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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

[História do Cinema] Sean Connery foi mais que James Bond


Foi ainda nos anos 90, creio eu, precisamente 1993, quando conheci Sean Connery. Meu pai dizia: "O James Bond"; "Goldfinger", era o título que ele mais gostava da saga 007. Eu sequer sabia o que era 007, mas eu tinha uma noção e gostaria de conhecer mais a fundo um dia. Pra mim, era alguma série de ação para a TV. 

Conheci James Bond por algum acaso em um filme com Timothy Dalton passando numa tarde de Sábado, durante um especial da Globo, e vi uma cena chocante o qual não me recordo agora (pode ter sido 007: Licença para Matar, já que era considerado o filme mais violento da série) - daí associei o rosto do Dalton com o cartucho 007 The Duel de Mega Drive que acabava de sair naquele período. Num passeio pela Casa & Vídeo, de Madureira, lá estava o jogo passando em uma tela de tubo grandona bem na entrada e saída da loja.

Por essa associação, jamais imaginei Sean Connery como referência da cinessérie 007.

Mas, não só por isso, por sua carreira brilhante através de inúmeros filmes. Foi olhando a capa recém alugada de Os Intocáveis (1987) que havíamos acabado de adquirir para regravar com melhor qualidade uma gravação antiga da nossa coleção, que eu acabei ouvindo as memórias do meu pai, que me fez conhecer quem era Sean Connery. Ouvia e observava ali: "Oscar de Melhor Ator Coadjuvante: Sean Connery" foi quando eu comentei a descrição olhando com grande fixação e ouvia com atenção. Mas.. quem era James Bond ? Connery foi mais que Bond. 

Como um nascido nos anos 80, como eu, acabei conhecendo Connery como O monstro do cinema. Já conhecia Sean Connery como o "ator que recebeu o Oscar de ator coadjuvante". Acabou que Os Intocáveis me surpreendeu. Um filme policial que ia além de Sean Connery ou um filme de Oscar. Entrou no meu coração. 

Porém, o tempo todo atento ao Sean Connery (sua forma de atuar realmente chama mesmo a atenção) pude testemunhar uma das cenas mais chocantes e marcantes do cinema o qual seu personagem protagoniza - e, acredito ser, a força desta tragédia que lhe rendeu o merecido Oscar. Connery, assumindo sempre o gênio forte que tinha, admitiu ter detestado realizar essa cena (por ter que se sujar todo) mas a despedida de seu personagem nos presenteou com uma excelente atuação. Imagino que seja ainda mais chocante para quem já o conhecia como o invencível 007. 

Já no mesmo ano, nos divertimos então com a sua atuação em Indiana Jones e A Última Cruzada. Naquela maratona da trilogia Indy, foi quando eu conheci a cinessérie e o jogo ao mesmo tempo - naquela época, alugado pro Mega, só conheci a primeira fase porque era muito difícil e eu era apenas um iniciante nos jogos. Acredito certamente que o jogo eu conheci primeiro e eu achava até que o filme tinha todo um clima de faroeste (se é que tem mesmo). 

O impacto de gerações entre Indy e Henry Jones sr. (Connery) lembrava mesmo muito a relação entre pai e filho que tinha em casa. Henry Sr. tinha um temperamento forte e era a cara do próprio Connery - e do meu pai também. 

De fato, a relação entre Harrison Ford e Sean Connery nesse filme é de um sentimento tão profundo que realmente emociona. Eu consigo entrar fácil naquele mundo que eles criaram. Fico balançado se este não é o melhor filme da cinessérie Indiana Jones - que eu queria chamar de trilogia para sempre. Já que é uma pena o Sean não ter aceito reprisar o papel em O Reino da Caveira de Cristal, a lacuna deixada pelo Connery é sentida e mais parece uma imensa gordura no roteiro do filme, este grande retorno de Indy lá em 2008.

O rosto de Sean Connery, meio calvo e barba branca, pra mim, é icônica. Anos e anos depois, bem depois, acredito que só em meados de 2002 é que eu acabei assistindo filmes estrelados pelo Sean Connery como 007 pela primeira vez. São sim muito divertidos, mas até aí eu já tinha assistido a uma penca de ótimos filmes estrelados por ele. 

A Rocha, de 96, tinha Michael Bay como diretor. Conhecido hoje como o "diretor de Transformers" ainda era conhecido como a grande revelação do cinema - antes de ser considerado como "um dos piores diretores de Hollywood" assim era estampado na capa de algumas revistas em 2005. 

A Rocha foi considerado um dos melhores filmes de 1996. Com Sean Connery, o "James Bond", no elenco. Associavam o filme a um estilo 007, eu sequer sabia o que era esse estilo 007 do filme. Só sei que foi meio difícil de engolir. Mas só depois de alguns anos eu pude compreender a sua genialidade. Foi um filme difícil de gostar de cara, dentre todos os filmes que eu já assisti estrelados por Sean Connery.

Ah, e o que dizer sobre O Nome da Rosa ? Esse acabou sendo um trabalho de colégio. Assistimos todos juntos lá numa salinha de cinema. Foi sensacional. Melhor aula de História que eu tive, com certeza. História policial ambientada na idade média? Top demais. 

Caçada ao Outubro Vermelho é mais um que a galera associa a "um filme estilo 007" que só conhecia por nome em divulgação de lançamento de novos filmes no "fim de ano na Globo". Anos depois, acabo assistindo, apesar do estilo espionagem ele é bem mais lento que os filmes da cinessérie 007. Justamente pelo estilo do protagonista não ser letal como o próprio agente britânico. Tempos depois, acabo descobrindo que O filme fazia parte de uma série de livros protagonizado pelo mesmo personagem - e eu havia assistido a todas as adaptações sem associar nenhum já que (como em 007) quase a maioria era estrelada por atores diferentes. Somente em dois, Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato, o papel de Jack Ryan (o "James Bond americano") era representado por Harrison Ford - que, diferente dos livros, o personagem era mais velho, na pele de Ford, do que em Caçada ao Outubro Vermelho - estrelado por Alec Baldwin, que dividia a tela com Sean Connery.  

*A série de romances estrelados por Jack Ryan são escritas por Tom Clancy - que alguns devem conhecer pelo jogo Rainbow Six.


Por fim, grandes títulos que eu acabei tendo curiosidade por anos: Armadilha (1999) e Os Vingadores (1998) - este último, eu gravei em um VHS e foi o único filme que não consegui assistir até hoje, dentre todos os que gravei. 

Em Armadilha, o nosso eterno ator divide a tela com Catherine Zeta-Jones (essa beldade que a gente conheceu em A Máscara de Zorro), achei bem curioso como seria o destino desses personagens. 

E fica aí, algumas das minhas memórias sobre Sean Connery e James Bond. Aparentemente, ele sempre se envolveu muito com esses filmes em que a mídia costuma comparar com o seu personagem da cinessérie do espião mais famoso do mundo. Pra mim, Sean Connery foi mais que James Bond. 


Em memória.

(1930-2020)

             
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