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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Street Fighter - A Lenda de Chun Li (Versão Sem Cortes)

NESTA POSTAGEM

UMA COMÉDIA DE ERROS
FICHA TÉCNICA

UMA COMÉDIA DE ERROS
(Street Fighter: The Legend Of Chun-Li, Ação, 96 minutos, Eua)
Falhas de produto e falta de apoio dos xiitas, comprometeram a chance de Street Fighter ingressar a sua carreira cinematográfica mais uma vez

Anunciado em meados de 2007, o filme procura explorar as origens da famosa personagem que dá nome ao título, num estilo de Batman Begins e um recente sucesso de bilheteria, X - Men Origens: Wolverine, aproveitando também o embalo do lançamento de Street Fighter IV (acompanhado de uma campanha agressiva e gerando muita expectativa).

Diferente do novo jogo do Street Fighter, o filme da Chun li não recebeu o apoio merecido por muitos gamemaníacos que trafegam pela Internet, mesmo com o site especial feito para o filme (veja aqui ), sendo muito mal aceito por diversas formas, como: por terem mudado o visual dos personagens e por terem modificado elementos da história, em especial, características que Chun li absorveu nos games, através de algumas adaptações bem sucedidas ou mais coerentes com o seu estereótipo. Mas, vendo por um lado, esses escândalos, por parte de um determinado grupo, acabam sendo até normal, quando modificam alguma natureza do personagem em uma adaptação cinematográfica, como é o caso do atual James Bond. O problema são os vandalismos em fóruns de discussão, por parte dos mesmos bagaceiros que adoram fazer jogo psicológico, discutindo sobre pessoas, quando o assunto é só sobre um FILME!! Triste, não?

A canadense Kristin Kreuk (ou o melhor, Lana Lang da série Smallville) faz o papel que dá nome a lenda que protagoniza a história. Pegou o papel logo depois que o nome de Jéssica Biel havia sido cogitado– atriz que já mostrou ter um bom físico para filmes do gênero (vide Ameaça Invisível e Blade Trinity). Tanto a senhorita Jéssica quanto a senhorita Krstin são boas atrizes, e alguns traços (mestiços) que poderiam lembrar SIM uma oriental. Kristin já havia declarado em entrevistas que não tinha mesmo a aparência fisica da personagem e emendou que também seria impossível encontrar mulheres chinesas com o mesmo porte que a personagem dos jogos.

Mesmo assim, Kristin Kreuk faz bem o seu trabalho, até que se sai bem encarando cenas de ação. Como a proposta do filme é se concentrar mais em atuações do que efeitos especiais, Kreuk apresenta uma Chun li intimidadora, interrogando maus elementos enquanto eles são espancados em meio a coreografias bem sacadinhas, além de ter espaço para algumas tiradas de sarro. Mesmo não mostrando tanta carne para compensar a formosura da personagem original, a Chun li de Kreuk é também sutil, tentando se aproximar das chinesas comuns (outros diriam, menos gostosas).
A exploração às origens, ou na personalidade da personagem, às vezes ousa em buscar novas qualidades, como em apresentar uma Chun Li em outras habilidades artísticas que não contam apenas com artes marciais, além de referências aos artworks oficiais, como uma seqüência em preto e branco que ela aparece treinando kung-fu com o seu pai num flashback.
Neal McDonough (que já foi dirigido pelo pistoleiro Dirty Harry, Clint Eastwood, em A Conquista da Honra, e pelo mago Steven Spielberg em Band Of Brothers e Minority Report) faz uma polêmica versão do ditador Mister Bison (ou M. Bison), loiro e terno, sem a tradicional roupa militar, com alguns elementos milenares de um guerreiro imperialista, no caso as ombreiras, puseiras e joelheiras de ferro. Personagem que já passou por diversas reformas, desde o ditador de uma organização criminosa ao vilão Hi-Tech das adaptações, que influenciou os jogos.

Na história adaptada, Bison tem um momento antológico muito parecido com o Bison de Raul Júlia no filme de 94, sem contar também com uma referência a maquete de uma cidade e do filme ser filmado integralmente em Bangkok. Apesar de trajes mais comuns e interesses mais capitalistas, a obsessão por grandiosidade é a mesma reencarnada nesse Bison meio paralelo. As habilidades psíquicas são deixadas de lado e o conceito dá mais espaço à teoria do espírito maligno, que lembram mais o destino dos personagens Gouki, Ryu e Ken nos jogos. Na prática, suas habilidades fiquem muito longe do poderoso Bison que conhecemos ou nos foi apresentado em outros momentos, como a capacidade de se regenerar (Street Fighter: A Última Batalha), mas é mantido a idéia de transferir corpos (Street Fighter Zero) ou a idéia de uma fonte ou armazenamento de energia (Street Fighter II V) - tendo até uma cena de mal gosto, relativa a um parto.

Michael Clarke Duncan (indicado ao Oscar por À Espera de Um Milagre) é a surpresa do elenco, ao ser escalado para ser Balrog. Assim como no jogo, é um lutador corrompido pelo crime organizado que age fora das regras de um ringue de boxe, usando todo e qualquer artifício sujo, até mesmo armas. Como o Balrog do jogo era uma espécie de paródia aos momentos decadência de Mike Tyson, o Balrog de Duncan é uma atualização disso. Uma espécie de Balrog que já nem mais é reconhecido por suas roupas tradicionais ou fama de boxeador.

A edição especial em Blu-Ray com 3 discos, lançado recentemente nos EUA, traz alguns minutos a mais de violência que não foram mostrados nos cinema. Aparecem cenas de cabeças arrancadas em bandejas, pescoços girados e sangue jorrando. Tal truculência chega a parecer, por vezes, um filme de terror ou até digno de um filme do Mortal Kombat. Sem contar as palavras obcenas e insinuações ao lesbianismo. A classificação acabou passando de 13 para 16 anos. É um filme com alguma boca suja e a violência presente em outras adaptações.

(P.S. Falando em censura, uma curiosidade é que, no primeiro filme, Van Damme, descendo pra uma caverna, fala: - tantos anos de treinamento para essa merda e outras palavras mais ou menos do tipo: - sua bunda me deve n meses, e aí o filme saiu da censura livre para censura 12 anos em algumas platéias. Até aí nenhum problema, já que os jogos sempre foram dedicados a um público pré adolescente pra cima - apesar de atrair, também, a criançada.)

Alguma narrativa mais detalhada é seguida em off (durante a trajetória da Lana-Li) que tenta descrever a aventura como um fábula. Mas elas são desnecessárias, não acrescentando em nada de conteúdo, dentro de um ambiente mais adulto que busca propor. A mensagem da história parte do ponto que, dentro desse universo, os personagens agem por instinto, como o ocorre com a relação entre Nash (Chris Klein –de Apenas Amigos) e Maya (Moon Bloodgood –faz uma personagem exclusiva), às vezes de uma maneira até bastante irracional - faltou mais inteligência na conclusão para desenvolver essa idéia- vide a falta de profundidade ou nenhuma preocupação em explorar a adversidade entre Nash e Chun-li (Kristin Kreuk), o que fica muito claro durante os 20 minutos finais, quando o fraco (e mal acabado) roteiro perde o sentido e se mostra com um pretexto nulo. Até o Nash de Chris Klein se torna robótico e finaliza a sua participação repetindo o boçal diálogo - Eu amo este trabalho.

Apesar do roteiro muito mal conduzido, cheio de excessos, furos, momentos que beiram o constrangimento ou aborrecem, o toque do diretor polonês, Andrzej Bartkowiak (Doom – A Porta do Inferno) na edição das lutas e cenas de ação, soam muito melhores que o filme de Steven E. de Souza, com aquele toque de artificialidade demasiada, visíveis falhas nesse quesito técnico, mostrando seqüências de luta de nível catastrófico, com objetos sendo demolidos pelo local, assim como em alguns jogos da série.


Sim, O Omelete estava certo. O filme da Chun li foi uma comédia (ou quase).

É o tipo de filme que se assiste querendo mudar um monte de coisas poder se sair bem melhor.


Quanto ao lançamento no Brasil para os cinemas, houveram diversos adiamentos no começo do ano, resultando na notícia de que o filme iria direto para DVD, assunto que circulou em meados de Abril. Segundo os contatos com Rodrigo Fante (Imagem Filmes), o motivo seria os lançamentos que poderiam garantir sucesso certo na temporada, como A Mulher Invisível, O Exterminador do Futuro 4: A Salvação, Star Trek e X-Men Origens: Wolverine, filmes direcionados ao mesmo tipo de público. A má bilheteria nos EUA também contribuiu para a decisão, o filme faturou apenas U$$ 4 milhões, com investimento de U$$ 50 milhões.
Algum tempo depois, a distribuidora entrou em contato para avisar que o filme teria voltado à grade dos cinemas para ser exibido em Julho/ Agosto (veja aqui), até que foi decidido, difinitivamente, que o filme entraria na lista dos lançamentos de locadoras no mês passado.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Street Fighter - The Legend Of Chun Li
Gênero: Ação
Duração: 96 minutos
Produção: Hyde Park Entreteinement/ 20th Centaury Fox
País: EUA
Ano:
2009 (lançado em 27 de fevereiro nos EUA)
Direção: Andrej Bartkowiak
Elenco: Kristin Kreuk (Chun-Li), Rick Yune (Gen), Michael Clarke Duncan (Balrog) Taboo (Vega), Chris Klein (Nash), Neal McDonough (M. Bison), Josie Ho (Cantana), Moon Bloodgood (Maya), Edmund Chen (Huang) e Pei Pei Cheng (Zhilan)

Cotações
Chuta Que É Macumba Faltou Rítimo Pegue Sua Pipoca
Calçada Da Fama Rumo Ao Oscar


4 Hit Combo :

Daniel disse...

Muito massa seu blog.. eu sempre estou lendo... espero que continue sempre postando.. falow.

Cosmo Kramer disse...

Cara, eu acho que Hollywood continua indo numa direção errada quanto ao jogo: Street Fighter se resume à lutas, à efeitos especiais, não fica preso à uma história complicada cheia de reviravoltas. Isso acaba cansando e tornando os filmes todos entediantes.
Espero realmente que tenham acordado dessa vez...

Mestre Ryu Kanzuki disse...

Daniel - Muito Obrigado. Será sempre bem vindo e poste sempre que possível. Aguarde que essa semana vai ter novidades (eu ainda fiz novas postagens, mas deixei no rascunho porque estou programando uma organização melhor deles)

Cosmos - Verdade. O Problema é que os filmes Americanos de Street Fighter tentam se focar mais no elenco. Acredito que se estivesse na mão de um Japonês maluco (que não tenha se Americanizado) poderia até ter saído algo bem decente. Street Fighter é um jogo de ação. O ambiente que eles procuram buscar nos filmes é pra valorizar os personagens, mas o rítimo e as cenas de ação acabam sendo muito rasos - se comparando o conceito do jogo. Até as propagandas antigas, com atores fantasiados, captam mais a essência da franquia do que os próprios filmes. Não entendo como eles não pegam como inspiração coisas tão simples que poderiam vir a se tornar grandes.

Bia Chun-li disse...

Nessas horas que fico com pena da Kristin! xDDDDDDDDDD Ela fez um ótimo trabalho como Chun-Li, mas tendo em vista o imaginário dos fãs quanto a personagem (uma chinesa corpulenta) e o fato de Ming Na ter feito uma Chun-Li ótimo no primeiro filome (e ela tinha corpo para a personagem), faz com que muito nem cheguem perto do filme, sem falar o roteiro, que para o fã de Street Fighter, chega a ser tão ruim, ou pior do que o do primeiro filme.
Mesmo o anime de SF IV, mediano na minha opinião, se sai melhor que o filme.

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