sábado, 17 de outubro de 2026

[Sessão Crítica Edição de Colecionador] Street Fighter: Filme Barulhento? Galhofa? O Tumulto na Game Night em IMAX

ATENÇÃO: ALGUNS ESPAÇOS EM BRANCO NO TEXTO REMETEM A SPOILERS

 NESTA POSTAGEM 

ANÁLISE EX
O CAMPEÃO DOS JOGOS DE LUTA
ESTÁ DE VOLTA AOS CINEMAS

Momento Pós-Crítica
QUEM É QUEM: AVALIANDO O ELENCO

 EXTRAS 

PAPO-CABEÇA: A MARGINALIZAÇÃO DO NERD
STREET FIGHTER E AS REDES SOCIAIS: 
DÁ PRA VER COM BONS OLHOS?

STREET FIGHTER: A ÚLTIMA BATALHA -
E NÃO É SOBRE NOSTALGIA, VIVEMOS A ERA DAS TREVAS

MEMÓRIAS DA SESSÃO
O DIA DO GAME NIGHT

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ANÁLISE EX

O CAMPEÃO DOS JOGOS DE LUTA 
ESTÁ DE VOLTA AOS CINEMAS

Há mais de 30 anos, o verdadeiro rei dos jogos de luta se ausentou das telas de cinema. 

Após sucessivos projetos para novas adaptações cinematográficas, televisivas e até para vídeo, cancelados no decorrer da trajetória, enfim, a Legendary Pictures chegou ao jogo com uma série de propostas para adaptar Street Fighter. Com quadrinhos, novas séries de TV e, por fim, se iniciando no principal palco: o cinema. 

A produção passou por uma série de mudanças entre 2024 até chegar às telas em 2026.

Inicialmente, foi proposto que dois YouTubers dirigissem a adaptação. A ideia acabou descartada no fim, dando espaço para um novo diretor: Kitao Sakurai. 

A principal característica do videogame é o seu elenco multiétnico, representando cada país ou região do mundo. Claro, nem tudo é realmente fiel à realidade, embora com alguns conceitos teóricos, mas tudo bem. Afinal, não dá para exigir muito de videogame, ainda mais de um jogo de luta. 

Foi questionado se a escalação para representar esses personagens vingaria com grandes influenciadores do Instagram, representando desde lutadores de WWE, cantores country e humoristas de podcast (uma sucessão aos comediantes do clássico Saturday Night Live, que se iniciaram no stand-up).

Uma vez que, os lutadores de WWE tenham até experiência teatral ou cenográfica. Mas vale lembrar também que produções hollywoodianas costumam contar com artistas multifacetados, podendo tanto atuar quanto cantar ou realizar outras funções no meio audiovisual, e isso acaba também se estendendo para a criação de conteúdo pelas novas gerações. E notícias já descrevem que produtoras estão agora em busca de celebridades de acordo com o número de seguidores nas redes sociais, uma curiosa mudança de parâmetro na indústria.  

A escalação de Street Fighter, se comparada com o original de 94, muito se assemelha, uma vez que em 94 haviam dois rostos principais e coadjuvantes representando outros personagens do elenco que vieram diretamente de produções fora dos EUA e até mesmo do esporte e da música: como o caso de Peter Navy (futebol americano) e Kylie Minogue (era mais conhecida como a Madonna inglesa antes do sucesso mundial em 2001). 

Nesta adaptação de 2026, os rostos mais conhecidos são distribuídos entre atores principais e coadjuvantes, como Noah Centineo, Jason Momoa, David Dastmalchian  e 50 Cent.

Mas ainda existe uma diferença: o cantor 50 Cent já tem uma fama estabelecida mundialmente, se comparada à de Kylie Minogue em 94. 

Diferente da campanha comercial do filme de 94, a campanha comercial do filme de 2026, o filme de 94 teve uma bela campanha com belos trailers dramáticos e curiosos que nos entregava a ideia de um grande evento familiar chegando às telas de cinema. Um tipo de filme de ação diferente de tudo o que já foi visto — marcando como o primeiro filme de classificação 12 anos estrelado por Jean-Claude Van Damme (frente aos seus tradicionais de classificação 14 anos ou mais). O que iria garantir a ideia de um drama de guerra, mas com uma classificação familiar. Além de um elenco com atores de diversos países e culturas (afinal, era assim que Street Fighter II costumava se apresentar), também prometiam uma espécie de idioma próprio do país fictício Shadaloo (trazendo uma nova identidade ao nome da organização criminosa de Bison no jogo). 

Um tipo de universo próprio que o diretor considerou mais violento que Indiana Jones e Star Wars. Várias ideias ousadas foram vendidas na campanha do filme de 94. Sem contar de um tipo de início para um universo próprio, como o UCM realizou. Era o início de um tipo de Universo Cinematográfico Capcom que  nunca se concretizou por completo.

O filme de 2026 já deixava claro desde seu teaser que seria barulhento e cheio de referências coloridas  em relação aos jogos, e a classificação do termo galhofa acabou sendo usada e abusada pelos influenciadores em meio às redes sociais para falar da novidade. Um termo ainda mais barulhento do que caricato.

No entanto, vale considerar que Street Fighter se passa num mundo ficcional, como Batman de Tim Burton. Ele tem o seu próprio entendimento de universo, mas jamais ignora o drama. Então, mesmo que caricato, vale considerar que o filme não encontra a paródia, ainda que pareça. 


Kitao Sakurai, também classificado como diretor e ator japonês, está à frente da produção, trazendo um tom de equilíbrio entre esse tal de conceito galhofa (muito levantado por criadores de conteúdo sobre o filme) e o tom de drama dentro de uma fantasia de ação.  

E isso é um desafio muito grande quando trocamos o desenho por atores reais. A direção de Sakurai quase acerta esse tom, entrelaçando muito bem a justificativa do afastamento de Ken do Ryu, por exemplo: o fato de Ryu não ter impedido a morte de Gouken pelas mãos de Akuma (Joe 'Roman Reigns' Anoai). Nenhum profundo primor no enredo. Não dá para se exigir muito de um roteiro herdado de um jogo de luta. No mínimo um envolvimento interessante de clímax. E isso o filme consegue fazer, e muito bem. Por exemplo, o famoso e secreto Hadouken de fogo de Street Fighter II está presente no filme e ele parece ter uma narrativa para existir: isso vem do poder de fogo de Ken (que pode ter sido desenvolvido pela sua emoção).

A fotografia dinâmica entrega entretenimento, seja com o tom claro urbano, seja nas cores azuladas e animadas das festas noturnas, ou causando um impactante contraste mudando para um tom mais sério, acinzentado. Bem no final, o bem contra o mal chega a parecer quase uma obra vampírica, o que só valoriza o grande embate. Essa sequência faz o filme entrar em um conceito de grande evento, preparando o mundo para uma grande ameaça a surgir. 

Steven E. de Souza soube construir um bom clímax na batalha final de 94 e, em 2026, Sakurai eleva isso a um outro nível, uma vez que a adaptação é mais focada na história de origem dos jogos japoneses. Então, esse momento decisivo vai além de uma destruição de uma fortaleza e segue os nossos guerreiros e desafiantes para algo um pouco mais além.

Vale considerar a trilha sonora instrumental dos premiados pelo Emmy, Leo Birenberg & Zach Robinson, reconhecidos por produções para a televisão como a série Cobra Kai (a extensão ovacionada que adapta o universo de Karatê Kid para as telinhas digitais), que consegue pontuar bem situações cruciais, como a ideia do escolhido, Ryu (Andrew Koji), tendo que combater demônios para proteger Ken (Centineo). 

A história principal é ambientada em 93 e ganha uma personalidade própria. Embaralha acontecimentos originais na cronologia de jogos e cria algumas linhas narrativas novas. Além disso, cenas de violência moderada, com gotículas de sangue e até doses mais extremas que ficam ali no limite da classificação etária e que poderiam ganhar cenas estendidas para uma faixa 16 anos: como cabeças sendo esmigalhadas e corpos dizimados.

A fórmula Marvel contribuiu muito bem para tais técnicas narrativas, que vão da violência extrema em doses moderadas para o humor, sem medo de mostrar o que ele é como um produto de fantasia de ficção científica.

Não se trata apenas de uma adaptação dos videogames, mas também compõe toda uma representação visual da marca, seja na maneira como ele se apresenta em animações (sejam elas cinematográficas ou em vídeo) ou em comerciais, tanto dos brinquedos ou até dos próprios jogos quando tudo era mato (e ainda nem sequer tinha filme oficial para anunciarem no mercado). Vale considerar também os quadrinhos americanos e os mangás japoneses, sutis elementos que podem remeter a todo esse universo de adaptações. 

Também é possível conectar alguma coincidência com os virais da comunidade. O famoso DÁ HADOUKEN, RYU. Em algum ponto do clímax, citam muito o termo Hadouken na versão legendada com o idioma original em inglês.

Outra novidade é a aproximação entre personagens que originalmente não costuma acontecer muito nos jogos: a relação entre Ryu e Blanka ou a relação entre Ken e Dan (Andrew Schulz).

Guile (Cody Rhodes) e Dhalsim (Vidyut Jammwal) são parceiros de guerra. O que soa historicamente interessante. Uma alusão, talvez, ao filme de 94 ou talvez aos brinquedos? Isso acrescenta algumas lacunas não exploradas, especialmente quanto ao passado de Dhalsim. Não estraga nenhum detalhe e faz o que uma adaptação tem que fazer: estender laços e não estreitar ou copiar o que já existe.

Esse choque de elenco soa interessante ao colocar influenciadores, artistas marciais e atores consagrados da nova geração. Sendo assim, temos um confronto curioso entre um astro da WWE contra um ator de alto calibre: Andrew Koji (Ryu) contra Roman Reigns (Akuma).

O destaque técnico do figurino está também nos detalhes dos uniformes: os personagens não saem lisos. Apanham e têm seus trajes destruídos pelo fogo e pela pancadaria desenfreada. Além da maquiagem, que por vezes prefere expressar detalhes que não são muito mostrados ali no meio da confusão toda. 

Claro que há situações em que o espectador mais barulhento vai reclamar, dizendo que não faz sentido Ryu e Ken decidirem, do nada, colocarem seus quimonos para enfrentar um exército. Na verdade, até faz sentido, só não fica muito claro. Diferente do original de 94, em que a situação soa irônica como uma recepção de Zangief (Andrew Bryniarski), uma vez que eles são caratecas. 

Mas o filme de 2026, por soar mais em um ambiente de fantasia em que tais elementos fantásticos não precisam ser claramente justificados, o espectador consegue deixar-se levar ao assistir Ryu e Ken trocando de roupa no meio da guerra; é como um filme de super-herói, só que ambientado em um jogo de luta. 

Referências visuais aos jogos costumam usar elementos que remetem a SF II, III, IV e V, respectivamente: a resistência de E. Honda contra um soco de impacto de Ryu, a destruição da máscara de Vega, o poder de finalização do Evil Ryu (ULTRA 2 no videogame) e o cabelo de Ken estão entre alguns pontos.

A mistura entre atores reais e cenas em animação (especialmente flashback) remete muito bem ao conceito encontrado no consagrado Street Fighter IV. 

Filmando inteiramente em IMAX, a projeção não usa a tecnologia à toa. Cores, efeitos sonoros e trilha sonora constroem um impacto técnico satisfatório, aprofundando melhor a narrativa. Vale assistir no melhor cinema possível. 

A ambientação da década de 90 não soa tão superficial como se parecia nas divulgações promocionais e até faz um certo sentido. Toda a composição da geração MTV nos faz remeter àquela vontade de revistar algumas músicas daquela época assim que o filme termina. 


ATENÇÃO: FIQUEM DURANTE OS CRÉDITOS


A audiência aplaudiu, ovacionada ao fim da sessão. O que se comprova é que, se houver algum tipo de presentismo (distorção histórica), a experiência real de como essa adaptação viveu a reação já está registrada por quem estava lá e não por quem só quer fazer barulho para ganhar alguns cliques na internet ou qualquer outra coisa no futuro.


MOMENTO PÓS-CRÍTICA

QUEM É QUEM: AVALIANDO O ELENCO


RYU

A versão encarnada por Andrew Koji é, sem dúvida, um dos melhores personagens do filme e destaque do elenco, transferindo seriedade ideal para o seu personagem. Além de toda a caracterização de ambiente que respeita a personalidade do personagem — recluso, quase um eremita, vivendo em uma sociedade e ambientação pouco hostil e residindo em um esconderijo silencioso e escuro que poucos sobreviveriam, sem nenhum glamour ou luxo, praticamente o Ryu raiz dos primórdios eletrônicos.





KEN MASTERS

Noah Centineo tem sido apontado como a nova revelação, e essa importância coincide com a sua participação, dando vida ao icônico personagem mais escolhido de Street Fighter II. Aqui, é notável que Ken está em início de carreira, desbravando a perdição caótica da fama. Alguns elementos que claramente lembram os primeiros quadrinhos americanos da Malibu Comics. A diferença é que, na HQ de 93, a história se passa no futuro, na expectativa por um Street Fighter III, e Ken já é casado. 

Esse conceito de aposentadoria é uma visão mais sombria e trágica da história de Ken. Muito se compara a obras oitentistas clássicas dos quadrinhos, como Watchmen e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. E até mesmo o mais recente maxi-evento daquela época, A Morte do Super-Homem. 

CAMMY

Mel Jarnson, que já era muito elogiada por sua atuação em Mortal Kombat (2021) como Nitara, atua aqui como uma Cammy visualmente hipnótica e, ao mesmo tempo, de personalidade rude, autoritária, com doses de frieza, crueldade e subordinação. Destaca-se, principalmente, judiando de Don Savage (Eric André) e batendo de frente com Chun-li (Liang).

É curioso que Jarnson também seja australiana, assim como Kylie Minogue, que interpretou Cammy no filme de 94. As feições de ambas as estrelas se assemelham sutilmente entre uma tomada e outra, embora sejam interpretações radicalmente diferentes. Kylie tinha 2 anos a menos que Jarnson. Kylie atuou com 26 anos e Jarnson com 28.

O cinema americano gostou de trazer Cammy interpretada por uma atriz australiana. E não é exagero afirmar isso. Ambas as atrizes defendem muito bem essa representação de personagem de acordo com as ideias propostas.

JULI


E, falando em subordinação, Rayna Vallandingham representa a outra patroa das marionetes, conhecida como Juli. Sua atuação contrasta com o seu papel nas redes sociais, sendo considerada pela audiência de criadores digitais como "a Bruce Lee da nova geração". Muitos podem se lembrar de Rayna como Zara em Cobra Kai — uma antagonista bem conectada com as redes sociais, fazendo alusão às suas origens na vida pública. 

E entre Zara e Juli, sua personagem em Street Fighter, existe uma sutil coincidência: Rayna sempre é escalada para ser a coadjuvante que leva a surra. Apesar de suas baitas habilidades marciais na vida real, que claramente fazem a audiência remetê-la a uma imagem de uma artista marcial imbatível. Apesar de pouca presença na tela, sutis expressões são notadas em seu rosto nos rápidos cortes. E isso levanta a teoria de que ela é uma marionete possuída ou que recebeu uma lavagem cerebral em algum momento nunca explicado no filme. Essa interpretação de subtexto até cria uma camada dramática de adaptação narrativa (indo além dos jogos). Será que eles estão, possivelmente, plantando algo para o futuro? 

Vale considerar que a relação de Juli com T. Hawk envolve jogos mais recentes. T. Hawk (Super Street Fighter II) foi um personagem introduzido logo após Juli (presente na versão original de Street Fighter Alpha 3). Dando a entender que a participação de T. Hawk em Zero 3 foi algo pensado de última hora ou improvisado. Apenas uma justificativa para o personagem estar lá e depois ter seu enredo acertado em presenças posteriores. A Capcom vai trocando o pneu das histórias de Street Fighter com o veículo andando. Apesar de que a saga Zero (Alpha) existe para reescrever Street Fighter II e trazer mais profundidade ao enredo de fundo dos personagens que se dividem entre The World Warriors e The New Challengers. Sendo assim, é perfeitamente possível considerar que a Juli de Rayna seja uma das variações da própria Juli. 

BLANKA

A surpresa do elenco é Blanka, representado por Jason Momoa, conhecido por seus personagens cinematográficos dentro do universo de super-heróis DC, como Aquaman e Lobo. Em um ecossistema que representa uma base de fãs muito próxima na cultura pop: entre a televisão e os quadrinhos. 

E então, o Brasil é mencionado com falas e atuações norte-americanas de uma produção inspirada num videogame japonês dos anos noventa. Olha só a viagem. 

O interessante aqui é que Blanka ganha conceitos que todo bom jogador e entusiasta brasileiro de Street Fighter poderia se admirar: uma mistura de artes com habilidades elétricas e um pouco de rodas de capoeira. 

DAN HIBIKI


O Dan, encarnado por Andrew Schulz, muda o foco da paródia e agora se torna um personagem visualmente mais relacionado com Robert Garcia dos jogos mais atuais da série KOF (XIV e XV). Nos jogos de origem, Dan faz paródias visuais com o Ryo Sakazaki. Ambos os personagens são de Art of Fighting, da SNK, rival da Capcom (fabricante da série de jogos Street Fighter).






DHALSIM

No longa de 94, Dhalsim é interpretado pelo ator indiano Roshan Seth. Um cientista pacifista, prisioneiro de guerra, que é forçado a fazer experiências mutagênicas em Carlos Blanka (Robert Mammone) pelo General M.Bison (Raúl Juliá). 

Foi proposto inicialmente que Roshan pudesse participar das gravações do videogame Street Fighter: The Movie Game, a adaptação eletrônica do filme, mas o ator não pôde comparecer. Isso traria a versão mais fiel do personagem. E essa é a verdadeira importância da adaptação de videogame, que é tão boa quanto o filme de 94.

Vidyut Jammwal também é um ator indiano e aqui temos uma mudança interessante de conceito. A adaptação do personagem é mais fiel. E, para não haver críticas, o ator faz jus por ser um artista marcial indiano e ator. O seu porte físico tem melhor relação com as versões de Dhalsim a partir de Street Fighter Alpha 2 em diante. E movimentação mais próxima com os da era 3D.

GUILE

Cody Rhodes interpreta um Guile ainda piloto, um major subordinado, como nos quadrinhos japoneses de 93. 

No longa de 94, Guile ganhou uma patente mais alta, elevando de major para coronel para segurar o cargo de protagonista nas mãos do icônico Van Damme.

No entanto, o Flash Kick da projeção de 26 é muito mais improvisado do que o estiloso facão duplo do Guile de Van Damme sobre o vilão lá em 94.





VEGA

Orville Peck como Vega parece uma escalação interessante. Mas, se desconsiderar a referência histórica, soa que faltou algo dele no filme. Muito pelo contrário, a sacada com a máscara remete muito bem ao que acontece após sua derrota nos jogos originais. Embora a história se passe em 1993, isso destoa da narrativa de construção original do personagem. Já que em Street Fighter II: Champion Edition e, mais precisamente, Super Street Fighter II (que o filme busca remeter bem), ele já tem seu rosto revelado. No entanto, o Vega de Orville está mais relacionado com o Vega do arcade original de 91. Segue conceitualmente a ideia do narcisista arrogante com alguma postura ameaçadora que merece ser visto como um oponente a ser abatido. Vale ver o antagonista levando umas belas bordoadas. 

Quem esperava a reconstrução da luta clássica entre Chun-li contra Vega do longa animado pode se decepcionar, mas vai vibrar um bocado com a luta dramática de Chun-li contra três: Bison, Vega e Juli. Só de a luta começar com Chun-li sendo surrada por Juli e Vega, já compensa comparar ao Dramatic Battle da série Alpha (livremente inspirado na luta Ryu vs. Ken contra Bison no longa animado). 

Na comunidade de videogame, Vega é estereotipado como um personagem gay. Pela sua voz fina, o ninja espanhol é interpretado pela velha guarda como um afeminado. Vega é apenas um tipo de personagem exótico. Por uma certa coincidência, Orville é abertamente gay, mas não fica muito claro se isso influenciará nas aparições futuras do personagem no cinema ou em outras adaptações da Legendary para acompanhar o longa de 2026, caso ele retorne.

CHUN-LI

O arco de Chun-li (Callina Liang) é interessante porque toda a característica acerca da personagem remete suavemente ao aspecto de filme policial, recriando essencialmente os finais de Super Street Fighter II, jogo de 93: invocada e cheia de destreza. É uma pitadinha para conceitos de filme noir (escuridão em meio à sala escura, ressaca, investigações e fêmeas fatais — como Juli e, principalmente, Cammy).

Vale considerar que Marvin (Kyle Mooney) é o principal alívio cômico desse arco, embora pouco explorado, representando o viral clássico adolescente e seus sonhos molhados com a na intenção da Chun-li. Quem aí se lembra das pausas infinitas para simular câmera lenta no Super Nintendo ou no Mega Drive?

Enfim, Callina Liang se esforçou o suficiente dentro dos 2 meses de preparação que tinha, comendo muitos ovos. Ela conseguiu aumentar suas coxas em 6,5 centímetros. Ela descreve admirar muito a personagem, mas que precisou considerar e entender seus limites. No entanto, visualmente, a atriz pareceu dentro do padrão, sem construir o conceito visual a ponto de ser algo extremamente exagerado ou deformável. Embora tenham doidos que acreditem que a personagem ficaria melhor assim visualmente, mas nem a própria Chun-li do videogame teve expressões deformadas com tanto músculo na coxa ou no próprio corpo. Apesar do exagero gráfico, sempre se manteve em sua feminilidade.  

Liang defende bem a personagem visualmente e com certa importância, assim como Ming-Na Wen  em 94. Na Wen, era atriz americana e modelo, tinha 30 no lançamento. Liang é atriz canadense com 4 anos de diferença no lançamento deste em 26. 

Considerando o lançamento em 1991, Chun-li teria 23 anos. E é curioso também que as iniciais da atriz Callina Liang façam clara referência às de sua personagem.

ZANGIEF

Zangief (Olivier Richters) faz sua ponta sutil, mas representando bem os golpes especiais do jogo, adaptados para uma dinâmica realista dentro do universo cinematográfico.








JOE

A maior surpresa do elenco. Personagem exclusivo de Street Fighter I fazendo a sua estreia no cinema. Nunca soubemos de nada a respeito de Joe no videogame. No filme, o personagem é apresentado como um lutador famoso e mulherengo. 

Na história que foi lançada na série de perfis Shadaloo C.R.I. durante o período comercial de Street Fighter V, a biografia revela que Joe saiu da vida do crime para competir em torneios locais de luta-livre.

A principal razão pela qual Joe (Alex Volkanovski) está no filme é bem clara, se considerar que é uma produção norte-americana. Joe é um personagem livremente inspirado em Benny "The Jet" Urquidez. Um lutador americano que ficou famoso no Japão entre as décadas de 70 e 80. O próprio Benny, inclusive, foi coreógrafo do elenco de Street Fighter em 94.

E. HONDA

Para crítico nenhum botar defeito, dessa vez, aqui, a escalação segue as raízes e E. Honda, enfim, é agora representado por um ator japonês. O eterno ator havaiano Peter Tuiasosopo já havia feito um excelente trabalho no filme de 94, falando bem a alma e com muito carisma, e Hirooki Goto segue nas referências visuais. Na versão encarnada por Goto, o personagem expressa sua resistência parando o soco de Ryu apenas com a barriga. E as suas 100 palmadas (Hundred Hand Slap) ganham um alto efeito caótico de destruição. Mesmo fazendo só uma ponta, a narrativa valoriza o potencial do personagem, não faltando nem mesmo o icônico torpedo (Sumo Headbutt). A única falta foi a sua icônica pintura kabuki. No filme de 94, a versão encarnada por Tuiasosopo ganha as marcas vermelhas como se fossem cicatrizes de intenso combate no meio da guerra. 

BALROG

50 Cent é o elemento surpresa e o primeiro a viralizar após o início de divulgação do elenco. Ele encarna visualmente bem o pugilista Balrog, arrancando algumas gotículas de sangue. Como sempre, um pequeno e insignificante nicho etarista julgando o astro como se ele já tivesse passado da época. Apesar de o personagem já ter sido representado por talentos como Grand L. Bush e o eterno Michael Clarke Duncan (uma das maiores revelações do começo do século XXI que perdemos prematuramente em 2012). 

Tudo é uma questão de interpretação visual: embora 50 Cent tenha se destacado no começo dos anos 2000, como um jovem astro do rap aos 27, seria muito difícil imaginar se ele teria a mesma maturidade para representar Balrog naquele período. As feições de Balrog sempre foram mais brutas do que a sua idade sugerida. Sua data de nascimento na ficha técnica define que ele teria 23 anos em 1991 (a data canônica do jogo Street Fighter II). Portanto, a caracterização de 50 Cent aos 51 remete muito melhor ao visual mais agressivo (e menos jovial) de Balrog. 

AKUMA

Na época em que se falava de uma sequência do filme de 94, foi noticiado que, com a falta de Raul Julia, estavam em busca de um ator para interpretar Akuma, mas estavam encontrando dificuldade por causa de sua cabeleireira. Digno de uma nota de tabloide. 

Felizmente, no jogo do filme, contaram com Ernie Reyes Sr., embora ele seja mais conhecido como um coreógrafo de artes marciais; poderiam ter contado com Ernie Reyes se houvesse um segundo filme. 

Na projeção de 2026, a escalação de Joe Anoa'i como Akuma faz um certo sentido. Nas descrições oficiais compartilhadas pelas revistas de videogame na época de origem do eterno personagem secreto de Super Street Fighter II X, o perfil entregava a idade como um homem com cerca de 40 anos de idade. E Roman Reigns teve precisamente essa idade em maio de 2025. As filmagens começaram em agosto e terminaram em setembro daquele mesmo ano.

MISTER BISON

Enquanto Raul Julia era conhecido por A Família Adams, David Dastmalchian é reconhecido por sua curiosa escalação como coadjuvante em Batman: O Cavaleiro das Trevas, como um paciente sequestrado pelo Coringa. Tudo representado por um ecossistema que fala bem com bases de fãs muito próximas na cultura pop: entre a televisão e os quadrinhos. 

Os mais antenados perceberam a relação do ator na escalação com Raul Julia no mesmo papel do vilão Mister Bison. No entanto, aqui o conceito é melhor explicado. Especialmente para uma audiência mais conectada e que leu artigos históricos na Gamefaqs bem no início da segunda metade dos anos 2000, resgatando conteúdos de livros japoneses que explicam detalhes específicos sobre o mistério do maior ditador dos jogos de luta. A explicação é direta e esmiuçada, sem nenhuma complexidade para o espectador.

É nesse ponto que  se encaixa uma das melhores piadas internas da narrativa. Mas é tudo premeditado, sem acidentes, e por isso funciona como uma ponta de um arco dramático. Isso justifica quanto a Dastmalchian em um corpo inadequado. Lembrando que, como já explicado nos jogos, Bison pode assumir vários corpos. Mas, na visão que vemos no jogo eletrônico, talvez, até por uma decisão criativa para defender a parte comercial, o personagem é sempre visto com o mesmo tipo de rosto. No manual, ele pesa 112 kg, mas no jogo ela é muito mais representada pela força do que pela massa corporal.

A maneira como Bison apresenta o seu poder psíquico é interessante. Na cena de levitação, combinada à tonalidade de cor da cena, chega a parecer digna de um filme de O Exorcista.

E, como não podemos evitar, nem de brincadeira, tem uma revisão incrível da cena icônica que viraliza muito nas cópias legendadas de Street Fighter: A Última Batalha. O famoso monólogo  do dia comum  da terça-feira, por Dastmalchian, é cruelmente brilhante tanto no timing quanto no impacto trágico da cena. 

PAPO-CABEÇA: A MARGINALIZAÇÃO DO NERD

STREET FIGHTER E AS REDES SOCIAIS: 
DÁ PRA VER COM BONS OLHOS?

Mesmo sendo um absurdo esse cancelamento radical que o filme de 94 veio sofrendo através dos anos, chegando ao ponto desse lixamento virtual tornar uma projeção razoável em uma obra-prima que só melhora cada vez que algum barulhento levanta qualquer defeito ou polêmica para desqualificar ou justificar que não é boa adaptação porque foge do script super padrão do videogame.

Passada a grande tristeza e decepção, hoje ele é reconhecido por ser especial para se assistir em um sábado à tarde. E nem é pela nostalgia, é uma fita que funciona bem para o conforto do vídeo. Ainda mais quando se passa dos 35 anos (idade mental é diferente da idade física). Quem assistiu e saiu decepcionado na época tinha 10 anos. Com 25, já entendia melhor o filme. E hoje, com 42, mais ainda. Diferente disso, é uma questão de falta de um bom entretenimento na vida.

Lembrando que nem tudo que está no videogame vai funcionar bem numa adaptação. Vale a mesma coisa para livros, quadrinhos, etc.

Lá no início da internet, a audiência mais bem resolvida era mais calada, apenas observadora. Apenas respondia à sua indignação por mural de recados, ainda longe de debates, avaliando o filme como nota 10 em um dos principais portais de cinema do início do século. Enquanto a audiência mais mal resolvida e confusa, fazia barulho em grupos mais fechados, que depois se proliferou. Uma penca de gente confusa que não deixa claro qual a proposta que se entende para uma adaptação ideal. Apenas são monossilábicas: resumindo as palavras de baixo calão, principalmente. Por mais que uma adaptação foque em determinados elementos, essa audiência confusa vai questionar com o dedo na cara do diretor: 

"Por que você não colocou 223.433.570.000.000.000.000... de detalhes que faltaram naquele filme?" 

Geralmente, xiitas e seus líderes, porteiros (principais porta-vozes), expõem suas reações de forma muito grosseira e barulhenta. Sem um destino específico sobre o que é necessário de verdade. O que torna todo o alarde muito insignificante. Um showzinho sem necessidade. E isso vale até para videogame. Infelizmente, essa crítica internauta só se importa com o caos. Eterna subcategoria.

Graças a uma mudança de comportamento, entre protestos virtuais e presenciais, em meio à intensificação dos movimentos sociais, surgiram ideias de um viés que melhora essa comunicação, essa forma democrática de ver as coisas. A audiência mais bem resolvida está se expressando um pouco mais agora nos comentários em publicações mais inflamadas. O que se pode dizer é que, embora a internet seja um grande meio de comunicação, existem limitações que emporcalham o algoritmo.


STREET FIGHTER: A ÚLTIMA BATALHA -
E NÃO É SOBRE NOSTALGIA, VIVEMOS A ERA DAS TREVAS

Desde então, com a ascensão da internet, o longa de 1994, estrelado por Jean-Claude Van Damme e Raul Julia, se tornou cultuado de forma impopular pela audiência. Não pela nostalgia, mas a adaptação dirigida por Steven E. de Sousa (roteirista de Duro de Matar) dividia opiniões desde o seu lançamento. Enquanto apreciado por uma audiência mais bem resolvida, que aceitava a proposta desde o início, havia aqueles que esperavam um pouco mais. No entanto, o ódio absoluto por uma obra de ficção se propagou de uma maneira assustadora, a ponto de afetar buscas mais específicas em tecnologias mais modernas quando se investiga a real coerência histórica quanto às primeiras reações daquele produto em sua época de lançamento. A discussão acabou se comparando muito com a polarização que se vê quando se fala a respeito de política ou religião. Na internet, isso se propagou tanto com jogos quanto com filmes. São apenas obras de ficção, mas o xiita não se importa com isso. Eles querem apenas fazer barulho. Enfim, quem planta o ódio colhe o ódio. E isso incomoda até quem sabe separar isso quando tenta se enturmar virtualmente. E o virtual, para quem é um pouco menos conectado, é quase como misturar água com vinho. Não dá muito certo. 

Existe a nossa comunidade eventual, Santuaryu, que é uma criadora de conteúdo conectada de forma casual, independente, despretensiosa, mas que procura investir em temas a longo prazo, sem se preocupar muito em surfar na onda de algum tipo de viralização (o suposto hype que dizem). Embora existam, entre muitas, aquelas que realmente querem levar tudo muito a sério e desconfortar quem está ali apenas de forma eventual. Independentemente da função, se o fator é casual ou eventual, a conexão, direta ou indireta, com comunidades muito barulhentas é inevitável para construir conteúdo e descrever de forma mais pé no chão sobre o que está acontecendo no mundo — ainda que seja só uma bolha muito específica e insignificante construída. E há casos em que usam esse barulho como uma ferramenta para poder sobreviver. Felizmente, ainda não fomos corrompidos para usar o barulho para gerar o caos e sobreviver com isso, mas ainda temos uma escolha: documentar tudo isso. Para quem é só espectador, o certo seria levar a vida mais leve, mas nem todo mundo está tão pronto assim para essa conversa.

Enfim, não é à toa que a era moderna dos jogos de luta costuma ser muito reconhecida como a era das trevas. A comunidade entrou em declínio desde o fim dos fliperamas. Um mundo mais divisivo, embora mais conectado.

Apesar do monólogo, estamos falando de um mundo conectado. Em que produções cinematográficas são julgadas o tempo todo, ainda mais quando ela busca representar uma base de fãs (o tal do fandom), tentando estender os seus braços para servir de ponte para receber uma nova geração e, de outro, uma antiga geração: o Eu joguei, Eu comecei a jogar e o Eu ainda jogo Street Fighter II, como aquelas eternas comunidades do Orkut. E não importa muito o número do Street Fighter agora, uma vez que toda versão moderna que se preze se inspira no sucesso de 92 (sim, o sucesso no clássico Super Nintendo foi tão importante quanto nos arcades  em 91). 

O Reddit, hoje, é um sucessor dessas antigas civilizações chamadas redes sociais extintas: sejam elas o mIRC, os fóruns ou o próprio Orkut. Pode se dizer que até os chats de bate-papo entram nessa fatia, de certa forma. Instagram, Facebook ou o próprio Twitter X espalharam essa disseminação xiita, embora o YouTube esteja alimentando isso muito bem com canais de opinião tendo um comunicador como principal porta-voz: imagine a própria televisão agora ditando regras como um porteiro de comunidade, excluindo aquilo que só ficava num texto de fórum ou em alguma cartinha de revista escolhida a dedo para ser rebatida pelo editor.


 MEMÓRIAS DA SESSÃO 

O DIA DO GAME NIGHT


Foi em cima da hora. Um portal especializado em arte e cultura, gentilmente,  nos marcou em collab sobre a novidade de que o filme teria uma pré-estreia especial com várias atrações. 

Por uma série de questões, pensei muito se eu iria ou deixaria para outro dia.

Num resumo da ópera: bastante exausto nesses últimos meses e problemas externos constantes. Muitos projetos em andamento. Então, decidi dar uma parada por um tempo com redes sociais e criação de conteúdo. 

Decidi respirar um pouco, pela primeira vez, em anos. Praticamente viver o máximo possível como se fosse a década de 90 (quase sem nenhuma tecnologia por perto).

Fazendo uma consulta, descobri que estou bem abaixo do peso. E por isso, o sono excessivo o tempo todo. Baixa imunidade, perda de memória, excesso de fome, etc. 

Ou seja, se eu comesse igual a um condenado, eu ficava com sono. Se eu ficasse com sono, vontade de dormir o tempo todo.

Mas, em geral, tudo tranquilo; aos poucos a gente vai se recuperando. 

Na verdade, a decisão acabou sendo feita no último segundo. E então, chegou o dia 13 e decidi ir.

Eu acordei justamente às 01:00 nesse dia. Eu já estava no pique. Me preparando.

Como eu estava praticamente baleado nos dias anteriores, eu decidi fazer tudo no mesmo dia, mas senti que não ia dar pra fazer tudo e então decidi só fazer um único compromisso de urgência antes de sair.

Um dos motivos desse quase burnout foi que eu estava planejando fazer uma série de vídeos sobre Street Fighter antes do lançamento do filme (um vídeo sobre vários tópicos para A Era dos Jogos de Luta). Mas logo pensei sobre o que eu havia planejado lá atrás: se não estivesse sendo divertido, o melhor é nem fazer. Como eu estava em dúvida sobre qual tópico focar, eu deixei de lado o projeto, mas muito do que planejei está aqui nesta publicação (inclusive, falar um pouco sobre cada personagem do filme). 

Fiz um cálculo e tudo levava a crer que eu chegaria atrasado. Felizmente, deu tudo certo. 

Muito tumulto na entrada.

Antes de ir até a entrada, fiz uma turnê pelas decorações  temáticas do filme no UCI NYC (algo que eu estava planejando fazer antes).

Um painel gigante apareceu na tela, que mostra a tabela de filmes em cartaz logo no atendimento, ocupando umas 4 televisões, mas infelizmente eu não consegui pegar esse detalhe a tempo.

Então, só consegui mesmo pegar o nome do filme passando no painel.

Vale considerar que no balcão tem também uma arte promocional do filme com a luva do Ryu.

Confira também o nosso álbum especial. 





Muito legal o espaço temático dedicado a Street Fighter no UCI, com espaço de descanso com as cores do filme, e ainda teve influenciador mini gravando vídeo por lá. 

Confira o nosso álbum completo. 
Versão Carrossel. 

Com a popularidade do NYC, eu não vejo mais nenhum famoso global por lá, como eu costumava ver em anos anteriores, até 2012. 

Até a Karin Kanzuki, que, muito a contragosto, passou pelo RJ, por algum motivo. Detestou o lugar e disse que a plebe desceu por lá. Certamente, nenhum famoso quis dar as caras. 

Enfim, essa Karin é a Karin do velho testamento. Aquela de Sakura Ganbaru. 

Agora, se ela esteve no evento, eu não percebi. Quer dizer, percebi, sim, ela estava bem distante em algum assento reservado. Eu fiquei com um pouco de medo e não fui lá, não. Ser pisado feito a plebe, pra quê?

Liseu me avisou que a Karin irá estar lá em algum lugar. 

Sei que ninguém iria acreditar nisso, mas é a mais pura verdade. 


Voltando ao assunto. 

Após fazer a turnê e ficar esperando a belíssima apresentação no painel pra registrar, vi que o negócio não ia aparecer mesmo e já estavam faltando 2 minutos para o evento começar. 

Daí, saí correndo e me deparei com um local fechado por faixas, com algumas filas e pessoas tirando fotos no meio, com um cosplay de Ken frente aos pôsteres promocionais ali, em frente às escadas rolantes.

Daí eu perguntei a uma segurança sobre a entrada e ela me indicou o lugar para passar, sendo que 
ao perguntar novamente para um outro espectador na fila, nem ele sabia, nem a segurança sabia 
exatamente qual era a fila. Daí, ele deixou o filho dele lá e foi perguntar a um atendente do UCI que estava passando por ali e indicou a fila certa no meio. Fui lá confirmar, daí tive que passar por baixo de duas
faixas (baita exercício no maior estilo Missão Impossível). 


A assistente do Liseu também passou por lá pelas faixas. E, pra quem não sabe, ela adora dizer que é irmãzinha de todo mundo. 

Ela, como sempre, muito exibida, tentando imitar a cena de Catherine Zeta-Jones em A Armadilha. 



Ela ainda me deu uma tirada dizendo que eu poderia ser o Sean Connery se eu quisesse. Pois é, imagina um idoso e uma novinha lado a lado? Ia dar muito caô. A  gente sabe o quanto a sociedade adora ser má com casais fora do comum. Daí, eu, tipo, quem sabe uma dupla no futuro, a gente se conhecendo melhor e tal? Mas Liseu disse que isso seria perigoso e que eu não deveria ceder. Que era armação e etc.

No final, nem Liseu nem a sua assistente ficaram no evento e foram embora, me deixando sozinho. 

Eles foram, tipo, dentro de um portal lá e sumiram. Ninguém viu, só eu. 

E aí, segui meu caminho.


Por uma extrema curiosidade, na fila de verdade (e não aquela que a segurança me indicou), eu suspeitei de um rosto. Eu me perguntei: "Peraí, eu acho que conheço ele". Era mesmo o Mauricio do Game Generations lá, perdido no meio da fila. 

Assim que cheguei na frente do atendimento para a subida das escadas, uma atendente perguntou se eu era convidado ou espectador. Será que ela me conhecia de algum lugar? Eu nem estava com nenhuma roupa temática de Street Fighter.

Para falar a verdade, eu tinha separado uma camisa temática de Street Fighter mas acabei descartando no final e fui com uma camisa cinza, de tecido cetim. A ideia era originalmente ir com um quimono social para celebrar a estreia, mas, como eu expliquei antes, tudo foi pensado em cima da hora, sem planejamento. 

Fui na maciota. Essa que foi a verdade verdadeira.

Daí, eu também percebi que no evento, especialmente nos espaços temáticos do UCI muitos também não estavam usando camisas temáticas de Street Fighter. Inclusive, tinha uma moça que parecia lutar artes marciais, tirando foto ali ao lado de um dos pôsteres. Era um estilo de academia com características 
de pessoa ativa em esportes. 

E então eu tirei a minha curiosidade sobre as pessoas que poderiam assistir a um filme de Street Fighter naquela localidade, em meio a uma geração regada a Free Fire e TikTok. Jogo de luta era algo fora daquele planeta.

E, ao chegar na entrada, me deparei com outra novidade. Eu estava com o crachá e um card colecionável do filme. Mas em minhas mãos também tinha um ticket. Eu estava meio perdido. 








Eu acredito que o maior problema do evento, no início, foi a organização na hora da entrada. Mas foi só um problema leve, nada grave. 

Eu fui orientado a ir até um espaço para pegar pipoca e um refrigerante. E eu, tipo: "Hein?"
Nem acreditei. Muito melhor do que imaginei. Nos outros eventos em que fui, não tinha tantos benefícios. Apenas assistir ao filme em cabine, por exemplo.

E a Legendary, Paramount e UCI investiram pesado nesse evento. A Legendary não estava pra brincadeira mesmo nessa divulgação do filme. Muito melhor que o de Mortal Kombat 2 e até de Supergirl da Warner.

Eu ainda não estava processando: pipoca e refrigerante? Mas tem que pagar? Não, era de graça, com o ticket. 

Mas, tenha paciência comigo, porque foi tudo em cima da hora. Eu não estava processando e o tumulto me deixou ali perdido.

O Game Generations estava passando com a sua assessoria ali naquela hora e eu estava perdido.

Aí, fiquei atrás de um atendente enquanto as pessoas passavam em fluxo para pegar pipoca e refrigerante. O atendente nem me viu e eu fiquei muito sem graça. 

Aí o atendente disse que a gente estava indo para o lugar errado. Mesmo com todo o transtorno suave ali, deu tudo certo. Fui pra fila certa da pipoca.

Mas, quando chegou a minha vez, não tinha refrigerante. E eu pensei: "Ué, acabou?" Eu nem sabia o que perguntar, se era pra ficar ali ou ir direto. Mas aí explicaram e recebi o refrigerante; finalmente, fui liberado.






Ao entrar no escurinho da projeção, percebi que o Game Generations e a sua assessoria sentaram na mesma fileira da minha na sessão. Quem iria imaginar? 

O MUNDO ESTAVA AQUI. 


Diego Dark817 e Zangief Bolado disputaram uma melhor de 5 no Street Fighter 6 dentro de uma sala de cinema IMAX. Surreal. Ambos disputando ponto a ponto com comentários de narradores da comunidade de jogos de luta de São Paulo (FGCSP). Da mesma região que nos presenteia com eventos como o Battle Coliseum, Komitê Games, Silva Games, o eterno Tiger Upper Quarta e tantos outros. 


E aí eles nos trazem um versus no videogame Street Fighter dentro do cinema, pela primeira vez. Que baita filme.


FOI CINEMA ABSOLUTO



Bolado, Sagaz, Spada e equipe, direto de São Paulo para uma ativação no RJ. Muito legal essa ponte do evento trazendo pessoas de fora do RJ. 

O evento rendeu muitos aplausos e diversão. Ainda rolou uma brincadeira a respeito dos aplausos estarem mais fortes para o Dark por ele ser carioca e o Bolado ser paulista. 

No meio da partida, Bolado decidiu trocar Zangief por Alex - sua carta na manga. E o Bison de Dark, no final, surpreendeu.

Por um momento, eu pensei que a gente já tinha assistido ao filme todo e a nossa sessão iria acabar ali. Eu não estava acreditando o quanto o dia estava sendo realmente bom e muito proveitoso. Olhei para as pessoas ao redor e me dei conta de que a gente estava mesmo é assistindo a um filme dentro do filme no cinema. 

E no final, para quebrar ainda mais, a produção fez um sorteio. Quem estivesse sentado na cadeira premiada ganharia um convite e um presente. E, daí, eu olhei pra minha cadeira, vi uma etiqueta transparente colada e eu pensei: "Não, não é possível." 

E o apresentador: "-Alguém já encontrou. Olhem que tem mais aí".

Eu levantei com o convite. Caramba, Liseu estava comigo mesmo em outra galáxia. 

Via um amigo, Liseu interferiu e disse que eu também tinha conseguido. Mas eu estava meio perdido, desnorteado e sem acreditar.

Eu: "Peraí, o que que tá acontecendo? O que eu faço?"

O amigo: "Você ganhou. Fala com a produção. Tem que ser antes do filme começar."

Aí eu desci até a produção e mostrei o convite. A moça levantou o prêmio em um saco na saída. Eu nem acreditei, arregalei os olhos, vi e disse: "Obrigado" de imediato. A moça, sorridente: "De nada!" Muita educação. Ganhei um Ken mini da distribuidora brasileira Plush For You em parceria com o evento.

Ele é cabecudinho, dá pra sentir um leve peso e ele é muito, muito bem feito mesmo. Super fofinho.

Foi com o Ken, o primeiro personagem que aprendi um dos golpes especiais mais essenciais. O Ken me destravou o Shoryuken lá em 97 em um treino no cenário da Jamaica em Super Street Fighter II do Mega Drive. 

Finalmente, o Sonic agora tem um amigo para se chamar de seu. Já que ele perdeu o seu amigo Panda em uma tragédia chamada mudança (ainda que tenha sido para um ótimo lugar e para o bem de todos na época, mas merdas acontecem).








Eu tive que correr rápido para não perder o começo do filme e daí caí ali com o prêmio, na subida, no último degrau. Foi, tipo, momento Jennifer Lawrence. Liseu interferiu mais uma vez ao lado de um amigo espectador do lado esquerdo, que perguntou se eu estava bem.

A educação das pessoas naquela sessão foi de uma natureza ímpar. De verdade mesmo. Algo que eu nunca tinha visto em anos de sessão de cinema. Eu digo em anos porque eu já estava praticamente desacostumando com tanta falta de educação no cinema desde que começaram a ligar celulares lá dentro. 

Mas, no NYC, assim que o primeiro Coringa ligou o celular, o bat-sinal foi acionado, Batman já interveio ali gritando pra desligar. Uma iniciativa que eu não vejo em outro cinema, tipo, o do Cinesystem Shopping Via Brasil. 

Eis o motivo pelo qual eu deixei de ir ao cinema e passei a entrar na estatística de esperar a maioria chegar no streaming.

Mas alguns cinemas especiais, como o UCI NYC, me acendem alguma esperança. Às vezes, isso pode depender muito da sessão e do lugar.

Pude também encontrar os cosplayers oficiais do evento. Muito atenciosos e simpáticos. Eles também vieram de longe para prestigiar. 

Eu ri em muitas partes do filme. Tive mais reação do que o público. Senti-me envolvido. Alguma emoção quanto à aproximação de Ryu e Ken, mas, em geral, foi uma grande diversão. 

Apesar de tudo, ainda tive uma surpresa porque o público saiu aplaudindo o filme, e isso eu realmente não esperava. Sair de uma sessão de Street Fighter com o filme sendo aplaudido. Isso em mais de 30 anos de história, vendo o filme de 94 vaiado virtualmente ou então o longa animado não tendo o devido valor. Achei fantástico. 

Subindo e descendo escadas, me esbarrei novamente com o Game Generations e ele:
"Um abraço, irmão". Muito massa.

No final, rolou uma certa tensão no caminho de volta. Era meia-noite já. Apesar do policiamento local, decidi chamar um UBER e fiquei ali aguardando por alguns minutos, passando pra lá e pra cá pela rua, mas no final deu tudo certo na jornada. 


O campeão voltou para casa. 


Ao postar as publicações, eu e o Mauricio tentamos fazer um loop de compartilhamentos no Instagram. 

Como se fosse uma speedrun, ele compartilhou rapidamente de volta e eu compartilhei novamente.













Só no macete do

HADOUKEN!


 GALERIA  

EIS A GALERIA DO EVENTO










 CARTAZES OFICIAIS  

Pôster IMAX: Com texto (esq.), sem texto (dir)

Versão em português (esq.) e em inglês (dir.)


SESSÃO CRÍTICA

STREET FIGHTER

Slogan: "Ready. Set. Fight."
Apelidos: "O Street Fighter das Américas Ataca Outra Vez"
Sessão Acompanhada: IMAX Legendado
Painel: STREET FIGHTER (2026) - IMAX (LEGENDADO)
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