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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

[ Elas Sabem Jogar: Perfil ] Ana Cristina: A Campeã Recordista do Atari (Museu do Videogame Itinerante)

 


Elas Sabem Jogar traz à você a série 
PERFIL

O objetivo da série Elas Sabem Jogar: Perfil é trazer a melhor informação possível para que toda a comunidade dos videogames e da cultura pop em geral possa conhecer a importância e a existência das jogadoras de videogame. Sim, elas existem e não é lenda típica de conto de fadas. Elas podem ser gente como a gente, jogadoras top, profissionais ou casuais. 

 

ELAS SABEM JOGAR POR QUE AMAM JOGAR  !


A nossa biografia de hoje é da Ana Cristina. Esta fera é a atual recordista e campeã do campeonato River Raid do Atari que ocorreu no último Museu do Videogame Itinerante 2019 no Rio de Janeiro. Essa guerreira tem uma rica história para contar - vasta experiência e anos de jogos desta plataforma desde o começo dos anos 80. Vocês vão se surpreender e se apaixonar também. Confira. 


BATE - PONG MULTIPLAYER
SIMULADOR DE BIOGRAFIA

A HISTÓRIA DE Ana Cristina
A Campeã do Atari

1)   Eu sou uma carioca de 47 anos, servidora pública há 18 depois de passagens pela iniciativa privada, moro no Flamengo sozinha, tenho pai e um irmão (mamãe morreu há 10 anos, infelizmente) e coleção de revistas impressas, sabonetinhos de hotéis, mapas de cidades pelo mundo e anéis de prata que compro nas viagens que faço (percebeu que gosto de viajar, né? ). 

Meu primeiro contato com videogames foi aos 8 ou 9 anos de idade (1980, 1981) – meu primo por parte de mãe tinha um Telejogo e era praticamente o rei da rua por causa disso :-D . Com a chegada do Atari, ainda na primeira metade da década de 80, e tendo eu e meu irmão ganho um Dismac (genérico do Atari, junto com o CCE e o Dynacom), comecei a curtir videogames. Isso foi em 1985.

Lá em 1985 eu competia com todos os outros meninos do prédio onde eu morava em Realengo, zona oeste do Rio, todos um pouco mais novos que eu, com meus 13 anos. Mas naquela época nunca pensei que um dia ultrapassaria os limites do condomínio, porque ninguém pensava em campeonatos de porte. Todos viam como brincadeira de crianças e adolescentes e a mim bastava isso. Quando em 2017 soube que existia o Museu do Videogame oferecendo consoles de várias épocas, fui direto no Atari para relembrar meus tempos de recordista do River Raid (225k) e, ao descobrir que havia competição, decidi me inscrever. Fiquei em 7º em 2018 e em 1º em 2019, justamente com o River Raid – que, aliás, é o meu jogo favorito até hoje e no qual costumo competir.

O que um competidor precisa para ser visado, acredito que ser muito bom no jogo em que se especializou. Os outros respeitam um currículo impressionante (risos).

Sobre o meio profissional, honestamente não sei dizer. Minha profissão é bem outra (risos), mas acredito que o nível de dificuldade seja o mesmo de vários outros segmentos. No meu caso, ter ganho o campeonato do Museu do Videogame Itinerante me abriu portas – convites para campeonatos, inclusão em grupos de gamers nas redes sociais, etc.

Engraçado sempre é o pessoal surpreso em ver uma menina – ou uma mulher de 47 anos – jogando como se não houvesse amanhã (risos). O melhor foi ganhar o campeonato que mencionei. Eu ganhei um monte de brinde, acabou o evento mas eu não queria sair do shopping (risos). Quis ficar saboreando a vitória.

Felizmente ainda não me aconteceu nada de triste. Assustador talvez seja quando me chamam “a senhora”... é o momento em que me dou conta que já se vão mais de 30 anos desde aquelas tardes e noites jogando diante da tv velha lá de casa.

Minhas dificuldades são próprias do meu momento de vida: Tenho que trabalhar, resolver outras coisas da vida prática, então sobra pouco tempo pra jogar. Outra coisa é que a mão dói depois de um tempo manuseando o joystick, um misto de idade + falta de rotina de jogo 😉.

Pra falar a verdade, eu parei no tempo. Quando o Phantom System e o Mega Drive chegaram, eu estava entrando na faculdade e meu foco passou a ser outro – estudar, ir pras festas com os colegas – então não cheguei a progredir comprando outros consoles. Conheço os que vieram depois, com resoluções gráficas infinitamente melhores, mas não aprendi realmente a jogá-los.

Sobre inspirações, falha minha... não conheço os gamers mais influentes ou famosos...

Nas horas vagas curto viajar pelo mundo, fazer aulas de canto, pedalar no Aterro do Flamengo (moro perto), chocolate e, óbvio, jogar videogame (risos).

Como na vida, não vale tudo no jogo. Eu ficaria muito desconfortável se tivesse que apelar para algum recurso pouco ético. Prefiro perder.

Nunca fui atingida por toxidade, porque não sou uma competidora em alto nível, mas se tivesse que dizer algo, seria: não sejam ridículos, há espaço para todos.

Sim, sou especialista em marcas – análise de pedido de registro e seus aspectos legais. É a minha profissão.

Eu gosto de documentários, principalmente biografias de pessoas e bandas que curto. Gosto de filmes “pra pensar”, rs, como “A Vida dos Outros” (alemão). Eu lia muitos quadrinhos na infância e adolescência – Mônica, Cebolinha, Zé Carioca, Luluzinha – essa última era minha ídola, símbolo máximo de independência – ia pra escola sozinha, saía pra brincar com as amigas e trollava os garotos, rsrsrs. Comecei a ver várias séries da moda mas não continuei com nenhuma. Minha mais recente tentativa é “Sex Education”, na Netflix. E videogames... bem, vários títulos do Atari, como Enduro, Seaquest, Keystone Kappers (Ladrãozinho), Frostbite (Esquimó), Space Invaders...

O meu maior sonho? Ih, rapaz... isso é muito pessoal (risos)

Se me perguntam, se a Ana me encontrasse, o que ela diria pra mim ? A Ana de que época? Vamos fazer o seguinte: se eu pudesse encontrar a menina de 13 anos lá de Realengo, diria que no futuro eu faria amigos num meio competitivo e ganharia um evento justamente do joguinho que eu mais curto. 😊

Como uma figura pública, o que eu jamais faria, nem que seja por R$ 1 milhão, é me corromper ou praticar qualquer ato ilegal. Já existe gente demais no mundo dando mau exemplo e um dia a conta chega – e alta.

Projetos para o futuro é continuar participando dos campeonatos “old schoool”, com consoles antigos. Fora isso, quando o coronavírus for história, continuar minhas peripécias pelo mundo (risos).


A mensagem que eu deixaria para as jogadoras do mundo é que games também são coisa de menina sim. Se é o que a gente curte, nada de desistir diante dos imbecis machistas que tentam impedir nossa participação.


UM ENORME AGRADECIMENTO À ANA PELA GENTILEZA EM ACEITAR O NOSSO CONVITE 


E à você, muito obrigado por acompanhar até aqui e espero que tenha gostado. Nos ajude espalhar o amor pelas jogadoras de videogame compartilhando este material e curtindo a página Elas Sabem Jogar no Facebook

Até mais. 

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