sexta-feira, 9 de outubro de 2026

[A Década do Tetra 3.5] The King of Fighters'94 e o Conto da Carta


E tudo começou em 1994.

Pelo menos era assim que The King of Fighters '94 abria o seu evento, não era? Rumores eram relembrados entre os amigos em eventuais reuniões comemorativas ao longo dos anos. Todos com 30 anos de amizade, nenhum conhecido da internet. 

A rede social era no mano a mano. 

Amigos se tornam rivais. Rivais se tornam irmãos. 

Entre amizades e rivalidades, uma verdadeira família já havia se construído ali. 

Em uma banca de fitas VHS, do nada, um amigo me solta essa:
— ...Daí ele queima a carta na hora do especial e... 
Finaliza o que viu com o exato movimento FATAL do boneco.

O conto da carta foi um Efeito Mandela que era vazado de escola em escola, praticamente misturando elementos entre a cena de abertura e o movimento no jogo. Era o novo protagonista da capa, Kyo Kusanagi, lançando o seu novo e poderoso FATAL (com a barra POW devidamente carregada). 

O jogo se destacou com a novidade do sistema de times representados por países, tudo combinado com o clima de Copa do Mundo de 1994 nos E.U.A.

Foi naquela esquina entre a Av. Brás de Pina e a Rua Leônidas que lá no final de 94 eu encontrei um quiosque com duas máquinas de arcade lado a lado: conheci Golden Axe pela primeira vez, com todo o poder sonoro do arcade. Mesmo uma máquina de 1989, 5 anos após seu lançamento, ainda era incrível, seja pelo som, seja pela variedade dos movimentos. Era quase um Hero Quest real em ação. Nunca tinha visto nada igual. 

E ao lado de Golden Axe, estava o lançamento do ano: The King of Fighters '94. Diferente de FIFA Soccer, os jogos anuais da série acabavam vindo no meio do ano correspondente e esse chegou aqui, nas terras suburbanas da Penha, quase no começo de 95.  

Eu realmente fiquei impressionado com o poder da placa MVS da SNK reproduzindo o seu mais novo jogo. Ele tinha um acabamento simples se comparado com Fatal Fury 2 e Art of Fighting, alguns de seus jogos anteriores, mas eles encontraram um estilo minimalista que impressionava na qualidade sonora, cinematográfica e um certo realismo nos movimentos (um sucessor espiritual da estética Street Fighter II). O realismo que combinava som e movimento era tão cristalino na minha mente que eu já estava quase me sentindo o lutador fora do jogo.  É, eu senti o futuro. 

No lugar do mano a mano, agora são três contra três, cada time representado por países. Dava pra brincar de Copa do Mundo em um jogo de luta para quem estava cansado de só formar time em jogo de futebol. 

KOF '94 tinha uma dificuldade bastante elevada, ainda mais para uma criança de 10 anos. Uma coisa padrão nos jogos da SNK e que tu acaba sentindo ainda mais depois que revisita esse fenômeno em décadas posteriores.

Quem cuidava dessas máquinas de rua era um quiosque de lanches que ficava logo ali ao lado, bem coladinho, na mesma esquina.

Anos depois, aquele estabelecimento abandonado frente às máquinas acabava por se tornar o Penha Shopping, bem no finalzinho da década de 90.   

Costumam dizer que tem muito chinês imigrante no Rio de Janeiro. Por uma incrível coincidência, a Athena tá aí fazendo uma participação nessa história. Curioso demais, não?

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