se mais do que o seu líder, Ciclope – além de grandes histórias nos anos 80, ganhou a sua própria revista periódica - publicada por aqui durante os anos 90 pela Abril Jovem.

Depois de X-Men 2, estava premeditado que haveria um longa adaptado da hq Arma X – e esse então seria o nome da adaptação. Acabou que o curso mudou e decidiram lançar a cinessérie chamada X-Men: Origens. Primeiro seria Wolverine, posteriormente Magneto e, mais pra frente, Gambit. O longa X-Men: Origens de Magneto acabou, certamente, se tornando X-Men: Primeira Classe (ou uma parte dele). E o longa do Gambit viria ainda esse ano, com outro intérprete diferente de X-Men: Origens – Channing Tatun (conhecido por longas românticos).  


Os dois primeiros longas paralelos de Wolverine acabaram mais odiados que toda a cinessérie X-Men. É incompreensível o ódio à cinessérie de origem, mas a rejeição caiu bastante com Wolverine: Imortal – praticamente um longa infinitamente superior ao anterior, Origens.

Porém, vale com toda a certeza absoluta dizer que Logan é o longa mais ousado de toda a cinessérie X-Men até hoje. Aparentemente, adotaram todas as críticas negativas formuladas pelos fãs e fizeram um filme legítimo do Wolverine como ele é nos quadrinhos, mas sem se desprender muito da humanidade do Wolve estabelecido por Hugh Jackman - um rabugento mais racional e não tão selvagem quanto parece. Porém, isso tem um preço, ele se depara e acaba consumido pela vida selvagem em que foi envolvido – isso acaba claro na essência.

Imagens do site Rotten Tomatoes

O resultado de Logan é o de melhor aprovação de um longa da X cinessérie desde X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Hugh merecidamente lacrou sua passagem despertando elogios dos odiosos.
Realizar um filme de super-herói, sem dizer que não é de super-herói, é muito difícil. Porém, é menos difícil quando eles não precisam usar máscaras. E no decorrer de todos os longas, o Logan de Hugh adotou essa aparência das hqs, um Wolverine sem máscara e fantasia de lutador de luta-livre.

Logo, podemos então nos convencer de que Logan se trata mesmo de um longa legítimo de ação que, apesar de dizer que se passa no futuro, em 2029, para a trama justificar a sua distancia dos eventos, também adota características clássicas do gênero como faroeste e trajeto para dar um charme a mais ao seu ambiente. Mas o charme não veio de graça, também são características nítidas da prestigiada hq Velho Logan.

Arte da hq Velho Logan

Assumir elementos comuns do gênero para encaixar o estilo fantasioso das hqs, sendo os personagens mutantes, é um processo criativo e tanto para a adaptação. Porém, nem tudo é perfeito, exceto para os fanáticos pelo personagem. Wolve está muito bem representado, assim como os demais personagens. Hugh Jackman, Patrick Stewart (Charles) e Dafne Keen assumem uma relação familiar fortíssima e convincente. Tal relação é uma das maiores qualidades da cinessérie e aqui ela vem ao seu ápice. A qualidade do elenco também se estende para Stephen Merchant (Caliban), Boyd Holbrook (Pierce) e Richard E. Grant (Dr. Rice). 
Esse é na verdade a grande força de Logan, o respeito a natureza do personagem ( o lado selvagem realmente exposto e chegando ao seu limite ) e  o trabalho primoroso de todo o elenco principal – além da interessante relação com outros coadjuvantes (e alguns destes também se destacando). Porém, o grande problema está na trama, a forma como ele se sustenta possui fraqueza em suas bases de apoio. Explorando tais fraquezas, como a maneira em que a pequena e misteriosa menina (interpretada pela graciosa Keen) que acompanha Woverine, e as suas transformações de comportamento repentinas na história, de certa forma, incomoda a primeira vista, assim como a importância entre os dois personagens muda de lado de uma maneira muito repentina. Além disso, falta um desafio a altura de Logan - ainda que o maior adversário para ele seja ele mesmo (seguindo pela filosofia e pelo ciclo selvagem de um animal muito forte).

Mas, assim como Batman: Cavaleiro das Trevas, pode não ser um título fácil de digerir numa primeira Sessão para uma audiência mais detalhista (como é o meu caso). Portanto, vale mais de uma Sessão para compreender de forma mais clara as atitudes e a maneira como os personagens são conduzidos na trama.

Em todo caso, Logan é um novo importante e corajoso passo das adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos, provando que um longa de super-herói com censura 16 anos pode sim ser apreciada e devidamente respeitada não só por seu nicho como também pela crítica especializada.

Experiência em IMAX : O formato favorece excepcionalmente as violentas cenas de ação de uma forma estrondosa. A calibragem do UCI NYC estava agradável para cardíacos, sem criar tremores na sala.


MEMÓRIAS DA  SESSÃO
Um amigo já me contou empolgadamente que iria assistir à pré-estreia na Quarta-Feira de Cinzas. Certamente, viria no dia seguinte cheio de empolgação pra contar – e eu, como Neo do Matrix, decidi meio que me esquivar de qualquer surpresa desagradável que me fariam perder a graça pela surpresa. O longa estreou na quinta. Mas fiquei receoso em aguardar até sexta. Acabei assistindo na sexta, aproveitando que não rolaria aquela partida de sinuca.

Aproveitei pra fazer um trajeto novo. Conheci a Linha 4 do metrô. Notei que haviam gringos e rostos com a “cara da riqueza” – eu diria que muitos não pareciam muito com descendência brasileira apenas pela pele clara dos muitos e muitos passageiros por ali. Alguns com roupas de praia por baixo. Eu vi um italiano, com uma aparência de comediante galã de TV estrangeira, com barba pra fazer, cabelo meio raspado, olhos claros, rosto fino, físico atlético, camisa sem manga e short curto – muito a vontade no Rio de Janeiro – conversando com uma moça que o acompanhava. Uma moça, de cabelos loiros e aparência robusta, relógio dourado, sentada ao lado do marido, observava o rapaz em alguns momentos – e aparentemente achava graça devido as falas.

O mais legal, assim como na Central do Brasil, é que a Linha 4 tem uma passagem no subterrâneo direto para o BRT. E eu pensando que teria de sair da estação pra correr atrás, mas estava tudo ali, felizmente.

Uma aparente dupla de jovens de outro estado me perguntou a respeito do trajeto do BRT – ao lado estava um senhor que estava no mesmo trem que eu estava,só que ele estava do outro lado.  Fiquei receoso quanto a chegada até ao Barrashopping, se ia levar tempo, já que ainda iria comprar o ingresso. Mas deu tudo certo. Fiquei pelo sofá de espera da XPlus aproveitando um BK Chicken e um Sufresh de pêssego do Burguer King. 

Peguei um espaço muito a frente da tela – embora menos pior do que em Noé. Houve uma promoção Filme da Semana para Logan que ia me quebrar um galho – IMAX estava R$ 35,00 mas com o cartão UNIQUE eu pagaria apenas R$ 16,00. O problema é que, na correria, esqueci de apresentar o cartão e acabei pagando o valor cheio (#facada).


A maior parte da galera ficou até depois dos créditos graças a tendência promovida pela Marvel Studios e seguida por alguns outros títulos de super-heróis (X-Men e os dois primeiros Wolverine).

A turma da sessão ficou muito bem comportada. Ao lado, um homem, acompanhado de sua mulher, interagiu de uma maneira irônica no cena: “- Agora virou homem! ” se referindo ao retorno de Logan a ação em um momento frenético do filme.


Na volta, assim que estava no ônibus, vi uma moça morena, estatura média, vestido médio que mostrava um físico com belas formas, sem músculos, aparente pele macia, delicadamente robusto carnuda – perdoem a indelicadeza, mas não tinha palavras melhores pra descrever tamanha forma física - uma prova de que nem sempre uma boa forma feminina possa ser apenas atlética.

A moça de traços carnudos estava acompanhada de uma amiga, as duas sentaram numa poltrona a frente, do lado esquerdo, eu estava do lado direito. De repente, um cara subiu no ônibus falando alto mas com uma língua que não dava pra entender, falava ba-ba-bu-bu-bu-ba-ba-ba-ba, parecia um bebê falando. Junto dele estava um outro homem. Aí deu pra perceber que o cara, de aparência careca, parrudo, estava tão bêbado quanto o Logan. Tão bêbado que não conseguia falar sequer uma palavra clara. Então ele chegou aonde estava a moça de traços carnudos e estendeu a sua grossa mão pra ela – como se estivesse esperando ela cumprimenta-lo ou ir com ele pra algum lugar. A moça nem ligou, virou pra janela e a amiga dela também ignorou o cara. Eu ficava olhando pro espelho e vendo o cara no vácuo. E ele ficou lá por uns minutos com a sua mão esquerda estendida aberta pra baixo esperando alguma reação. Depois ele foi para os fundos e começou a (finalmente) falar português: “-ABRE TEU OLHO, RAPAZ!” e outras bostas. Sabe lá com quem ele estava falando, mas o homem que estava com ele pedia pra ele falar baixo. “-EU NÃO VOU SAIR DAQUI ! “ e ficava repetindo direto essa frase até que começou a descarregar todas as impurezas da semana de carnaval no chão. Eu não parei de rir. Mais a frente, tinha dois jovens que olharam pra trás pra ver o que estava acontecendo. Eu comecei a por a mão na boca, porque a graça estava negra.  

Olhei pra morena do lado, que já tinha se despedido da amiga, e ela olhou pra mim, eu tirei a mão na boca e comecei a rir mostrando os dentes. E ela:“ -Ninguém merece! ” daí, começamos a rir de cada lado, timidamente, e ela virando pra janela e eu pro meu canto. Ficamos nos encarando algumas vezes pela situação, mas quando veio o fedor do Raul, comecei a tampar o nariz, e ela virou pro lado – meio rindo – também tampando o nariz “-Hummm! Que nojo!” No final, naquele mar de porcaria, a moça se levantou para descer no seu ponto com o tamanco, mas sem dificuldade. 

É, e esse é o nosso mundo selvagem. Só que sem o Wolverine.



  E S S àO   R Í T I C A  
L O G A N
Sessão Acompanhada: 21: 20 – UCI NYC IMAX 3D – 3/03/17 (Sexta-Feira)
Slogan: Uma Última Vez

1 Hit Combo :

Synbios disse...

Que filme, confesso que não esperava ver tamanha violência(e palavrões) em um filme de herói, me surpreendeu positivamente.

Enfim, você conheceu a Linha 4 do metrô, melhor opção para ir da Barra ao Centro e Zona Sul, e vai ficar melhor ainda quando acabar a baldeação em General Osório. E a estação Jardim Oceânico possui a melhor integração intermodal do Rio: poder passar o Riocard na catraca do BRT para pagar a passagem dentro da estação do metrô. Quem dera se fosse assim em toda a cidade(a integração em Vicente de Carvalho é um horror, perde-se uns 5 minutos atravessando a passarela torta e desviando dos camelôs).

Gostou da morena, hein? Sempre de olhos abertos, hehehehe.

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