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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

[Sessão Crítica Edição de Colecionador] Super Mario Bros. (1993) "Isto Não É Nenhum Jogo"

NESTA POSTAGEM

SESSÃO CRÍTICA
SUPER MARIO BROS.

O QUE HÁ DENTRO DO CANO? 
A ORIGEM E AS PRIMEIRAS AVENTURAS DE MARIO
FILME X VIDEOGAME: PERSONAGENS
FILME X VIDEOGAME: ITENS
FILME X VIDEOGAME: CENÁRIOS
OS ROTEIROS DA PRÉ-PRODUÇÃO
A COLEÇÃO DE MESTRE RYU: O VHS DE SUPER MARIO BROS.
GALERIA
VÍDEOS
O RETORNO AOS CINEMAS
FICHA TÉCNICA


SUPER MARIO BROS.
ISTO NÃO É NENHUM JOGO, É UMA CARRUAGEM DE EMOÇÕES VIVA.
 (Dir. Annabel Jankel & Rocky Morton;1993
Com: Bob Hoskins, John Leguizamo, Dennis Hooper e Samantha Mathis)


SESSÃO CRÍTICA
SUPER MARIO BROS.

PREMISSA HONESTA
O trio de heróis respectivamente: Bob Hoskins (Mario Mario) Samantha Mathis (Princesa Daisy) e John Leguizamo (Luigi Mario) na primeira adaptação de um título de videogame.

Não é querendo gerar polêmica, mas Super Mario Bros. é disparado uma das melhores adaptações de um jogo de videogame justamente por não aparentar muito a pretensão de ser.  Levo como exemplo adaptações desse estilo que hoje dão certo com quadrinhos: a trilogia Batman de Christopher Nolan. Nos quadrinhos, Batman é um humano onde se vê muitas vezes enfrentando desafios fantásticos (com criaturas mitológicas) e o universo de Mario - um anti-herói dos videogames- não é muito diferente.  

A verdade é que a criação de Christopher Nolan evoluiu, do Begins ao Ressurge, e conseguiu ser muito bem compreendida. No decorrer de sua caminhada, alcançou espectadores fieis e conseguiu abafar criticas, mesmo levando o universo fantástico do herói a um mundo mais realista.
Ao contrário deste, a adaptação ocidentalizada de Speed Racer (2008) - originário dos desenhos Japoneses - exagera tanto no show de cores que chega a parecer uma adaptação dos Jetsons de tão futurista. Em comparação a essas questões, SUPER Mario Bros.  se equilibra no tom certo, sem ser realista demais ou tentando ser exageradamente fiel.  

De qualquer forma, essa primeira adaptação de um personagem de videogame continua não sendo muito bem compreendida justamente por que cinema e videogames eram (e ainda são) universos muito paralelos (levando em consideração crítica especializada e público).  Eu até entendo isso, também demorei um pouco para aceitar muito do universo realista composto pela trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan em seus dois primeiros capítulos (Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas).

Videogame, na década de 90, era um tipo de instrumento visto como parte do público infantil. Por anos, os quadrinhos ainda tinham histórias sendo espalhadas não só para o cinema, como também para a rádio e posteriormente para a TV.  Apesar de adquirir história e personagens na década de 80, os videogames nunca chegaram a ter toda essa expansão imediata. E todo esse conceito era fruto de inspiração gerado pelas próprias obras do cinema, como a cinessérie Star Wars. A saga de Mortal Kombat nos videogames é um exemplo de comparação por alguns vínculos da mídia cinéfila.

Um personagem de videogame no cinema ainda continua como se fosse um assunto precoce (apesar de ter amadurecido muito bem no Japão em certas produções). Diferente dos personagens de videogame, os quadrinhos cresceram com os seus expectadores enquanto os videogames ainda engatinhavam com as crianças - por vezes acompanhados de seus familiares - e começava a alcançar o público adolescente - um tipo de grupo mais rebelde, mais afastado da família e mais próximo dos amigos. 

Uma vez a revista Ação Games publicou uma nota de que a adaptação seria do gênero policial. A princípio, li uma crítica no jornal O Globinho (parte integrante do Jornal O Globo) descascando, falando muito mal do filme e de que Bob Hoskins e John Leguizamo teriam entrado numa roubada. Levei aquilo em consideração até assisti-lo sem expectativa nenhuma quando o filme finalmente saiu em VHS e realmente me surpreendi com o resultado. 

Meu pai (fiel acompanhante de lançamentos de filme) alugou  pra mim, de surpresa, na época. Não vou mentir, eu adorei - mesmo sem nunca ter jogado o jogo até aquela altura da plataforma. Bem, eu só conhecia Mario por base de revistas e do desenho animado que era exibido nas manhãs da TV Colosso (muito mais fiel a princípio). A primeira vez que joguei um jogo de Mario foi no Super Nintendo de um primo. O jogo em questão era o Super Mario World em meados de 1994. Fiquei maravilhado.

Eu sempre fui mais jogador de Sonic - ele foi quem me convidou ao alucinante vício pelo mundo dos videogames. Sou dessa geração onde o ambiente Cyberpunk estava em alta, com o relançamento de Blade Runner  em 1992 (a então inédita Versão do Diretor). Johnny Mnemonic (outra adaptação dos contos de Philp K. Dick) entrava em produção, com a promessa de ser um épico de ficção com forte elenco para os anos 90 (incluindo Keanu Reeves  - quando nem sonhava estrelar Matrix - e Dolph Lundgren).

O ambiente futurista também fluía em muitos lançamentos de videogames ou PC da época: Flashback, Super Metroid, Battletoads & Double Dragon, Super Turrican, Ranger X, Wing Commander e outros. Até mesmo o famoso comercial da Playtronic - anunciando o Super Nintendo no Brasil - no mesmo ano (1993) tinha o aspecto todo voltado à realidade virtual e computadores. 

Muito além do país das maravilhas encontrado nos seus jogos originalmente, quiseram encontrar uma forma de atualizar o conto para o mundo moderno. Um mundo inicialmente visto inicialmente pelo visionário diretor Fritz Lang (Metropolis,1927). Esse é o mundo que a adaptação cinematográfica de SUPER Mario Bros. quer nos retratar. 

Os dizeres já avisam pela embalagem: Isto não é um jogo. É a coisa mais sincera que eu já vi comercialmente sobre uma adaptação de videogame, sem enganar o espectador em nenhum momento. Enquanto o cartaz da próxima adaptação de videogame, em 1994, Street Fighter: A Última Batalha, tentava se parecer ao máximo com um tipo de produção cujo porte não se equivale a tanta grandiosidade assim. O melhor a se fazer é mostrar no cartaz algo um pouco menor do que a grande produção se propõe (ou mostrar algo a altura).

 No poster mais famoso de SUPER Mario Bros.  por exemplo, Mario e Luigi estão com suas vestimentas azuis e o fundo escuro. No filme, a caracterização dos personagens é mais satisfatória aos games, assim como os cenários grandiosos ficam muito longe de sua obscura divulgação.

SUPER Mario Bros. O Filme é muito melhor que outras adaptações como: Tomb Raider, Final Fantasy: O Filme (1999) e (a que já virou cinessérie) Resident Evil. Adaptações que tentam claramente ser, de alguma forma, um retrato mais fiel aos jogos e fracassam nessa ideia  por diversas maneiras. A qualidade fica muito aquém da profundidade de envolvimento com as suas tramas originais (e também simuladas pelo jogador).

Ah, não posso esquecer da excelente performance de Dennis Hopper como o vilão Koopa

SUPER Mario Bros. conta com atuações muito mais centradas, como a de Bob Hoskins. Que, segundo uma entrevista que circula pela rede, ele não sabia que o filme era adaptação de videogame, mas falava muito de que era: - Uma enlouquecida aventura com cara de quadrinhosStreet Fighter: A Última Batalha - levando em consideração o seu trailer mais popular - parecia seguir os moldes de um filme de ação com tempero  mas também fracassou miseravelmente em termos de entretenimento. Efeitos visuais falhos e  muitas cenas de luta meia boca (com exceção dos chutes do Van Damme).  

Há uma diferença notável entre este ser uma adaptação de videogame, em comparação as de quadrinhos. As adaptações cinematográficas de quadrinhos ainda buscavam um visual bem cartunesco para o público (As Tartarugas Ninjas foram um grande exemplo).

SUPER Mario Bros. , sendo a primeira adaptação, ainda tinha certa cara de filme (como deveria ser) mas com um tipo de humor super careta. A notar naquela cena onde Mario (Bob Hoskins) e Luigi (John Leguizamo) tentam fazer os Goombas (a tropa do vilão Koopa) dançarem no elevador para distraí-los. Aquilo certamente me era constrangedor de ver - como criança. Assim como certos diálogos, eram uma re-evolução (como Koopa trama para manipular os seus adversários).

 O excesso de humor ingenuo é ainda um fator que perdurou por outras adaptações já citadas (como Tom Raider e Street Fighter: A Última Batalha). Com o tempo, depois de muitas sessões, passo a compreender que (ao menos em Street Fighter de 94 e nesse SUPER Mario Bros.) a canastrice tem o seu charme. 

 Enquanto excelentes e aclamados filmes ganham público por serem pretensiosos demais. Como eu sempre vou citar: aquela cena do Coringa colocando a cabeça para fora da janela - em tom dramático pra Oscar - em Batman: O Cavaleiro das Trevas,  outros perdem público por sua cafonice (como a tal cena da dança dos Goomba de SUPER Mario Bros. ). No mundo real é assim. Num mundo perfeito, quem reconhece a boçalidade de SUPER Mario Bros. talvez consiga aceitá-lo. A própria produção parece brincar com isso se associarmos as máquinas de reduzir inteligência espalhadas pelo longa

A verdade para muitos é: mais fácil aceitar coisas muito pretensiosas (feitas com intenção de abocanhar Oscar) do que com muita inocência (sem nenhuma intenção de abocanhar Oscar). Mesmo que essa falta de graça esteja ali por falta de criatividade do roteirista em temperar o humor. Um dos motivos é aquela dupla típica de idiotas - Iggy (Fisher Stevens) e Spike (Richard Edson). Embora coerentes com a tonalidade cartunesca da trama, ficam muito repetitivos. 

Mas SUPER Mario Bros. não é um filme de humor e sim, um filme de aventura com ares de humor. E o resultado é um dos melhores da sessão da tarde, diga-se de passagem. Por esse motivo, o humor por vezes meio sem sal é encoberto por outros detalhes: os efeitos visuais impecáveis; as boas (e por vezes divertidas) cenas de ação e o excelente elenco de atores - todos muito longe de serem forçadamente caricatos a exemplo de Angelina Jolie, por exemplo, tentando se parecer com a personagem Lara Croft com caras e bocas na adaptação de Tomb Raider.

Quanto a caracterização de Yoshi, ele ficou a cara dos dinossauros de Steven Spielberg. Desagrada quem se acostumou ao visual fofinho e original dos videogames da Nintendo.  Poderia ser ao menos verde num visual um pouco mais cartunesco (desde que seja coerente com os tons do mundo real proposto pelo filme).

 Na trilha sonora instrumental, Alan Silvestri constrói um ótima sensação de aventura e comédia (com algumas notas leves). Me faz parecer inspiração aos filmes do gênero por Robert Zemekis (Querida Encolhi As Crianças) e Steven Spielberg (Indiana Jones). As canções também vem bem recheada de artistas aclamados, com performances como: Roxette ( o tema do filme: Almost Real) a Megadeth.

Conseguiram estender o universo de Mario sem necessariamente trazer mais profundidade ao personagem. Os irmãos Wachowski tentaram fazer o mesmo com Speed Racer mas falharam por implementar muito realismo em um universo desenhado até demais. Ver o corredor na escola é um contraste enorme com a linguagem simplificada de seu universo. Quem não leva o significado dele estar rabiscando desenhos de carros na prova ao pé da letra, vai logo achar que ele não passa de um burro. Isso seria um mal incentivo aos jovens de 12 anos (também sua classificação etária).

Já vi muitos criticarem a falta de fidelidade da adaptação SUPER Mario Bros.  mas a vantagem de se distanciar de sua obra trouxe uma identidade mais personalizada a Mario e Luigi ao caracterizá-los de forma mais próxima a nossa realidade. A origem do sobrenome dos irmãos Mario é explicado como uma ironia ao título dos jogos. Como Mario Bros. é a abreviação de Mario Brothers (Irmãos Mario no nosso português) o de Luigi é Mario e Mario é (dã) Mario.


Respectivamente: John Leguizamo (Luigi) e Bob Hoskins (Mario). 


A grande diferença notável de Luigi, o irmão de Mario, era apenas o seu macacão verde. Ele nunca foi tão importante ou bem trabalhado em uma aventura de Mario como nessa adaptação. Enquanto nos videogames eles mais parecem irmãos gêmeos, no filme, Luigi perdeu as semelhanças com o seu irmão. Perdeu o bigode, ficou mais novo e um pouco mais alto e magro. Ganha também um certo valor na subtrama romântica.  Levando em consideração o histórico dos videogames, Mario é o protagonista e esteve em mais jogos. Luigi veio apenas como uma mera cópia de Mario.

Com pose de que já teve (ou salvou) muitas mocinhas, Mario fica com o posto de conquistador experiente (tem dois casos amorosos na trama) e deixa o espaço reservado a Luigi para ser o par romântico da mocinha, a princesa Toad/ Peach (no filme se chama Daisy, como no ocidente). Uma certa briga de atenção entre os dois irmãos pelo coração da princesa não seria também uma má ideia.



O QUE HÁ DENTRO DO CANO?
Notas Especiais: Os Extras com fotos e informações de bastidores (A Trilogia Filme X Videogame e Os Roteiros da Pré-Produção) inclui amostras de conteúdo de Super Mario Bros. Movie Archive.
(site apaixonante sobre o filme e com um gigantesco acervo)

A ORIGEM E AS PRIMEIRAS AVENTURAS DE MARIO
A sua história me faz ter respeito pelo Mario e pela Nintendo. Shigeru Miyamoto não sacava nada de programação. Toda a sua criação vieram através de folhas e folhas de desenhos. Para criar todo o universo de Super Mario Bros. , ele teve como base a sua infância, o lugar onde morava. Boa parte da caracterização do personagem Mario foi criado de uma forma para se adaptar ao reconhecimento dos jogadores e as limitações de hardware da máquina. O nariz grande e a cor da roupa eram pra uma facilidade de identificação aos olhos e o boné era uma maneira de encobrir ou evitar trabalho com detalhes do cabelo. 
Ele teve grande inspiração nos animês e mangás. Miyamoto nasceu em Sonobe em 16 de Novembro de 1952. 
A origem do nome Mario teria sido em uma situação onde o dono do imóvel, alugado pela Nintendo, veio furioso cobrar o aluguel atrasado, interrompendo uma reunião para definir o nome novo para o personagem, inicialmente batizado como Jumpman. Logo pensaram numa homenagem direta ao dono do imóvel, Mario Seagale (a foto acima, originalmente de 1952, foi encontrada na internet). Para a origem do nome Luigi, cogita-se que a inspiração foi numa pizzaria próxima ao prédio principal da Nintendo Of America chamada Mario & Luigi

A CRONOLOGIA DAS PRIMEIRAS AVENTURAS 

Donkey Kong (1981, Arcade)
Miyamoto trabalhava em uma aventura adaptada do desenho Popeye. Por problemas de direitos autoriais, o projeto foi descartado e se tornou  Donkey Kong. Nesta primeira aventura, Mario era ainda conhecido como Jumpman. Ele teria de resgatar uma garota chamada Pauline das garras do gorila Donkey Kong. O título, em nosso idioma, significa mais ou menos Poderoso Estúpido

Em 1982, a Universal Studios processou a Nintendo por achar Donkey Kong muito parecido com King Kong. Sem saber que a sua obra havia caído em domínio público, a Universal perdeu a causa. 

Donkey Kong Jr. (1982, Arcade)
Nessa sequência de Donkey Kong, os papéis se invertem. O herói é o vilão e o vilão é a vítima. O jogador agora tem de ajudar Donkey Kong Jr. a salvar seu pai, Donkey Kong, aprisionado por Jumpman.

Mario Bros. (1985, Arcade)
A primeira aventura com o nome de Mario nasceu nos Arcades e saiu posteriormente aos consoles da Nintendo, PCs e Atari.

Super Mario Bros. The Lost Levels (1986, NES)
Foi lançado no Japão como Super Mario Bros. 2. Lost Levels se refere aos níveis perdidos do primeiro Super Mario Bros. e chegou a ser conhecido com esse subtítulo após ser lançado para o SNES na coletânea Super Mario All Stars (1993).

Super Mario Bros. 2 (1988, E.U.A.)
A versão Americana é um reprogramação do jogo japonês Doki Doki Panic.

Super Mario Land (1989, Game Boy, 2 Mega)
O primeiro a ser lançado para o portátil Game Boy.

Super Mario Bros. 3 (1988, NES, 3 Mega)

Esse jogo perdurou por muito tempo nas vitrines (sempre parava pra ver a introdução nas lojas de compra e supermercados). Também é fato: foi o maior sucesso comercial de um videogame (vendido sem o console junto).

Super Mario World (1990, SNES)
Super Mario Bros. fazia a sua estréia histórica no console de 16 Bits da Nintendo. Ficou conhecido como Super Mario Bros. 4 no Japão.

FILME X VIDEOGAME: PERSONAGENS

Olhando pelas comparações, a adaptação de Super Mario Bros. tem mais referências aos jogos do que se imagina.

Mario: O grande ícone da Nintendo é representado por Bob Hoskins. Sua origem veio do game Donkey Kong.
Luigi:  Representado por John Leguizamo, o irmão gêmeo de Mario nos games agora é um jovem apaixonado e aventureiro.

 Peach Toadstool (ピーチ姫 Pīchi-hime) : A princesa sequestrada das aventuras de Mario nos games, tem o mesmo nome como é conhecida nos E.U.A. (como a produção é Americana): Daisy. Quem a encarna é  a atriz Samantha Mathis.

Koopa: O arqui-inimigo dos irmãos Mario se apresenta como Larry Lazard* uma referência a outro Koopaling (Koopalinho nos desenhos animados). No universo dos games ele é o rei de sua raça mas no filme ele controla toda uma cidade. Surgiu originalmente em Super Mario Bros. (1985). 

*O personagem acima é o próprio Larry Lizard (um dos Kopalinhos de Koopa). Há esta e uma infinidade de referências ao jogo encontradas no filme. 


Iggy: Auxilia seu pai a conquistar o reino do congumelo. Em Super Mario Bros. 3 ele é rei de uma grande ilha transformado em dinossauro (como Koopa).  No filme, é transformado num pequeno macaquinho (como Scapelli*veja mais a frente).

Spike: Surge em Super Mario Bros. 3. Seu cabelo no filme é uma referência ao personagem original.


*Anthony Scapelli:  Sua forma humana é uma referencia ao personagem Foreman Spike de Wrecking Crew (1985). Onde é um personagem que atrapalha Mario. No filme, Scapelli é um rival de Mario nos negócios financeiros utilizando métodos parecidos com o que se vê no seu game de origem. Se transforma em macaquinho (fazendo referência a um outro personagem da Nintendo ligado a origem de Mario). 


*No filme há uma teoria científica de que os homens vieram dos macacos (uma lenda clássica da nossa ciência). Em uma das sequências, Koopa transforma Scapelli em um macaquinho. Clara referência ao personagem Donkey Kong.

Rei Bowser: O rei do reino do congumelo é uma referencia ao personagem de Mario Bros. 3.


Bertha: Aparece originalmente em Super Mario Bros. 3 como uma peixona. Nos quadrinhos adaptados do game, Big Bertha* se apaixona por Mario, como a sua versão (aparentemente humanoide) do filme. É interessante também notar que as cores de figurino da atriz Francesca P. Roberts (Bertha) são as mesmas da personagem dos games.

*Bertha como chefe de Mundo em Super Mario Bros. 3.

Yoshi: O mascote tem essencialmente a personalidade dos games. Surgiu em Super Mario World. É também um prisioneiro de Koopa.


Goomba: Os Goombas*, de pequenos inimigos em formas de congumelo, se tornaram soldados com cara de lagarto na adaptação do cinema. Seu tamanho pequeno é uma possível referencia a Mario antes de obter um congumelo, na versão do videogame.

A tropa Koopa também se tornaram da raça Goomba* no filme. 

FILME X VIDEOGAME: ITENS

Banzai Bill (primeira aparição em Super Mario World)
 Bob-omb (primeira aparição em Super Mario Bros. 2)

 Em uma cena do filme, quando Mario e Luigi estão dentro do carro da policia, Mario grita: - Vamos quebrar os blocos. É uma referência quando usamos Mario para quebrar blocos no game.

FILME X VIDEOGAME: CENÁRIOS
Além dos mundos, o filme também faz referências aos bastidores de origem do jogo.


Mario sempre precisa salvar a princesa presa nos confins do castelo nos jogos. Da mesma forma, Mario terá de salvar Daisy e as meninas do Brooklyn na torre Koopa, perto do final do filme. Note os blocos referidos na parede e a semelhança ao cenário do game.

A ilha dos dinossauros (Dinossaurs Land) se tornou a Dinohattan. O nome parece um misto com o nome da cidade de Mahattan (uma famosa cidade dos E.U.A.) com dinossauro. A explicação, quanto a referência ao  jogo, vem diretamente do diretor Rock Morton.

Durante a passagem dos irmãos Mario de veículo, eles passam por uma loja chamada Mr. Video III. Mr. Video seria originalmente o nome proposto de Shigeru Miyamoto para Mario. Mr. Video III não é um cenário do filme. A loja realmente existe em sua exata localização no 84 Clark Street  Brooklyn, NY 11201, Estados Unidos (Tel:+1 718-802-9408).  

Veja mais comparações entre o filme e os games no imperdível especial Game Homenages (em Inglêsdo site Super Mario Bros. The Movie ArchiveHá ainda referências do filme às séries de TV Animada.

OS ROTEIROS DA PRÉ-PRODUÇÃO
Segundo as pesquisas do site Super Mario Bros. Movie Archive (o maior acervo dedicado ao filme que eu já vi na rede) há um total de 7 versões do roteiro preliminar. Entre Março de 1991 e Julho de 1992.

1. Gênero Fantasia: 

O primeiro script se referia a uma tradução mais voltada aos desenhos animados e mais próxima ao dos jogos. A história segue o mesmo esquema do jogo Mario Bros. quando o malvado rei Koopa sequestra a princesa (descrita aqui como Hildy) e este evento faz com que os irmãos Mario entrem em um mundo visualmente parecido com o de Alice no Páis das Maravilhas e O Mágico de OZ. Este foi o roteiro o qual definiu a personalidade de Mario e Luigi para as versões posteriores. Mario seria o herói relutante e Luigi o sonhador que ganha o coração da princesa. Link completo com as 117 páginas aqui.

2. Transitando entre Fantasia e Ficção Científica: 
Esta transposição se refere ao estilo mais voltado a ficção científica com base no desejo dos diretores do filme, Annabel Jankel e Rocky Morton. Os diretores não estavam achando a história engraçada, assustadora ou estranha o suficiente. Então expandiram a relação amigável entre Mario, Luigi e princesa Daisy numa forma mais dinâmica e expandiram a importância do vilão Koopa numa forma de trazer uma ameaça maior a Terra. O tom ainda continha diversos elementos fantásticos, quanto ao Mario e Luigi serem partes de uma profecia e um livro mágico descrevendo um reino de congumelos e um castelo. O mundo paralelo habitado por dinossauros humanóides se tornou apenas um conceito essencialmente adaptado para a fantasia já descrita. Link completo com as 9 páginas aqui.

3. Transitando entre Ficção Científica e Comédia: 

Aqui se comprova fortemente a mistura de gêneros no melhor estilo Os Caça-Fantasmas e sua estrela, Bill Murray. Parker e Terry (os roteiristas) acreditaram num mundo onde não se leva a sério as graves implicações de esgoto na cidade. A introdução apresentava um Mario invocado e vulgar. Depois que souberam da notícia de que Bob Hoskins estava sendo procurado para o papel, resolveram suavizar o personagem, precisaram reescrevê-lo como alguém mais velho e mais simpático. Link completo com as 117 páginas aqui.

4. Transitando entre Ficção e Ação: 
Daisy retorna com um visual inspirado na tenente Ripley de Aliens O Resgate

Ao melhor estilo Duro de Matar,  os aclamados roteiristas Britânicos Dick Clements e Ian La Frenais (Por Água Abaixo e Across The Universe) foram trazidos ao projeto, logo após Parker e Terry, para uma tentativa de trazer a aventura a um público mais adulto. O resultado se tornou uma aventura transitória com alguma sensibilidade cômica de Parker e Terry.
A estrutura geral do script anterior permanecia intacta, apenas com o tom drasticamente mudado com a remoção do ritmo cômico ou o tom central do gênero. Muitos dos elementos e conceitos de Parker e Terry se manteram  satiricamente em rascunhos. Como escrever uma participação de Bruce Willis (fazendo uma homenagem ao próprio John McClaine de Duro de Matar) caminhando pelo duto de ar da torre Koopa.  Link completo com as 118 páginas aqui

5.  Transitando entre Ficção e Ação - Segunda Proposta:  
Os roteiristas Dick Clements e Ian La Frenais realmente foram além com essa visão mais voltada ao público adulto em uma aventura mais madura, corajosa, cheia de ação em mundo paralelo de dinossauros humanódes. Agora a essência como base seria o filme Mad Max com direito a corridas no deserto.
O humor ainda era em grande parte ausente e o estilo ficção escrito por Parker e Terry não funcionaria sob tutela de uma nova direção. Este script e a sua promessa de maturidade e presença dos personagens, chamaram a atenção dos atores Bob Hoskins, Dennis Hopper e Fiona Shaw para o projeto. Para a surpresa e aborrecimento, eles receberam um script totalmente novo por parte de um outra equipe de escritores uma vez que os 3 atores chegaram para começar a filmar. Este novo script faltaria a profundidade politica e social de antes em troca de algo mais leve e prático. Link completo com as 112 páginas aqui.

6.  Transitando entre Ficção e Romance: 
Buscando retoques mais próximos aos contos Disney, uma vez que a produção começou a avançar, os produtores Rolland Joffé e Jake Eberts começaram a se preocupar quanto ao distanciamento demasiado da visão do filme originalmente voltado para as crianças. Com a esperança de rebuscar esse espírito, mantendo a mesma produção, então contrataram Ed Solomon e Ryan Rowe como os revisores do script feito anteriormente por Dick Clements e Ian La Frenais. Esse novo script foi escrito sem a entrada dos diretores, que fechariam grupo entre eles e os produtores até o fim do projeto. O objetivo desse novo script era o de retirar ou clarear as conotações maduras em favor de uma aventura mais leve e mais prática para a família. Muitas cenas chave foram reescritas com um orçamento menor em mente. Incluindo a cena onde Koopa evolui para uma outra criatura assim como Yoshi se transforma num T.Rex. O mais famoso é a adição da cena, ao melhor estilo dos contos Disney, onde Mario se casa com sua namorada Daniella. Essa subtrama permaneceu no filme até ser cortada na sala de edição. Link completo com as 112 páginas aqui.

7.  Transitando entre Ficção e Ação - Terceira Proposta: 
Esse script era chamado de arco-íris, justamente pelas incontáveis páginas coloridas da revisão, tendo mais clareza quanto ao que realmente poderia ser filmado. Esta série de revisões foram inciadas por Ed Solomon, e depois veio a ser continuado pelos escritores originais, Parker Benett e Terry Runté ao serem recontratados posteriormente. Trabalhando de perto com os diretores e elenco, Parker e Terry passaram a renovar o script a ponto de devolvê-lo com o nível de diversão e sofisticação já obtidos. Cenas estranhas foram removidas, racionalizando e focando a história, enquanto outros pontos foram reescritos para acomodar desenvolvimento de personagens e efeitos especiais. Embora este script tenha talvez sido o melhor exemplo de várias pessoas trabalhando sobre o mesmo projeto, ele ainda permanece como fruição de um mutirão criativo que, finalmente, veio a ser algo valioso. Link completo com as 112 páginas aqui.

A COLEÇÃO DE MESTRE RYU: 
O VHS DE SUPER  MARIO BROS.

Depois de ter alugado, tempos depois ganhei a fita original em VHS na versão Dublada. Seguem mais algumas fotos para efeitos de nostalgia.





GALERIA

ILUSTRAÇÕES DE PRÉ-PRODUÇÃO OU STORYBOARDS


BASTIDORES
 
 

DIVULGAÇÃO


 
 

 
 
  
 

POSTERS

 
 

BRINQUEDOS



ÁLBUNS

 



VÍDEOS 


TRAILER PROMOCIONAL DA "CONSUMER ELETRONIC SHOW '93"


PRÉVIA DO CANAL E! (SEM LEGENDA)


TRECHO NO PROGRAMA "BAD INFLUENCE (1993)"


TRAILER "I GOT THE POWER" (SEM LEGENDA)


"SUPER"  COMERCIAL DE TV  (SEM LEGENDA)


"JUMP"  COMERCIAL DE TV  (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV VARIADO 1 (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV VARIADO 2  (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV VARIADO 3  (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV VARIADO 4  (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV VARIADO 5 (SEM LEGENDA)


COMERCIAL DE TV "BRINQUEDOS DO FILME*"  (SEM LEGENDA)


VÍDEOS DE COLEÇÃO "*BRINQUEDOS DO FILME 2: CÂMERA"


VÍDEOS DE COLEÇÃO "*BRINQUEDOS DO FILME 3: CARRO DE POLÍCIA"


POR TRÁS DOS BASTIDORES CLIP 1 (SEM LEGENDAS)


POR TRÁS DOS BASTIDORES CLIP 2 (SEM LEGENDAS)


POR TRÁS DOS BASTIDORES: 2 - PARTE 1 (SEM LEGENDAS)


POR TRÁS DOS BASTIDORES: 2 - PARTE 2 (SEM LEGENDAS)


POR TRÁS DOS BASTIDORES: 2 - PARTE 3 (SEM LEGENDAS)


POR TRÁS DOS BASTIDORES: "CRIANDO YOSHI" (SEM LEGENDAS)


CENA DELETADA  "SPIKE & IGGY RAP" (SEM LEGENDA)


CENA ESTENDIDA: "VAI UM CIGARRO?" (SEM LEGENDA)



"GEORGE CLINTON & THE GOOMBAS: WALK THE DINOSSAUR"

(VIDEOCLIPE DA TRILHA SONORA OFICIAL DO FILME)


"ROXETTE: ALMOST REAL"
(VIDEOCLIPE DA TRILHA SONORA OFICIAL DO FILME)


A HISTÓRIA DOS VIDEOGAMES (DISCOVERY CHANNEL): PARTE 3

Originalmente exibido pelo History Channel, esse excelente programa tem um trecho onde Shigeru Miyamoto fala como criou o personagem Mario. A matéria começa aos 13 minutos do vídeo.

O RETORNO AOS CINEMAS
No mês onde completou 19 anos de existência, o filme teve reexibição especial em alguns cinemas dos E.U.A. no começo de 2012. Elenco e produção estiveram presentes para prestigiar o relançamento.

Segundo a notícia do site Brasileiro Reino do Congumelo, em parceria com o site estrangeiro SUPER MARIO BROS.THE MOVIE ARCHIVE, cada ingresso custou U$$ 10,00.

Lista da reexibição: 
Sunshine Cinema (Local: Nova York; Dias: 27/28 de abril de 2012)
NuArt Theatre (Local: Los Angeles; Dias:  25 de maio de 2012).
Thalian Hall (Local: Wilmington, Carolina do Norte;  Dias: 21 de junho de 2012).
Egyptian Theatre (Local: Seattle, Washington; Dias: 22 e 23 de junho de 2012).

Link Oficial da Matéria (Em Inglês) aqui. Lá eles ainda citaram novas datas (a última exibição foi em Setembro)

FICHA TÉCNICA
Título Original: Super Mario Bros.
Slogans: ISTO NÃO É NENHUM JOGO (BRASIL); ISTO NÃO É NENHUM JOGO, É UMA CARRUAGEM DE EMOÇÕES VIVA (E.U.A.)
Data de lançamento: 28 de Maio de 1993 (E.U.A.); 8 de Outubro de 1993 (Brasil)
Duração: 104 Minutos
Gênero: Aventura
Direção: Annabel Jankel & Rocky Morton
País: E.U.A.


Sinopse (VHS): A descoberta de um universo paralelo vai colocar você dentro de uma incrível aventura! Conheça Mario e Luigi, dois encanadores muito loucos que enfrentam uma corajosa missão, salvar a princesa Daisy em Dinohatan – um curioso mundo perdido onde os habitantes descendem de dinossauros. Mas para salvá-la, Mario e Luigi terá que enfrentar o diabólico Koopa, descendente do tiranossauro Rex, que jÁ dominou o planeta de Daisy e tem terríveis planos para conquistar a Terra. Inspirado no superpopular vídeo game Super Mario Bros., com fantásticos efeitos especiais que agora você vai assistir quantas vezes quiser. 

CRÉDITOS

SESSÃO CRÍTICA
SUPER MARIO BROS. - PREMISSA HONESTA

Um artigo de Mestre Ryu (textos, adaptações e edição de imagens)

AGRADECIMENTOS A FONTE  SUPER MARIO BROS. THE MOVIE ARCHIVE
PELO SEU ENORME E FANTÁSTICO ACERVO DEDICADO AO FILME
Links: Site e Facebook 

ESTA POSTAGEM CELEBRA OS 20 ANOS DE LANÇAMENTO
DE SUPER MARIO BROS. NO CINEMA
(DEDICO TAMBÉM AO AMIGO BRUNO BMARK PELA SUGESTÃO)

2 Hit Combo :

Carlos disse...

lembro vagamente do filme quando vi como criança...tenho 28 anos, e na época (ou pouco depois comparando melhor com o jogo) achei meio tosco...sendo totalmente nada a ver com o jogo...agora crescido, e após ver vários easter eggs que eu não tinha visto, me deu vontade de reve-lo =/

mas vem ca...a própria nintendo meio que sempre esculaxou o filme...ou não??? nunca mais citaram sobre ele...nunca fizeram nada com ele...a não ser essa sessão de 19 anos...

Mestre Ryu Kanzuki disse...

Vai entender, né, Carlos? Não cheguei a encontrar alguma queixa oficial da Nintendo a não ser quando Hollywood procurou a fabricante para fazer um novo filme e ela recusou. Acredito que pelo filme não ter ido bem (e acredito que seus produtos inspirados no filme, evidentemente, também não lucraram) ela acabou odiando.

Tudo o que não dá lucro pra uma empresa e para alguns artistas (que às vezes só aceitam pelo dinheiro) acabam se tornando ruins pra eles, mesmo tendo a sua autocrítica. A Nintendo é famosa e a mais ambiciosa - depois da Sony. Ao menos foi assim que ela foi descrita na época pelos espiões da SEGA.

Ser ambicioso não é ruim, mas fazer tudo (TUDO MESMO) só pelo lucro, não é tão legal também.

Note a criatividade limitada de suas franquias - nenhum personagem da Nintendo tende mudar muito no decorrer dos anos. E o filme é uma mudança bem radical em comparação ao jogo. É perceptível que eles tiveram uma liberdade criativa ali (e quem diria a própria Nintendo ter deixado). Acredito que não foi ruim, só não foi bem compreendido mesmo.

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