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domingo, 4 de outubro de 2009

Sessão Comemorativa (Estréia na HBO): Batman - O Cavaleiro das Trevas

ÍNDICE

Crítica: Batman - O Cavaleiro Da Trevas
- Barulheira Digna
-Ficha Técnica

Extras
- Ficha Técnica
- The Dark Knight, de Tim Burton (?)
-Papo - Cabeça
+O Cavaleiro Das Trevas x Batman (1989)
+O Cavaleiro das Trevas  x O Oscar 

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Crítica
Batman - O Cavaleiro Da Trevas

Barulheira Digna
(The Dark Knight, EUA, 152 min, 12 anos, 2008)
Depois de um ano comemorando o seu sucesso absoluto, ele finalmente pousa no hall de matérias da Sessão Crítica.

Tudo começa (ou recomença) com Batman Begins em 2005, mas não foi uma idéia assim da noite para o dia. Batman, que já estava se tornando a franquia mais rentável do cinema, baseado em uma história em quadrinhos, foi deixado na geladeira após o fracasso de Batman & Robin de Joel Schumacker em 1997.

A Warner Bros., que esnobava qualquer coisa relativa a Batman por um bom tempo, estava quase que prestes a fazer uma nova besteira com o projeto Superman Lives, que inicialmente seria dirigido por Tim Burton.

Levou alguns anos sem nada oficialmente confirmado, até que em meados de 2000/ 2001 os executivos da Warner começavam a se interessar num possível retorno triunfal de Batman aos cinemas com a adaptação de Batman: Ano Um. Outra idéia era de também adaptar O Cavaleiro das Trevas com Clint Eastwood interpretando um Batman mais velho e já aposentado das lutas contra o crime.

Prevaleceu a visão de contar uma nova história trazendo uma atmosfera longe das direções de arte coloridas e caprichadas, procurando se aproximar dos quadrinhos, e remontar personagens, aparentemente incompatíveis com um mundo real, com todos os seus estereótipos fora do comum. O resultado pode ter sido forçado mas, de certa forma, tem suas vantagens.

É impossível ignorar a tamanha coincidência dos novos filmes com os dois exemplares dirigidos por Tim Burton, entre o fim dos anos 80 e meados dos anos 90, e o quanto ele foi importante para construir a dimensão dos filmes dirigidos por Cristhoper Nolan.

Talvez, para muitos, o teor sentimental de Batman O Cavaleiro das Trevas esteja em buscar a representação de um tom mais depressivo ou mais adulto. O teor adulto pode ser compreendido na abordagem séria de sua mensagem final; quanto à violência, os inimigos não sangram e o Batman não se arrebenta tanto como nas seqüências finais do filme de 89 (sim, apesar de ser censura livre, contra a censura 12 de O Cavaleiro das Trevas, dava pra ver algum catchup).

Como nas quadrilogia de filmes anteriores (1989- 1992 - 1995 - 1997), uma das coisas que marcam O Cavaleiro das Trevas é o vilão. Jack Nichloson fez um Coringa muito mais próximo às HQs, tendo a sua maior característica: o sorriso. Além disso, mostrou-se tremendamente divertido, apesar do senso de humor macabro do personagem. Depois de Nichloson, ter um novo Coringa seria uma pressão alta de superação pelas eternas comparações com o filme de 89.

Se Jack Nichlson é insubistituível, incomparável e marcante, o Coringa é também um vilão tremendamente favorito na série em quadrinhos pela sua carga de coteúdo que poderia ser explorada de diversas maneiras, Nicholson o representou perfeitamente e isso é, de fato, indiscutível.

Para tratar da responsabilidade, foi escalado um exigente Heath Ledger, um grande talento da nova geração que se foi muito cedo. Ledger ficou por 1 mês treinando o personagem isolado em um quarto de hotel, e iniciou um diário escrevendo cada processo.

E não foi por menos, seu Coringa entra para o Hall dos melhores, lhe garantiu o merecido Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante, coisa que não acontecia desde 1976. É precisamente uma livre interpretação do próprio personagem, muito mais próximo a de um verdadeiro psicopata, sua atuação é bastante pertubadora, deixando bem claro o nível de complexidade. Se o Coringa de Nichlson parecia um demônio excrachado de divertido, o Coringa de Ledger é como um demônio mesmo e ponto final. Ambos ainda parecem passar algum sentimento, acima de toda a loucura, exatamente como o verdadeiro Coringa das páginas de revistas.

Cristian Bale nos apresentou um Batman versátil em Batman Begins, sua melhor atuação como o personagem, aqui ele não convence tanto com a sua voz “disfarçada”, notável em um momento de ambiente fechado, com apenas diálogos entre ele e o comissário Gordon, deixando notável alguma canastrice. Mas o ator ainda tem seus bons momentos, a melhor acaba sendo a explosiva sequência do interrogatório inspirado num trecho da HQ A Piada Mortal.

Segundo Nolan, o centro do filme seria Harvey Dent (Aaron Edward Eckhart), mas a sua presença não é tão marcante quanto deveria, apesar dos explosivos momentos finais, um de seus melhores momentos. Os documentários extras do DVD ainda apresentam algumas características mais próximas dos quadrinhos, pelo ambiente político, o que valoriza mais o personagem, aproveitando de uma maneira mais madura e mais coerente o conteúdo profissional e humano de Harvey num mundo real.


Maggie Gyllenhaal substitui Katie Holmes como a personagem Rachel Dawes. Troca de atores em cinesséries como Batman é uma coisa que incomoda, por já nos acostumar ao estilo do ator encarnando o personagem, mas acaba virando uma tradição favorável em outras, como a franquia 007. Rumores dizem que Katie foi substituída por Maggie devido a determinados escândalos que afetaram a sua popularidade e que poderiam afetar o filme comercialmente. A mulher de Tom Cruise é mais bonita, mas Maggie até que defende bem a personagem com a sua certa sutileza.

Além de bons personagens (ou não) defendidos por boas atuações e um bom roteiro, toda obra de ação do porte de Batman pede um visual caprichado e que encha os olhos. Se Batman Begins peocurava seguir uma certa semelhança do tipo Blade Runner, e acaba por ser seco e sem graça, O Cavaleiro das Trevas resgata toda a qualidade técnica da direção de arte perdida, sendo anos luz mais bonito que seu filme anterior. Os cenários são visualmente ricos, com belezas de uma cidade comum, além das variações de figurino do Coringa (destaque também para a maquiagem).


A fotografia já era uma vantagem visual em Batman Begins (Indicado ao Oscar), aqui há muito mais variações de iluminação, fora o detalhe de haver mais momentos diurnos, com seqüências de ação, e de pôr do sol.

Como um filme de ação, ele é digno, como um filme de Batman, ele é, apesar de tudo, exemplar - técnicamente amplo, um desenvolvimento cheio de surpresas e sequências pirotécnicas que dispensam a artificialidade. É aquele tipo de filme que merece ser visto diversas vezes para que toda as suas técnicas sejam apreciadas e compreendidas a cada dia mais.

Batman O Cavaleiro das Trevas será exibido nesta Segunda (dia 5) pelo canal pago, HBO, às 21 horas. Não percam.

Cotações

Chuta Que É Macumba Faltou Rítimo Pegue Sua Pipoca

Calçada Da Fama Rumo Ao Oscar
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Extras
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Ficha Técnica
Título Original: The Dark Knight
Títulos Alternativos:
Batman Begins 2 Pré-ProduçBatman Begins 2
Ano:
2008

Direção:
Christopher Nolan (Amnésia, Batman Begins)


Elenco: Christian Bale (Bruce Wayne/ Batman), Machael Caine (Alfred), Heath Ledger (Coringa), Gary Oldman (Comissário Gordon), Aaron Eckhart (Harvey Dent/ Duas Caras) e Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes)

Sipnose

Após dois anos desde o surgimento do Batman (Christian Bale), os criminosos de Gotham City têm muito o que temer. Com a ajuda do tenente James Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. Acuados com o combate, os chefes do crime aceitam a proposta feita pelo Coringa (Heath Ledger) e o contratam para combater o Homem-Morcego. (Fonte: http://www.adorocinema.com/)
-
The Dark Knight, de Tim Burton (?)

Há alguns anos atrás o site http://www.geocities.com/flaggaz/timburton.html publicou uma notícia de um suposto Batman 3, que seria dirigido por Tim Burton.

Curiosidades: há também um roteiro de Batman o Retorno, oficialmente descartado, em que aparece Robin, como um mecânico, seria interpretdo por Marlon Wayans.
Dentre o acervo há também um suposto roteiro do filme da Mulher - Gato estrelado por Michelle Pfiffier. Maiores informações virão no próximo post.

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PAPO CABEÇA
+
Batman (1989) x Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)

ALGUMAS COMPARAÇÕES

Batman

(1989)
- Coringa é o responsável pela morte dos pais de Batman/ Bruce
- Batman utiliza a sua Bat-Nave para combater Coringa, que o chinga com palavrões
- Batman lança vários tiros com a sua nave e, neste momento, Coringa tira uma enorme espingarda do bolso e o retribui com um tiro certeiro que derruba a nave
- Coringa desafia Batman pela TV para um confronto final em Gotham, em meio a uma comemoração de 200 anos da cidade, preparada por ele.
- Coringa faz atentado contra uma autoridade em praça pública, com uma pena afiada.
- Coringa torra um mafioso em meio a uma reunião de outros chefões.
- Grande parte do uniforme de Batman é uma armadura
- A visão pessoal do diretor: Um ambiente gótico com direção de arte futurista.

O Cavaleiro das Trevas
(2008)

- Coringa mostra a mágica do lápis para alguns mafiosos
- Coringa faz algumas ameaças pela TV (ao estilo Bin Laden) e mata um sósia do morcegão.> Batman ameaça atropelar Coringa acelerando ferozmente com a sua Batmoto; Coringa manda acertá-lo, e descarrega a raiva atirando em veículos com uma arma. Batman bate com a moto.
- Grande parte do uniforme de Batman também é uma armadura
- O Batmóvel é semelhante a um tanque, visto também nas HQs de Frank Miller.HQ
- A visão pessoal do diretor: Atmosfera inspirada de filmes policiais como Fogo contra Fogo e dos anos 70.
+

O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) x O Oscar (The Academy Awards)

Houve uma campanha insanamente massiva dos produtores em colocar O Cavaleiro das Trevas na lista dentre os 5 melhores filmes indicados do ano de 2008, além de campanhas para melhor ator e roteiro adaptado. Insamente porque O Cavaleiro das Trevas é sim um máximo, mas não serve para o Oscar, principalmente no quesito Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

 Vejamos, quanto ao roteiro, se unir o detalhado enredo de Batman Begins com a pirotecnia de O Cavaleiro das Trevas, seria sim um encaixe perfeito. Geralmente, os indicados a melhor filme, costumam apresentar forte identidade própria que o destaca não apenas no ano, como também ao longo dos anos. Como já foi comentado anteriormente, não é apresentado algum elemento que seja idealizado originalmente em O Cavaleiro das Trevas (e nem mesmo entre todos os filmes de Batman), mas sim uma qualidade de elementos que o realçam.

Além disso, filmes barulhentos definitivamente não entram nessas categorias, e se algum dia entraram, tomaram alguma zebra. Entre exemplos de alguns filmes estão Os Caçadores da Arca Perdida e O Fugitivo. Os Caçadores da Arca Perdida é uma aventura com elementos de fantasia e comédia, bem sobremesa, do mago Spielberg, perdeu para o favorito, Carruagens de Fogo, entre os finalistas.

 O Fugitivo é um filme policial, refilmagem de uma série de TV dos anos 60, que foi bem recebido na premiação com categorias de peso, como Melhor Filme, e ainda rendeu um Oscar de ator coadjuvante a Tommy Lee Jones, tendo também uma das melhores peformaces de Harrison Ford na carreira. Há outros grandes exemplos como Guerra Nas Estrelas (hoje é mais conhecido pelo título original, Star Wars) e O Poderoso Chefão, que foram grandes surpresas ao longo dos anos no histórico da academia.


Star Wars ainda mais, por figurar um completo filme de aventura ao naipe de Os Caçadores da Arca Perdida ou até mesmo O Cavaleiro das Trevas, por figurarem alguma linguagem de um universo imaginado, além de se tornar um exemplo de raridade que figura entre os filmes de Ficção Científica indicado ao Oscar principal. O Poderoso Chefão teve o primeiro e o segundo filme premiados como o Melhor Filme, mas apesar de cronológicamente ligados, O Poderoso Chefão 2 é um filme que pode se equilibrar sozinho, sem a necessidade que o expectador obrigue a assistir o primeiro, coisa que não acontece com O Cavaleiro das Trevas, que já é focado diretamente nos personagens caindo na Ação sem nenhuma antologia.

Titanic de James Cameron faturou 11 estatuetas e se tornou o segundo recordista, se igualando a Bem Hur (1959) e é também considerado como um barulhento filme catástrofe. O Senhor do Anéis foi ignorado nos dois primeiros filmes e foi contemplado no terceiro (..O retorno do Rei – 2003) com 11 Oscars, recorde num espaço de tempo muito menor entre Titanic e Ben Hur.

 Titanic, Ben Hur e O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei fizeram o Oscar quebrar seu próprio tabu, coisa que raramente acontece, recebendo-os merecidamente como grandes filmes. Embora muitas dessas obras possuam conceitos em comum: o drama.

A carga de humanidade num filme fala muito mais alto quando o Oscar escolhe um favorito, seja ele indicado ou vencedor. Batman tem um perfil de herói mais moldado aos filmes de ação mais tradicionais, graças a eficiência de sua armadura, diferente de protagonistas de outras grandes aventuras Oscarizadas.

Explorar um ambiente mais diversificado, usar e abusar da tecnologia, é um pretexto e tanto para toda a ação. Quanto em enredo, o mundo real usa elementos de um universo de ficção para contar uma história. Essa difícil transposição acaba obtendo visíveis contrastes entre as tais figuras estereotipadas e a realidade. Por melhor que seja a idéia, o elo entre o espectador e a obra não usufrui da mesma profundidade que as páginas de quadrinhos, aonde a mensagem social é incluída numa história de ficção. Em outras adaptações de filmes baseadas em HQ, como Marcas da Violência, a mensagem se torna mais clara e sincera quando se passa mensagens sobre a humanidade numa história de ação.

Um belo exemplo que se resulta num dos raros casos de filmes do gênero que conquistaram a indicação de melhor roteiro adaptado, além de conquistar o respeito de excelente obra cinematográfica, até por quem nunca teve intimidade com quadrinhos. A melhor transposição acaba, por muitas vezes, sendo com histórias que não dependem de personagens com máscaras, pinturas ou deformações. Até o criticado Homem Aranha 3 procurou buscar mais dessa aproximação humana, usando o dinâmismo dos alter-egos, até em mais momentos do que em seus outros dois filmes.

Se bem que, nos últimos anos, a academia tem deixado espaço a filmes independentes ou que não se tornaram grandes sucessos mundiais. Quanto a essas produções, uma coisa é certa: se não fosse pelo empurrãozinho do careca dourado, muitos teriam caído no esquecimento.

Se envolver com a história ou com a situação dos personagens depende mais do nível de carisma ou da intimidade que se tem sobre o histórico conforonto entre heróis e vilões caracterizados. Aos críticos mais específicos, resta um notável teor turbulento, o crescente momento de climax entre Batman/ Bruce, Dent e Gordon. A afiada trilha sonora assinada pela dobradinha James Newton Howard e Hans Zimmer é o que preenche os momentos sentimentais, combinada a uma poderosa edição de som que traz muita vida, seja num clima de suspense ou no desfecho.

 Infelizmente a trilha sonora foi mais uma vez descartada das indicações ao Oscar. Segundo as rígidas regras da academia, a decisão veio previamente quando foi constatado que pelo menos cinco pessoas assinavam como os responsáveis pela repertório.

Os efeitos visuais não abusam de efeitos em computador, fazendo com que muitas sequências se tornem eternamente surpreendentes (como a cena do caminhão sendo derrubado pelo Batpod).

O filme recebeu 8 indicações ao Oscar e ganhou dois (além do Oscar póstumo, o também merecido Melhor edição de Som). Durante as vésperas de divulgar os finalistas da premiação, retornou aos cinemas em IMAX, aqui a reexibição aconteceu em São Paulo (o único estado Brasileiro a ter este tipo de sala), quebrando o recorde de filmes mais vistos no cinema com $ 1 bilhão de dólares, e agora é um dos grandes recordes mundiais ao lado de Piratas do Caribe: O Baú da Morte e o grande recordista: Titanic ($ 1.4 bilhões).


Em memória de Heath Ledger
(1979 - 2008)
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