sábado, 18 de maio de 2019

[Sessão Crítica] Pokémon: Detetive Pikachu 3D (Dublado)

O GRANDE TESOURO DO ANO


Por falta de visão mais ambiciosa, a maioria dos jogos baseados em filme nascem fadados ao fracasso no mundo do cinema hollywoodiano. Se não desperta grande expectativa do público, da crítica especializada é bem menos.

Embora tenhamos algumas decepções, Pokémon se tornou mais uma obra nipônica ocidentalizada graças ao sucesso do primeiro desenho de 1997 e, posteriormente, lançado no Brasil nos anos 2000. Foi aquele sucesso. Para os fãs de game, o título já era bem conhecido, desde seu lançamento em 1996.

A primeira grande referencia que podemos ter por aqui e no mundo inteiro sobre a animação é daquela polêmica do episódio que causou epilepsia em diversas crianças no Japão. O episódio foi proibido e o sucesso grandioso – que reservam temporadas até hoje – apagou em definitivo essa gafe. 

Estreou nesse dia 9, às vésperas do dia das mães, Detetive Pikachu. Mais uma adaptação do videogame de sucesso, só que agora com um misto de atores em carne e osso e computação gráfica – combinação tão em moda hoje em dia. Ao menos, no universo Pokémon, isso faz mais sentido.
Apesar de ser uma visão obscura para a grande audiência de Pokémon, Detetive Pikachu procura trazer o público não familiarizado a uma conexão divina com o primeiro longa metragem animado – o grande sucesso, Pokémon: O Filme. Os entusiastas irão reconhecer.

Desenvolver uma boa história adaptada do videogame Pokémon, já bem miscigenado na cultura pop, parece não ser difícil para os ocidentais. A versão Americana fez uma bela adaptação de Pokémon: O Filme – tanto a dublagem americana quanto a trilha sonora cativam (M2M no comando). Eles compreenderam e deixaram sua marca com o sentimento autêntico e próximo das origens.  Esta base acertada coincide com a produção em questão.

Atualmente, a série de TV já ultrapassa os 1.000 episódios - um recorde entre os desenhos japoneses - além da sua bem alimentada raiz, com os inúmeros jogos – como o recente aplicativo Pokémon GO! Que virou febre – mantém Pikachu e companhia em ascensão, com muita familiaridade histórica para contar. E, possivelmente, a cautela com que a Nintendo começa a supervisionar suas adaptações – se ainda não tivemos um novo filme de Super Mario Bros. Isso quer dizer que Detetive Pikachu deve ter passado por um processo rígido para manter a melhor fidelidade possível.

Detetive Pikachu foi a grande surpresa dos últimos anos, realmente inesperado uma adaptação do game de Nintendo 3DS já que ligeiramente se comentava apenas de uma animação em computação gráfica de Super Mario.

Como o próprio título sugere, a história segue elementos de um filme policial  envolto de elementos de aventura (aonde a fórmula Uma Cilada para Roger Rabbit encontra, de alguma forma, Pokémon no Século XXI). A forma como a direção de Rob Letterman explora ambientes durante as andanças de Tim (Justice Smith) é visualmente caprichosa. Todo o jogo de cores, num ambiente imaginativo e pé no chão – uma direção de arte equilibrada (não aquela aberração que foi Speed Racer, mas aí é outra vibe). Letterman – que já dirigiu a animação O Espanta Tubarões - mais uma vez defende aqui a sua experiência em trabalhar com filmes infanto-juvenis.

Pikachu agindo com voz de adulto soa estranho para os padrões “Pika Pika” de qualidade, mas  Ryan Reynolds na voz de Philipe Maia (versão dublada) convence. Os diálogos não perdem o sentido e tornam o filme agradabilíssimo até para os adultos – com umas pegadas a la Deadpool que, embora abusados, poderão agradar os jovens.

Como se percebe, Detetive Pikachu não é um Teletubbies, não é uma adaptação ingênua – Reinolds como Pikachu (na voz dublada de Maia) rouba a cena - mas a dupla, Justice Smith (Tim Goodman) e Kathyn Newton (Lucy Stevens) também convence como os heróis, a história de ambos os personagens encaixa dramaticamente bem e a química segura o tranco, enquanto os Pokémons ficam segundos fora de cena.


O personagem Tim conta com elementos sobre laços familiares pouco explorados em filmes dedicados ao mesmo público, seus problemas acabam bem espelhados com os elementos conflitantes em obras de animação japonesa, por exemplo (aonde o drama de separação familiar é mais explorado do que a comédia). E a graciosa Lucy precisa lidar com as dificuldades de início de carreira profissional em um ambiente duro e competitivo. Essa relação magnética com que os heróis humanos possuem com os espectadores e a forma como é interessante ver a dupla em ação encobre qualquer tipo de situação – de alguma forma -  pretensiosa em cena (essas leves derrapagens não atrapalham muito por, felizmente, não se desenvolver em excessos e criar algo claramente superficial). 
E essa grande interação dos Pokémons, ainda que muitos apareçam em pontas com os atores, enriquece e colore o universo com a fofurice que os espectadores aguardam.
 (foto do jogo)

Memória Pós-Crítica: O filme é uma adaptação do jogo Great Detective Pikachu, lançado em 2016 (apenas 3 anos antes do filme) para Nintendo 3DS. O longa metragem obteve a melhor abertura de uma adaptação de um jogo de videogame em live-action. É o filme do gênero com melhor avaliação dos críticos até agora segundo o Rotten Tomatoes (66% durante a produção deste artigo e atualmente está com 64%).











MEMÓRIAS DA SESSÃO
Em pleno domingo comemorativo – pra mim, desde algum tempo, Dia das Mães passou a ser todo dia mesmo -  resolvo encarar uma sessão de Detetive Pikachu, ainda exausto de toda a preparação para Vingadores: Ultimato há uma semana.

Vejo uma galera indo com a mãe. Ora uma família grande ou apenas mãe e filho tirando autorretrato (selfe como dizem) em supermercado. Já na fila, a entrada para o cinema demora um pouco. Alguém diz que tem uma pessoa passando mal em alguma sala com o ar condicionado excessivo e uma mãe fica marcando hora, com os filhos e outros parentes na entrada, e me passa a informação como se não estivesse na mesma sessão: “-Vai assistir Detetive Pikachu?” eu perguntei e a senhora: “-Acho que já entrou, pergunta lá que a gente guarda seu lugar aqui na fila ! ” já sacando que não havia liberado a entrada, fui perguntar assim mesmo para o segurança lá no alto. Uma grande enrolação. Mas deu tudo certo.



Já ia triste por achar que não ia conseguir os brindes do UCI Unique, mas consegui o chaveirinho do Pikachu. Desta vez, não saíram distribuindo brindes como fizeram com os cartazes de Vingadores: Ultimato que acabou antes de conseguir. Afinal, o certo seria para distribuir apenas para quem é cadastrado no programa – a não ser que tivesse milhares de cadastrados, aí eu desculpo.



O público estava diversificado – por pouco achei que só iria crianças, mas havia alguns marmanjos, marmanjas e, geralmente, uma família composta por tios, tias, sobrinhos, primos, filhos e mães. O inicio da sessão foi bem irritante, várias cabeças com celular ligado – um senhor ainda chamou atenção de uma garota a frente que enrolava para desligar e mais um outro senhor do meu lado também pedindo – fora outro sentado ao meu lado - até me arrependi de trocar de lugar com ele mas era melhor assim do que ficar na conversa cruzada entre tio e sobrinha pequena. O tio, assim que chegou pra sentar do meu lado, uma de suas parentes disse: “-Vai ficar aí longe?” e ele: “-É, né, fazer o quê?” (Comprei uma poltrona pra ficar no meio pra evitar braçada mas não adiantou nada) daí decidi perguntar se queria trocar de lugar e ele: “-Pô se der eu agradeço!” Beleza, aí o cara me atira com uma pistola de sola (aquela forma de sentar com a perna sobre o joelho bem do meu lado, outra coisa irritante). Mas, beleza, isso não durou muito tempo (Ufa!).

No final, um leve aplauso, eu tentei puxar silenciosamente. Até uma certa parte dos créditos o UCI manteve as luzes apagadas. O público ficou um tempo na sessão mas acabaram saindo a maior parte e alguns últimos saindo depois – não sobraram corajosos para o fim dos créditos.  


Fui obrigado a assistir dublado, já que os cinemas da cidade, em sua maioria, acredita que seria um título que despertaria mais o interesse das crianças. Na Zona Sul e na Barra, aonde se tem um público mais diversificado, pode se encontrar a versão legendada. De qualquer forma, não reclamo, a dublagem nacional está muito boa.


S E S S Ã O  C R Í T I C A
POKÉMON: DETETIVE PIKACHU
Sessão Acompanhada: UCI Parkshopping - 12/ 05/ 2019 - P 17 – 17:40

1 Hit Combo :

Synbios disse...

Cinéfilo que mora no subúrbio sofre. Além dos filmes dublados, alguns filmes para um público mais específico não vem pra cá e algumas sessões tem um público com "questionável"(bem, na verdade tanto os espectadores quanto os funcionários, como por exemplo a postura no pós creditos). A minha sorte é eu preferir ver filme dublado, de resto, a experiência de assistir cinema na Zona Sul/Barra é superior em tudo(no Kinoplex Tijuca também é legal). Não por acaso praquelas bandas os ingressos são bem mais caros.

Quanto ao filme Detetive Pikachu em sim, não é de meu interesse, desde a Geração 3 da franquia, a única coisa que me interessa em Pokemon é o competitivo. Aguardo o fim do ano para o lançamento de Pokemon Shield e Sword. Pouco provável que eu compre um Switch, mas já ficou ficar com o radar ligado para os simuladores online na Smogon.

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