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quarta-feira, 8 de março de 2017

[História dos Videogames: Crônicas] Elas Sabem Jogar

Na imagem: Yuko Kusachi "ChocoBlanka". jogadora profissional japonesa de Street Fighter que encanta todos com o seu carisma.
Hoje é dia 8. Um dia muito especial para todas as mulheres. Aproveitando essa deixa, gostaria de adiantar um projeto que já vem sendo trabalhado há 1 ano. Esse projeto tem como tema as que jogam, seja de forma casual, profissional ou que busca uma dedicação mais a fundo para viver jogando: Elas Sabem Jogar.

Muitos suspeitavam, por se tratar de tipo de gênero bastante voltado aos marmanjos, mas elas também estão no páreo. A primeira vez que vi uma menina sabendo jogar foi em um fliper de shopping. Era um noite aparentemente comum e um pouco vazia na loja de máquinas do Leopoldina Shopping, enquanto o shopping ao lado - Penha Shopping - sempre lotava. Então surgiu uma menina bem moreninha, ombros largos, camisa sem manga, short preto curto, acompanhada de um amigo. Ela jogava The King of Fighters 2001 e dava uma surra com o Clark e Terry Bogard - inclusive utilizava um tipo de malícia como: executar um golpe falso com ataque forte (pressionando Soco Forte + Chute Forte juntos) no vento, para depois avançar com um Burning Knuckle - movimento especial em que era preciso girar rapidamente o manche finalizando com soco forte. Aquele tipo de jogada era uma novidade pra mim. Foi então que eu percebi o potencial diferenciado de uma jogadora de jogos de luta. As melhores usavam e abusavam da técnica da confusão contra o tradicional jogo agressivo dos jogadores. Desde então, nunca mais vi uma jogadora como aquela por muito tempo. A moça, segundo um amigo, se chamava Thais.  

Também houve, um tempo depois, uma jogadora de Marvel v.s. Capcom no mesmo fliper, do Leopoldina Shopping. Mas era uma jogadora casual. Até me prestei a ajudar nos movimentos enquanto pegávamos umas partidas em dupla contra a CPU. Em um evento de teleoperadores, conheci jogadoras de grande potencial, que aprendia os movimentos com facilidade.

Mas dentre esse tempo, antes da era League of Legends, ainda na metade dos anos 2000, conheci Bianca Freitas – mais conhecida como “Bia Chun-li”. A primeira fã legítima que conheci dedicada a Street Fighter que possui blog e com um profundo conhecimento sobre jogos de luta, até mesmo os obscuros. Passei a falar de algumas comunidades do gênero, e ela – de maneira muito espontânea - já demonstrava largo interesse em seguir todos aonde eu estava - chegando a fazer parte daquela nova geração de cargos da área presidencial de um dos portais virtuais mais importantes do gênero na América Latina: o Fórum Fighters.  Era de onde havia feito parte e feito comentários a respeito há algum tempo.

Conheci também um grupo de garotas anônimas no Orkut, graças a uma moça chamada Karen. Todas representavam um grupo do bairro da Ilha do Governador, entre classe média baixa e classe média alta. Fãs de cultura japonesa e de artes marciais. Também haviam artistas, que cantavam, tocavam instrumentos e desenhavam. O nível de conhecimento que elas tinham a respeito de jogos de luta era absurdo, dos famosos aos mais obscuros e esquecidos. Karen, tinha longos cabelos castanhos claros e lutava Muay Thai - era fanática por Street Fighter e pelo Ryu.  Numa brincadeira entre seus amigos, que conheci graças a um “colírio” delas em comum, o Rodrigo (um amigo e um grande ser humano), rolou um papo de que as garotas se reuniam pra jogar vôlei e toda a situação se parecia muito com o game Dead or Alive. O jogo Dead or Alive – apesar de abusar no sexismo em seus jogos paralelos – tem grande representatividade feminina para um gênero de luta.

Os jogos de luta viraram febre na década de 90 e também se tornaram ainda mais grandiosos em especiais para Programas de TV dedicada aos videogames tendo a frente, jovens e carismáticas modelos, atrizes e jornalistas consideradas  carinhosamente como Musas Gamer, como Liz Reis e Isabella Brandão.  Vale lembrar os especiais de Street Fighter II, Mortal Kombat e até Fatal Fury do Game TV! com Elisabeth – enquanto Soraya Pastor arrasava nas dicas do Nintendinho (com jogos como Double Dragon e Lethal Weapon III). Claudia Carla e  Luiza Gottschalk  já se mostraram abertamente que os Jogos de Luta é o seu gênero favorito – Claudinha, inclusive, já declarou em rede nacional em seu programa E-Games quando esteve a frente.

E falando em conhecimento mundial, Christina “Olakristal” já provou o seu potencial – tendo a maior pontuação do X Box 360 com a lutadora Rose em Super Street Fighter IV: Arcade Edition. Tal feito virou desconfiança e condenação por parte da comunidade masculina.

Foi em 2006, ano em que conheci pessoalmente a Bia, é que eu também conheci pela primeira vez uma jogadora que joga online – a também primeira de um jogo de luta que já enfrentei nesse tipo de plataforma. Seu nome era Tamires Moreira, cujo nick era “Gata Cruel”. Porém, o abuso, por possuir nick feminino em um ambiente dominado por homens, era grande. Ela era constantemente acusada de ser “shemale” (um termo entre fãs de animê  que descreve, de forma preconceituosa, a ideia de que é um homem disfarçado de mulher por trás). No caso, acreditavam que a pessoa por trás do nick não era uma garota, mas sim um homem usando nick de garota. Foi quando então ela pediu para que eu a conhecesse e então provasse a comunidade que a “Gata Cruel” existe.

Ao me deparar com a garota no Carioca Shopping, aonde marcamos, um choque. Tudo bem que eu havia conhecido uma jogadora top de KOF do bairro anos atrás, com trajes bem comuns: camisa sem manga e shortinho – e era bem moreninha. Mas a Tamires era mais uma que fugia de todo aquele estereótipo de que jogadores de videogame não são vaidosos, fedem e não se cuidam. Ela era praticamente a cara da riqueza, eu diria, com um visual  completamente sociável. Quem olhava pra ela, a via apenas como uma bela garota comum sem nenhum vestígio que joga videogames violentos.
 
E lá estava a Tamires, frente uma das casas de fliperama do shopping, me recebeu com um sorriso bem simpático e largo;  e com a sua bolsinha de alça cruzando o ombro, sobre a sua camisa de manga com bordas que mostrava a barriga e uma saia plissada com um aparente corpo atlético – levando em consideração as suas pernas malhadas. Ela estava acompanhada de sua prima pequena - sua tia estava pelo shopping. Além do charmoso sinalzinho na testa característico, notei nela algo e comentei sobre os seus traços diferenciados e ela sorriu, com as suas dobrinhas na buchecha, revelando que possuía descendência portuguesa. Tamires tinha toda a formosura de modelo, mas falava de jogos de luta melhor do que ninguém – a forma como ela contava a respeito dos jogadores das partidas online e dos personagens era incrível, eu praticamente estava me sentindo naqueles encontros com a galera do fórum. Era então a primeira vez que eu havia testemunhado tanto conhecimento ao vivo de Street Fighter da boca de uma garota.

A última vez que vi Tamires, foi em um desses aplicativos de relacionamento. Quem via, achava que fosse outra fake. Na verdade, ela existe. Eu pude testemunhar. Tamires sempre costumou fazer ensaios fotográficos.

A primeira garota que vi em um encontro de fórum de jogos do gênero, foi Orádia. Simpaticamente, ela é comparada com a Glória Maria e adorava KOF 2000, assim como eu. Sua personagem favorita era a Mai Shiranui. Tinha bom conhecimento da mecânica e nunca desistia ou dava no pé diante de um desafio. Tivemos apenas dois encontros. O outro, foi em Nova Iguaçu, no fim de uma manhã, após uma entrevista de emprego de propaganda enganosa. Foi um dia e tanto e acabei conhecendo o seu território. Ela também sempre foi uma ótima desenhista, acabando por se formar na área.
E arte é algo muito em comum entre garotas que jogam jogos de luta, seja no nível mais causal ao nível mais experiente. Vão de grandes desenhistas a cosplayers. Algo curioso a arte se associar a essas habilidades tão difíceis, que são jogar jogos de luta. Se bem que ambos hobbies exigem grande dedicação – um grande ponto que caracteriza as mulheres de hoje, fortes e independentes. 

Principalmente o desenho, está muito associado aos movimentos complexos dos jogos de luta – a forma profunda como se deve estudar a visão, a prática e a movimentação.  Elas usufruem de um enorme processo criativo.  Diferente daquelas que já jogaram eventualmente pois perdem o interesse pelo gênero, ou até pelos jogos, depois de um tempo. Não que essas artistas não estejam livres disso, mas é mais difícil – desde que os jogos já não mais estejam presentes em sua vida devido a um ou mais eventos emocionalmente muito fortes.

Temos a Aline, mais conhecida como Bailarina Gamer. Declarada apaixonada por Mega Drive de carteirinha, principalmente Sonic & Tails, também ama Turma da Mônica e é fera nos recordes do X-Box, com uma gama de títulos. Aparentemente, arrasa também nos jogos de tiro. Atualmente, tem feito vários ensaios fotográficos com a sua grande amiga, a fotógrafa e micro empresária, Larissa Matos , da Larissa Matos - Fotografia.

Isadora, mais conhecida como “Isa Croft”, era uma jogadora bem fera que também conheci online ainda em medos de 2007. Ela mostrava habilidades com a sua Sonya Blade em Mortal Kombat, além de jogar TMNT: The Arcade Game, Captain America And The Avengers e Os Simpsons. Ela também tinha um canal no You Tube apresentando os seus recordes em Counter Strike.
E CS é um jogo que Andreza Souza (do canal Andreza South) domina. Ela conta que já ficou muito viciada no jogo a ponto de não jogar mais nenhum. Andreza conheceu os jogos competitivos dos fliperamas ainda pequena - seus primos a ajudavam a se apoiar numa cadeira para jogar. Ela já bateu em muito marmanjo em The King of Fighters, Street Fighter e Mortal Kombat.

E falando em Mortal Kombat, Karen, que também é dançarina, diz ser bem agressiva – pois adora jogos de luta, principalmente a criação de sucesso por Ed. Boon e Tobias. Ela pegou o meu minigame do Street Fighter para testar algumas de suas habilidades quando nos conhecemos em um evento promovido por um grupo do Facebook, dedicado a um certo jogo antigo de RPG do clássico Mega Drive: Phantasy Star.

Quem domina a série The King of Fighters e causa a dor de cabeça dos marmanjos é a Amanda "Asamiya", sempre compartilhando bugs e coisas mirabolantes da série. Camila Pereira, sua grande amiga, está aposentada do jogo mas pretende voltar.

Dalila, também conhecida como “Miya”, é Street Fighter de carteirinha e também fã do Ryu. Colecionadora, tem Street Fighter Alpha 3 como o seu jogo favorito da série (e o meu também). Professora, também criou tutoriais em seu canal no You Tube ensinando técnicas de desenho.  Uma arte leva a outra.

E Ryu, Street Fighter, são nomes que também interessam e muito a Giovanna - nossa seguidora de carteirinha do Santuário.

Michela, graças ao seu entusiasmo em unir a comunidade feminina de jogos de luta e de contribuir com ela também na divulgação para o time profissional SOA, também joga e compete nos campeonatos de Street Fighter, mesmo que por diversão. Jessica Velazquez, que costuma fazer arte com as mãos, criando chaveirinhos e ilustrando desenhos, também adora competir por diversão ao lado de sua amiga Michela. Juntas, criaram uma página no Facebook chamada Gurias Gamers, se referindo a elas mesmas, gaúchas do Rio Grande do Sul, terra também do competidor profissional Keoma – O primeiro Brasileiro a se sagrar top 8 do mundo no Street Fighter, com Ultra Street Fighter IV.

E dentre as seguidoras fieis de Keoma, estão algumas moças que buscam aprendizado com o monge, como a “Millia” – Camila Vaz, jogadora de Karin em Street Fighter V. E falando na cachinhos dourados, a chilena Nicole “Hinomotoani”  usufrui das técnicas avançadas com a lutadora para marmanjo ver e aprender.   Nicole é membro do time profissional NFMS, aonde pertence também Mistério, o melhor jogador do Chile com a personagem – e Nicole é aparentemente a sua discípula. Joziane, assim como o seu destemido Ryu no mundo da luta, também sonha em se tornar uma jogadora PRO, buscando sempre jogadores de ligas superiores.

E o cenário brasileiro atual dos jogos de multijogador é aonde temos Heloíse jogando Call of Duty, e a sua irmã, Christiane, arrasando num FIFA; Mii, Charlotte e Even dão um certo gás aos eventos de League of Legends com os seus talentos dedicados ao universo cosplay. Como se não bastasse, Even também arrasa no Just Dance, assim como a Aline (do canal Aline Black). Mii já despertou interesse em Tekken, jogo em que Raiane já disse que arrasa, sem contar com a sua coleção de portáteis.

Os jogos de luta da nova geração também chegaram a essa fase,  dos jogos multijogador,  com Super Smash Bros. – uma comunidade em que acaba sendo vista com preconceito pelos veteranos,  os jogadores do tradicional “um a um” como Street Fighter, é o que Ana Letícia – que já competiu muito no game – diz. Ana também foi muito interessada pela fase Street Fighter IV e acompanhou muito bem todo o cenário competitivo no Brasil, mas não se interessou muito por Street Fighter V, considerando as batalhas muito sonolentas.


E em meio a toda essa interatividade, Street Fighter acabou se tornando ainda mais conectado com Street Fighter V – o capítulo mais online da sua história e mais focado no competitivo. Isso gerou polêmicas e atritos nas redes sociais, mas bem reconhecido pelas premiações e pela crítica especializada. Gisele Bizarra avança muito bem com a sua Chun-li no competitivo e "Jessyka" é a maior fã de Necalli do mundo, personagem inédito de Street V, e jogadora de carteirinha do personagem que dá canseira em jogador experiente, mesmo novata, com o seu jeito paciente de jogar. 

E os jogos de luta antigos também possuem espaço para jogadoras novas cheias de talento, como Camila Novaes "Debinha" – e o seu Akuma em constante evolução (ela já garantiu alguns prints do seu “Apaga Luz”: Shun Goku Satsu) – e Jessica Cristina “Gremilindomato” jogadora de Street Fighter Zero 2 e 3, tem como preferência Street Zero 2 usando Adon e Ken - é a primeira vez que vejo uma jogadora de Adon, e a utiliza muito bem. Assim como a Bia, Valeska joga de Chun-li, mas no Street Fighter II: Champion Edition, treinada por seu namorado, Eduardo Faleiro.

Falando em novatas, Amanda Zury é dubladora independente e esforçada nos jogos de luta. Passou uma boa fase jogando KOF com a comunidade dos jogos antigos online e agora começa o seu trajeto no Street Fighter V com muito entusiasmo e muito brilho, mantendo a mesma dedicação realizando vídeos semanais com dicas sobre o jogo no You Tube. Versátil, tem procurado utilizar vários lutadores, se dando melhor com Rashid, R.Mika e em especial: Akuma.

Também me recordo das Chibi Gêmeas, Thamara e Tary, fãs de Castlevania (tendo uma página no Facebook), Thamara aderiu o movimento dos cosplays raros e fez a primeira cosplayer brasileira que eu já vi com apenas 12 anos de idade encarnando Karin. Dançarina, também tem amplo conhecimento a respeito de jogos antigos, Darkstalkers e KOF 95 esteve entre os seus jogos da infância.

Angely Josuá também adora jogos antigos e é cosplayer e colecionadora. Como Cosplayer, deu vida a Samus Aran, assim como Thais "Yuki", que fez várias personagens, inclusive a Chun-li. Mariana
"Plu Moon", adora assumir o papel de personagens desnudas – já fez desde personagens como Aigle, do esquecido Rumble Roses de Playstation 2, a Sakura, de Street Fighter Zero 2. Ela assume já ter aceitado desafios em fliper para jogar em locais bem sinistros.

Sandrielle já assume o papel de observadora fiel, acompanha a comunidade Street Fighter com muito entusiasmo, como expectadora das transmissões da Quinta Encardida da Sala Street Fighter V do Facebook. E disse que pretende se juntar a partida algum dia. Demonstra também muito interesse em acompanhar qualquer evento dedicado a série, assim como os torneios profissionais.

A comunidade feminina de jogos de ação tem mostrado cada vez mais força e não podíamos deixar passar o Dia Internacional das Mulheres sem homenagearmos as estas nossas amigas, empenhadas, guerreiras diárias, até nos jogos eletrônicos.


Na foto, Aline "Bailarina Gamer" apresentando o seu controle de X Box ao lado de sua amiga, 
apresentando um controle de Playstation - amizade e rivalidade se misturam.

Camila Pereira apresenta a sua máquina. Além de fera no jogo The King of Fighters é fã da Shermie de carteirinha.

Nicole (lado esquerdo), a jogadora chilena top no Street Fighter,  em ação, num campeonato.

Michela, membra do time SOA, conquista todos com o seu carisma e joga nos campeonatos para se divertir.

MIM, da Austrália, joga de Laura, e já garantiu altos momentos nos torneios profissionais de Street Fighter. 

Sherry Nham, jogadora de Street Fighter, é a musa entre os gamers da Filadélfia.

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Andrea Matos, quando não está dando head shot nos marmanjos em Couter Strike ou jogando The King of Fighters, grava vídeos exibicionistas para os fãs. 

Hinomotoani, quando não está detonando nos campeonatos de Street Fighter, arrasa nos cosplays.


Michele Rommel é uma prova de gamer forte e independente. Cosplayer e concursada, adora jogar The King of Fighters. 




PARABÉNS À TODAS MULHERES

E CONTINUEM PROVANDO AQUILO QUE MUITOS ACREDITAVAM SER IMPOSSÍVEL

QUE CRESÇAM MAIS E MAIS NESSA COMUNIDADE COMPETITIVA

RESPEITO EM IGUAL PARA TODAS

2 Hit Combo :

Bia Chun-li disse...

Ai Mestre, VALEEEEEEEEEEEEU pela lembrança!!!! =D

Synbios disse...

Mais um "post referência", candidato a melhor post do ano quando houver a retrospectiva 2017: bela homenagem, principalmente pela parte que conta sua história pessoal com garotas gamers(muito bonita por sinal). Só lamento pelo Logan. Tadinho dele, o post dele foi totalmente ofuscado, uahahahahahahaha.

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