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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

[A Marginalização do Nerd] A Geração é Gamer, mas eu sou Gamemaníaco !


De um lado, uma das melhores publicações de games do  nosso país durante a década de 90. De outro, um hater carismático que (talvez nem ele saiba) desencadeou dezenas de haterzinhos nas redes sociais no mundo inteiro durante os anos 2000.  

James Rolfe criou um monstro na sociedade sem ele conhecer, embora seus vídeos sejam divertidos e informativos. 


Vamos ser sinceros, tudo bem? A começo de conversa, a comunidade gamer é uma bosta. Metida, ignorante e de nariz em pé só por que tem forte influencia na comunidade, acha que pode ditar regras, assim como as regras de etiqueta quer impor em você como você deve comer ou se vestir (ou cortar o cabelo..ou fazer a barba).  

A comunidade gamer “matou” o rei como fez Scar e agora reina em um monte de ossos.  O mocinho saiu de cena e entraram os rebeldes. A comunidade gamer é dos vilões hoje.  Se você impõe uma ideia, ela é recusada e você automaticamente isolado porque não tem com quem somar esse apoio. Os rebeldes viram o império e quem se torna rebelde é você, com os poucos que se unem a você.
Implementar uma ideia legal na internet e viver disso é difícil. Um ambiente onde era pra unir só cria desunião justamente porque quem busca se diferenciar, ser criativo, encontra bloqueios em uma comunidade muito robótica, que só segue a mesma linha e é acomodada a ser destrutiva.

Você não pode entrar numa determinada comunidade de jogos de luta, por exemplo, e dizer que curte Shazaam. Um jogo que quase ninguém jogou mas todo mundo sai falando que é ruim sem nem saber explicar o motivo. Além de virar motivo de piadas e perseguição, vai ser rotulado como um doente.  

Uma comunidade de bárbaros aonde você não pode falar bem de um jogo considerado ruim por causa de virais escrotos da internet.

Você não pode montar um grupo para realizar torneios de um determinado jogo online da Delta West porque fulano A, B e C prefere só jogar jogo da SKD e da Capsule.

Falam que a comunidade de videogames hoje é aberta. Balela. Pode ser mais aberta para conhecer quem está envolvido no meio, mas também feita pra você conhecer a falsidade de perto e se decepcionar a ponto de ficar traumatizado. O que falar da comunidade competitiva online? Um câncer.  Cansei de reclamar disso, nem preciso me estender.  O nome da pior das doenças já resume o que significa isso.

Por mais louco que pareça isso que eu vou escrever aqui: a comunidade gamer é, apesar dos pesares, um mal necessário. Não existe outra forma de interagir ou se comunicar hoje  se não ter que depender de pessoas escrotas.  Mas, assim, todos na comunidade gamer não presta? Bem, nem todos, existem aqueles que ainda tem aquele sentimento guardado dos tempos que se passaram ou então herdeiros de pais que viveram essa época e acabam tendo esse dom de preferir  seguir seus passos de ter a mente aberta e nada acomodada como costuma existir hoje. E não só novatos aderem as doenças da bendita “geração gamer” como também velhotes na faixa dos 30 anos que acham que nasceram ontem.

Talvez a internet tenha vindo para ser a solução dos nossos problemas de relacionamento – a falta de pessoas como nós ou de aproximar pessoas distantes – talvez ele tenha vindo como mais um nível de dificuldade em nossas vidas para nos testar.  É como num ambiente de trabalho, vamos ter que lidar com os mais diversos tipos de pessoas, o que só nos mostra a não ser tão babacas quanto.

O que me motivou a escrever tudo isso? Simplesmente a última piada que me aconteceu. Um certo amigo veio me perguntar se eu recebi a Key de um esperado jogo (o tal do AXL v.s.  Capsule: Extreme). AXL, como todos sabem, é uma famosa marca de revistas em quadrinhos que está fazendo muito sucesso no cinema, chegando a desbancar a TC – sua principal rival.
O problema é que eu sou apenas um blogueiro peão. Só que me passa pela linha do tempo da rede social do Foolsbook que outro blogueiro peão recebeu a Key e eu não.

Daí eu pergunto, junto ao seu nome, com adjetivos de qualidade ao blogueiro peão no reservado: “Meu rei Jãozito, como você conseguiu essa key!” o blogueiro peão me responde com grande educação e profissionalismo. Porém, sem citar nomes, apenas a empresa. Legal, pô, eu sei que a “empresa” é representado por uma pessoa. Sendo que essa pessoa é peão igual a mim e é tão influente quanto eu fui pra comunidade. O problema é que essa competição ganha quem foi considerado ”mais influente”.

E eu que passei anos contribuindo, escrevendo matérias, produzindo vídeos, lançando materiais e escaneando memórias de revistas clássicas daquele joguinho querido das séries da Capsule, nem sequer sou lembrando justamente porque não existem profissionais decentes para explorarem ou avaliarem tudo o que está em nossa internet brasileira. Você é voluntário e pode se fuder se não se arrumar logo de puxar o saco de alguém que só entrou puxando o saco de outro alguém.

A comunidade gamer hoje lidera o mercado ditando as regras. Mas é importante lembrar que quem está liderando o mercado são meros fãs como eu ou como você que são capazes de criar conteúdo com o que sabe ou o que tem em mãos. Só compartilhar suas experiências, produzir conteúdo e pronto você já é jornalista.  Jornalista é quem se forma, eu sou só um mero criador de conteúdo.

Por isso prefiro a época off-line, de quando eu era gamemaníaco, com base no termo em que as antigas revistas defendiam. Sim, sou adepto do melhor clichê “No meu tempo era Melhor”.
Não é de hoje a lógica que quanto mais antiga a década, melhor foi a vida. Isso é histórico. Quem quer buscar impor diferente é só pra querer bancar o diferentão e pra não perder credibilidade com nenhuma geração. Geralmente, quem fica em cima do muro é por que vive de puro interesse.

Enfim, não é de hoje que falam que os anos 90 foram a última grande década e não tem como não concordar. Na minha geração aonde éramos considerados gamemaníacos, as coisas eram mais reguladas. Não tinha essa de coleguismo pra receber bendita chave de ativação de jogo nenhum.  

A comunidade toda sabia que eles receberam a chave de ativação pra testar porque correram atrás e só ganharam na raça, suando a camisa, sem coleguismos.  Para fins de reportagem. Todos com a mesma dificuldade e reconhecidos porque trabalhavam em uma revista. Se tal redação recebia, a outra rival também recebia porque correram atrás da mesma forma.

Hoje, somos vistos como a “comunidade gamer”, um bando de bostas reclamonas que saíram da fase das cartas de revistas de games para (tentar) criar seu próprio conteúdo decente na internet.  O peão que tiver mais seguidores vai obviamente ser mais privilegiado do que aquele peão que começou semana passada.  Nessa droga chamada “comunidade gamer”, recheada de subcelebridades de ego inflado, não existem profissionais no meio, só amadores muito bons nas coisas que fazem. 
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