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domingo, 21 de julho de 2019

[Papo-Cabeça + Papo-Furado] Fight in Rio 2019 e os Momentos Inesperados



Desde os tempos de Barzinga em 2018, um encontro dos Encardidos se tornou algo religioso para a cena competitiva dos jogos de luta. Todos nós com pensamento bastante alinhado, já nos seus 30 e poucos anos de idade – portanto, muita experiência nos move nessa união sem perder aquela simplicidade de ser criança momentaneamente.

Como a cada ano, o Fight in Rio tem um subtítulo de tema – trazendo um game clássico para o torneio (desde o marcante Fight in Rio Revenge de 2017 – com Karnov ‘s Revenge) agora é o superestimado Street Fighter III 3rd Strike – Fight for The Future. Portanto, o título do Fight in Rio 2019 é Fight in Rio 2019 - 3rd Strike - Fight for the Future  Ainda que nós, enquanto amigos e jogadores, tenhamos seguido para caminhos diferentes (ou levemente isso) nas competições entre os jogos de luta, estamos ali unidos no mesmo local pelo futuro da comunidade. Poético isso, não ?

Um novo Encardido surge do online para nos acompanhar nessa caminhada. Perdi o primeiro episódio em que ele aparece, o Beer Reversal desse mês, mas ficou aquela expectativa de finalmente conhece-lo no grandioso e anual Fight in Rio. E eis que o lobo branco White Hound, irmão do selvagem (agora Kolecionador) Ephorion, retorna e finalmente tenho a oportunidade de recepciona-los diretamente na chegada – geralmente o anfitrião da parada é o Thyrso.

Admito que liderança na situação causa um certo cuidado, mas aceitei a missão do Thyrsão já que eu estava saindo cedo do emprego – aproveitando os últimos dias do ganha-pão em tempos de crise (pois é, aproveitando pra interromper a transmissão da narrativa para solicitar um apoia.se , será explicado mais pra frente).

Aquele lance de administrar os dois amigos que nada conheciam da imunda cidade grande  (e, ah, claro, Maravilhosa, claro) bateu um certo friozinho na barriga. Os dois homens Encardidos diretamente do pacato interior do Rio de Janeiro para o meu barulhento habitat, admito que senti vergonha alheia em meio a certas burocracia o qual nos deparamos – como a máquina de VLT que NÃO DÁ TROCO EM PLENO SÉCULO XXI, CARAI !!! E a passagem tensa pela Central do Brasil, cheia de gente estranha. Imagina então eu tendo que guiar uma garota no nível de histeria FULL por ali? Pois é. Piorou.

Como eu não estou muito acostumado em lidar com pessoas extremamente pacientes, o nível de compreensão compartilhada entre Ephorion e White foi mais de 8000 (a ponto de me deixar sem jeito) durante todo aquele difícil trajeto que foi a passagem do VLT para o aguardo de quase 2 horas para esperar um ônibus até a casa do Thyrsão, o trânsito infinito e as pistas falsas que até quem trabalhava DENTRO da rodoviária da Central dava pra gente – mas Ephorion se ligava nas passagens e sugeria o caminho das pedras em conjunto comigo até chegarmos ao ponto lá na frente, depois do sinal, em frente a um monte de pessoas (pronto, aquele sonhado “-Vamos pegar aquele ônibus no ponto final e irmos dormindo, pra chegarmos bem descansados!” se esvaiu) pelo menos o ônibus lotado que veio tinha ar condicionado.

Falando nisso, a melhor parte do nosso trajeto foi sem dúvida a passagem por VLT. White se amarrou e tiramos a nossa primeira foto ali para representar o encontro épico Encardidos no Fight in Rio 2019. Ar condicionado, sentadinho, e locomoção rápida da Rodoviária à Central. Se fosse assim com todo transporte no Rio de Janeiro estaríamos no primeiro mundo, com certeza. Feliz quem mora no Centro.

E falando em “Quem Mora no Centro é Feliz” no trajeto de VLT para a rodoviária, reencontro um amigo de eventos – que pegou emprestado umas fitas VHS minhas e nunca mais devolveu lá em 2003 (quer dizer, devolveu uma parte deles) e raríssimas da minha coleção – de qualquer forma, é um bom amigo de bom coração. Assim que o vi de longe, comendo um biscoito, o reconheci como o mesmo visual de quando nos vimos de novo depois de tantos anos no Anime Friends Rio Tour na semana passada (esse fim de semana que o White veio pela primeira vez in Brazil prestigiar o Beer Reversal, seu primeiro evento offline competitivo com os Encardidos).

Esse amigo, enquanto estava distraído ao fundo, corro até lá para falar com ele (aquele que um dia ficou conhecido como Yakumo), continua o mesmo – um pouco mais moderado nas gritarias – e atualmente trabalhando como segurança em Rio Bonito. Ele foi um grande rival meu nas competições de jogos de luta nos eventos de anime e até mesmo festas de aniversário com pessoas envolvidas nesse meio geek. Sempre foi muito legal jogar com ele e trocar figurinhas sobre o gênero. Também ficou interessado nesses eventos competitivos, especialmente o Magalhães Castro. Ele veio visitar a mãe, que mora no mesmo lugar, no Centro. Sei do aperto que ele passou numa época com ela. Interessante e nostálgico saber que sua mãe mora no mesmo lugar.

É engraçado demais como os universos se alinham – outro dia eu havia encontrado Kyo Tachibana justamente no dia que eu iria viajar para o evento da Retro Games Brasil e dentro da rodoviária conversando com uma garota em uma lanchonete de lá – Kyo, também é bastante interessado nesses eventos competitivos e já jogamos nos mesmos eventos o qual Yakumo também esteve. Parece filme, essas coincidências loucas, mas é real. E a cereja do bolo vem dentro do evento Fight in Rio 2019 o qual comentarei mais pra frente.

Depois de quase três horas de viagem, conseguimos sentar em algum momento – primeiro White, depois Ephorion (que estava dormindo em pé, até) e depois eu. Preferi que todos se sentassem primeiro, como os nossos hóspedes da cidade, mesmo que eu ainda tenha fraqueza nas pernas (uma parada que preciso ver com o médico já que não tenho não tenho mais plano de saúde e vou pagar uma nota, só com consulta – com certeza). Sim, eu tenho que expor os problemas aqui também para ninguém achar que é “lamuria” à toa por não estar tão presente nos eventos (sem emprego em breve e sem plano de saúde – belo país em que nós vivemos, mas não pretendo sair daqui, talvez).

E eis que no ponto final (local icônico o qual estive há uma semana, curiosamente) aguardamos pelo nosso cavaleiro Super Diamante, Thyrso, chegando de carro com aquele musicão bom gosto.

Aproveitamos a noite pré-FIR 2019 com o nosso religioso ritual de resgate aos jogos para treinamento. Desta vez, desenterrar Street Fighter V (jogo o qual não pego “sei lá quantos meses” – perdi a conta, creio que há 1 ano ou quase isso). Eu só não estou jogando por problemas técnicos (preciso consertar o PC e adquirir um controle decente).

Mas assim que jogamos, senti que o Hori FC4 estava se tornando levemente decente – já estava ciente qual a dificuldade que estava tendo com ele e era sempre manter execução após a defensa (ou apertar algum botão para trás ou pra frente). Daí, eu e Thyrso trocamos uma ideia sobre execução e logo percebi que o problema não era meu mesmo mas sim da estrutura dos controles de videogames atuais – nenhum deles propícios para jogos de luta e nascidos realmente para fazer o jogador errar (até jogador profissional erra fácil e perde oportunidade pra execução hoje em dia). Sim, o maldito diagonal (ou a falta dele) criada pela Geração Dual Shock do Playstation criou. Logo na simulação é perceptível que o diagonal nunca é alinhado e querendo ou não necessita do trás e baixo para formá-lo em algum momento. E como acertar isso sempre? É um mistério, pois o melhores modelos que já vi até hoje sem dúvida foram os da SEGA 8 Botões (Seja ele do Mega Drive, Saturn ou do PC – o modelo SLS que saiu na época do Street Fighter IV e é raridade hoje em dia).

Eu tenho a carcaça do SLS e mesmo usando ele com outra peça é perceptível a rigidez que nos faz a não errar tão fácil os comandos – algo que preciso alinhar com algum especialista para montar um controle compatível com PC e Playstation 4 para jogar em campeonatos (e não depender mais da arquitetura travada dos D Pads dessas gerações atuais – infelizmente o mercado restringe os jogos de luta cada vez mais).

De Street Fighter V fomos a Tekken 7 e, por fim, Mortal Kombat 11 (finalmente conheci a peça). Galera estava afiada e imbatível. Tudo regado aos abençoados pedaços de pizza – 2 em tamanho família – com toda a cortesia de primeiro mundo pelo nosso amigo Thyrso que nos recepciona. Amizade ímpar na humildade e amizade, carisma que cativa à todos e ele está ciente disso. Por pouco, não entrou uma pizza de camarão mas trocamos por frango com catupiry pela indisponibilidade, fomos felizes do mesmo jeito. O interessante é que surpreendentemente eu não era o único a curtir frutos do mar com sabor de pizza ali em comparação a outros grupos que costumo sair (mais cariocões da gema – o que é complicado).

No final do dia, estávamos nocauteados mesmo é pelo sono. A missão agora era não mais falhar como no ano anterior, perder os campeonatos os quais nos inscrevemos e depositamos uma boa grana – nos preparamos bem cedo desta vez.

Dormi gostosinho no sofá e caí em um sono profundo como há muito tempo eu não caía – cheguei até a sonhar e acordei muito bem – creio que bem antes do pessoal. Só aguardei mesmo, um pouco antes do despertador tocar, um por um acordava aos poucos – Thyrso já estava na atividade correndo de um lado pro outro preparando o café. White foi muito cortês com todos ao carregar os pães e as demais peças.  Interessante que toda a alimentação era bem familiar e o queijo melhor do que os que costumo comprar nos mercados (sempre colavam e era uma bosta depois ter que separar tudo).

Do nosso trajeto à Zion, levou exatamente o horário proposto pelo nosso motorista. Conseguimos chegar bem cedo, mas o primeiro campeonato de Street Fighter III 3rd Strike estava bem longe de começar – felizmente foi bom pra quem iria chegar mais tarde (uma pena eu não ter tido essa sorte ano passado com Injustice 2 e Tekken 7). Aproveitamos e comemos um salgado por ali mesmo.
No meio da muvuca se formando, encontramos rostos conhecidos aí dos eventos competitivos e da internet. E uma dessas figuras mais icônicas é Luke Thomas, Luciano Coelho, nosso carismático amigo sempre atencioso e disposto a nos trazer todo o suporte. Pessoas com empatia extrema, assim destaco o Luciano. E é esse tipo de amizade que busco colher até mesmo para parcerias – super aberto para ouvir, sugerir e desenvolver novas ideias – por esse mesmo motivo que eu tive uma breve conversa com ele sobre a possibilidade de mudanças técnicas aqui neste humilde Santuário do Mestre Ryu – felizmente descobri que ele tem conhecimentos avançadíssimos em tecnologia, um grande profissional na área. Deus está sob controle todo o tempo mesmo.

Também no meio da multidão encontro o Encardido Kiddo, dando uma passadinha por lá. Aparentemente, a vibe é diferente. “- Depois do frisson que foi Street Fighter V !” Esse seria um termo que muitos concordariam, eu pressinto que isso está sendo forçado pelo vício estabelecido, sem querer, pela própria fabricante do jogo. Street Fighter V atraía muita gente alimentado pela novidade, uma vez que essas novidades não se adequam ao estilo desses jogadores – eles, simplesmente, enjoam ou pulam fora (sem preconceito, mas geralmente, jogadores de console atual possuem muito esse perfil). Eu não consigo ficar sem jogar  Street Fighter, por mais estranho que o V seja, eu continuo acreditando até que a CAPCOM decrete oficialmente o fim do suporte – aí eu prevejo um grande desastre na comunidade - o jogo perde só pra Super Smash Bros. em número de inscritos em campeonatos lá fora – mas eu vejo um adestramento equivocado de incentivo ao ódio aos que ainda querem Street Fighter V na cena competitiva. Um ódio ‘desnecessauro’ pois deveria ter espaço pra todo mundo. Esse é um grande problema da cena competitiva, é: serem competitivos demais, até na maneira de querer moldar o mundo.

Essa diferente vibe está concentrada agora nas pessoas que estão lá para rever os amigos. É como ir ao parquinho assistir à paisagem. Nomes importantes – entre amigos nossos e nomes marcantes na cena Street Fighter V – estão lá para assistir e se divertir. Diferente daquele cenário aonde todos estão lá pela amizade e pela competição. Já os jogadores profissionais, continuam mantendo o seu foco firme – independente de patrocínio ou por que estão momentaneamente aposentados. Infelizmente, quem disse que ia voltar, decidiu não voltar de última hora por condições técnicas – essa situação de falta de controle é igual à mim, mas ainda assim arrisquei na hora e senti que meu controle atual está ligeiramente melhor, bem melhor do que eu imaginava, para realizar execuções. Consegui acertar coisas que eu não acertava naquele controle – só no meu padrão (Saturn USB modelo SLS da SEGA) que infelizmente está quebrado.  Pelo menos não fiquei no 0 como da outra vez e não saí levando perfect em tudo como eu imaginava. E nada pior do que enfrentar a POOL da morte que teve meus monges Brolynho e YoungTon, pessoas que eu sempre quis enfrentar mas quando eu atingisse o nível ideal com o controle que eu usava ou com algum outro que eu pudesse me adaptar melhor. A situação veio antes do desejado mas eu não estou reclamando por isso, fico feliz pois foi num momento crucial em meio a indecisões que preciso resolver na minha vida antes de ter um sumiço definitivo e temporário desses eventos (de repente, até dos jogos)  até eu me resolver (Agosto pra frente deixo nas mãos de Deus – mas com a ajuda (apoia.se) dos amigos leitores aqui, se eu for digno para receber o machado de Thor, acredito que não precisarei fazer isso). Fora que Brolynho está aposentado, temporariamente, devido aos estudos – e sabe lá, Deus, quando eu terei outra oportunidade de jogar com ele num campeonato de Street Fighter V no nível maroto como ele está.

A todo momento ficava atento quando a Sherry Nhan colocaria os pés naquela escola para o campeonato. Até que vejo a figura de Zenith surgindo e lá estava ela com outros “seguranças” a acompanhando. Esse era o momento em que o Street Fighter III 3rd Strike estava prestes a aparecer no evento. A princípio, para um longo freeplay de aquecimento.

Eu e o trio encardido (Thyrso, Ephorion e White) fomos para comer alguma coisa e depois tive que voltar rápido. White havia comido uns 6 salgados. Eu aumentei a cabeça e perguntei de novo: SEIS SALGADOS ? Sim, o White comeu seis salgados. Isso que dá a fala de almoço.

Apesar de criticar bastante a comunidade online de jogos de luta, tudo que vira off-line fica melhor, é preciso admitir. Jogando Street Fighter III 3rd Strike diretamente na placa CPS III é outro mundo. Diferente do jogo reprogramado através da emulação no PC com os problemas do servidor FightCade. Eu dou graças à Deus pela existência da emulação e da possibilidade de ter esses jogos todos sendo jogados de forma online. Ainda que não apresente a experiência verdadeira dos jogos originais, é uma forma de praticar jogos que estão fora da cena há muitos anos ou então raramente se encontram por aí. Foi graças à emulação que muitos jogos voltaram a ter pique e alimentou a geração retro somada ao interesse comercial  em relançar esses jogos e a inspirá-los a construir uma interação online mais expressiva nos videogames com esses relançamentos.

Numa forma inédita, o Fight in Rio For the Future mostrou ali, talvez, o futuro, trazendo em peso a comunidade online de 3rd Strike a participar da competição ao vivo dentro de um circuito carioca de potência nacional e com o apoio de empresas oficiais como a CAPCOM e a SNK. 

Durante os intervalos finais do freeplay de SF III, corro para ver a situação das minhas partidas no SFV e ali estava Sherry Nham entre os jogadores. Foi difícil a comunicação pois não tenho vivência ou conversação no inglês. Foram perguntas muito básicas e formas de apresentação. Entre algumas perguntas simples foi sobre o Brasil: “-Eu gosto do Brasil!” ela revelou. E então tiramos uma foto. Logo depois de vê-la jogar, disse a ela que eu havia gravado o vídeo – ela provavelmente tenha achado que eu iria tirar outra foto e rapidamente se aproximou (*- Tadinha, o que eu fiz?*) mas apenas apontei o celular explicando, ela se recuou e entendeu (poderia ter mostrado o vídeo, né? Mas não sei se ela estava orgulhosa da partida. Esses jogadores profissionais se cobram muito).

Durante a competição de Street V, alguém de rosto familiar disse meu nome no lugar do nick (e eu: “-Caramba! Como ele sabe?”) avisando sobre a minha partida – eu era o primeiro. Foi quando avisei de que eu estava no campeonato de 3S também – ele disse que ia avisar - e então quando desci, ele desceu e me chamou uns minutos depois.

Joguei a partida com um dos discípulos do programa de treinamento mensal do Brolynho e Dark – está sempre jogando com os melhores. Um jogador jovem de Alex com confirmações perigosas se desse qualquer mole. Consegui sair no sufoco. Mas mesmo perdendo todas as partidas daquele dia – seja no freeplay ou nas demais partidas – sinto que o DPad do controle, enfim, está me causando menos problemas de confirmação ainda que não esteja perfeito.

Ao ouvir ligeiramente o apelido do organizador que me chamou, eu estava observando seu rosto tentando lembrar e logo veio um estalo. Eis que era o Miguel “Killerzin” Francesconi (vizinho e discípulo do monge Paulo "Web" Junior), ele, muito feliz, cumprimentou de volta assim que o vi. Como a câmera estava uma bosta, foi a última coisa que pensei em registrar o momento – e isso me deu uma baita raiva agora.

Depois da melhor de 100 entre Sherry e um jogador Brasileiro em comum entre eles, seus amigos próximos, decido por o controle ali na estação pra dar uma treinada. Só pedreira veio pra tirar umas partidas. Diferente do fliperama aonde o nível de jogadores era variado ali só tinha hardcore. Um jogador de Bison que consegui vencer, fez rapidamente a leitura do meu jogo e venceu todas depois. E depois veio um jogador de Ryu.

{Momento novelinha} Como sempre, Ryu é aquele low tier que falam mas que sempre dá dor de cabeça com esse domínio de espaço (zoning) invencível - até hoje me perco na distância (range) estranha desse jogo.  Thyrso avisa que já estaremos de saída depois da minha partida (FT 100 como Ephorion nomeou) e então procuro encerrar por ali para que não saíamos tão tarde (ainda no sal do zoning maldito do Ryu). E eis que ao cumprimentar o jogador ao lado ele pergunta “-Você não é o irmão da Ivy ?” e eis que minha vida civil é descoberta e eu fiquei abismado: “- Como você sabe ?” e ele responde: “- Eu trabalhei no IRB. Seu pai deixou você comigo e depois sumiu. Se lembra? Ficamos batendo o maior papo.” Eu praticamente não lembrava nada daquilo. Eu perguntei qual ano era e ele: “Não lembro, foi muito tempo. Acho que era 2008.” Mas 2008 meu pai já tinha se aposentado. Ele era estagiário da empresa. IRB – Instituto de Resseguros do Brasil é uma Estatal Federal – Empresa de Economia Mista – meu pai entrou lá em 1977 (ano de estréia da icônica cinessérie Star Wars e Os Embalos de Sábado À Noite) por meio de concurso público nível primário (até 4ª Série)  e se aposentou em 2007 com salário de pós-graduado em torno de R$ 5.000, 00 (sim, o setor tem aposentadoria privada). Mesmo realizando a prova de nível primário, acredito que seus títulos pesaram – sua formação de nível superior em Economia, por exemplo, muito antes de realizar o concurso. Meu pai também já foi professor de Matemática, mesmo detestando até mesmo ensinar, e matador de baratas – inclusive, ele dizia que ganhava muito mais do que como Funcionário Público (por exemplo: ele conseguia fazer a mesma grana em que se aposentou cobrindo um prédio – mas viveu uma vida de revoltas com a malandragem e o preconceito da grande cidade carioca, passando assim, ganhar a vida aqui enquanto passava a detestar o Rio de Janeiro em todos os dias de sua vida como um bom capixaba). Tanto Servidor Público quanto Funcionário Público, creio eu, têm o melhor emprego do mundo – mas é visto por outros como vagabundagem o que não é bem verdade. O colaborador tem todos os benefícios e promoções que aumentam seus ganhos, isso é um certo incomodo para quem quer ver trabalhador como escravo de um mal salário e uma péssima qualidade de vida  (ou simplesmente viver segurando inchada – trabalhando mais do que vivendo). Geralmente são políticos e empresários que pensam assim. Apenas a Minha Opinião (Tio Lu, estou de olho!) .

Talvez eu esteja me lembrando agora – ele (o ex-estagiário do IRB) era bem simpático e comunicativo se não me engano. E eu estava lendo um mangá de Video Girl AI, ele deve ter perguntado a respeito.  Quando perguntei seu nome, ele se revelou como Eduardo, pedi pra ele me adicionar depois – perguntou se eu estava no perfil da minha irmã nas redes sociais. Ele também falou do apelido que usa no jogo mas eu acabei não pegando o nickname. Lembro de meu pai ter me contado constantemente de uma estagiária, disse que ela era uma menina de ouro, que adorava internet, chegou a pegar o e-mail dela para passar pra mim e me mostrou fotos dela (ela era bonita mesmo) mas a desilusão e descrença pairava, porém, eu decidi colocar a anotação em um pote para ter coragem de me comunicar um dia – mas depois dessas mudanças turbulentas de casa para outra.. acabou que eu perdi  o pote com o papel, procurava desesperadamente, e fico triste por isso até hoje.
Falando em Ryu, uma pessoa não muito bem vinda apareceu por lá, só vi a sombra – o cara parecia uma bola de futebol e se achava foda na internet. Enfim, nem dei bola. Fiz o papel de esnobe. Só reconheci por causa da propaganda da camisa e associei às fotos que vi nas redes sociais. {/Fim do momento novelinha} 


3S foi tenso, por já ter um grupo dominando o jogo ali e com um dojo virtual aonde constroem ranking e tudo. Quem foi jogar pra competir não estava pra brincadeira. Houveram ainda duas situações engraçadas ali. Durante um freeplay que tive com um dos jogadores – o mesmo, com a pressão das mãos, soltou o balltop do controle Arcade durante uma intensa jogada de impulso físico e pensamento (mind).  A outra é a do amigo Alexis (a grande surpresa da competição) que quase saltou da cadeira com o controle Arcade tentando fazer alguma coisa (mais um Arcade pad vivo?).

Alexis joga de Ken nessa versão (além de carismático é claramente um jogador inspirado em Daigo em todos os jogos que joga – ao menos é o que vejo envolvendo Street Fighter) – ele admite não gostar do jogo e constantemente cobra para um Super Street Fighter II Turbo no evento. ainda revelei que eu conhecia um grupo da França interessado e que tentei levar para o Brasil, ele estão diretamente envolvidos com o First Attack (entrevistei a fundadora para o streetfighter.com.br)
Aprendi bastante com o futuro campeão de 3S do evento que estava ali constantemente observando as partidas, comentando e dando dicas – seus valiosos coach sobre Makoto me ajudaram a entender o tal do agarrão (grab) 0800 em todo Street Fighter que se preza (aonde não evitamos com o tech por distração), o agarrão de comando (command grab) de Makoto tinha variações que pegavam o adversário caindo no ar. Apesar da comunidade online ser barulhenta, esse jogador fez acontecer e quando o parabenizei pela iniciativa ele humildemente disse: “-Quem merece os parabéns é a organização do FIR!” ele (Darlan ou Kuronekoekoeko, seu apelido) contou um pouco de sua história e disse ter sido discípulo do lendário The Riddler - esse que eu só ouvia de nick do FightCade através de um jovem jogador de 3S numa certa época – creio eu há uns 3 anos – sempre o mencionava como exemplo de jogador imbatível – quando falei dos primórdios do competitivo deste jogo no Brasil, ele disse que não conhecia e que The Riddler foi campeão 3 vezes do Heaven or Hell, campeonato de São Paulo com vários jogos de estilo Anime (do gênero luta) e 3S estava entre eles (se não me engano, ocorria na extinta loja de Arcades e Lan-House chamada Venom Arcade). Talvez o garotinho (o pequeno jogador que o idolatrava) nem sabia disso, a respeito do The Riddler.

Os finalistas do torneio Street Fighter III 3rd Strike marcam uma nova fase para este cenário competitivo. 

Nos primórdios, havia uma comunidade forte de 3S em Brasília e Curitiba. Num evento organizado pelo Fórum Fighters, com o apoio voluntário do Fórum Meia-Lua, surgiu a Avex 2006*, um campeonato aonde esteve presente frequentadores de uma loja de Arcades de Brasília-DF, era a Hardocore (um deles, Pedro da Hardcore, foi um membro bastante ativo na época de fóruns).  Aparentemente, todos estão aposentados ou afastados dos videogames. Cheguei a comentar esse cenário entre os jogadores da atualidade lá no campeonato mas ninguém teve conhecimento. De 2006 pra cá, o cenário mudou, nova geração chegando e o online parece ter ajudado 3S a ressurgir nessa nova comunidade competitiva. É o futuro ou o futuro é agora ?


Curiosidades Históricas 

*Avex 2006 - Um Fiasco ?  Dentro de uma sala, havia um mar de prêmios para serem distribuídos - eu estava lá cuidando dessa sala - só faltava mesmo as máquinas. Sugeri até mesmo uma caravana para o evento. A curiosidade é que sem a presença dos membros do fórum Meia-Lua, o evento provavelmente não teria acontecido e a viagem de muitos que vieram de tão longe (eu que também estive apoiando como parte da organização) seria dado como perdida. Os membros do Meia-Lua, que chegaram com o equipamento de primeiros socorros, se juntaram  com os materiais de videogame para salvar o evento - após uma falta que o responsável por trazer os fliperamas teve com SirVH, o presidente do Fórum Fighters. Outra curiosidade é que o Fórum Meia-Lua (com tutoriais incríveis e profundos sobre jogos de luta da CAPCOM e outros jogos) veio a se tornar Portal Versus em 2007 - posteriormente, o criador e dono do Meia-Lua/ Portal Versus, Dennys "Poucas Trancas", se tornou Agente de Comunidades da CAPCOM no Brasil após 2009 (tempos de Street Fighter IV). A foto que ilustra brilhantemente esse momento foi resgatada incrivelmente pelo Thiago Tomais - Administrador do Fórum KOFBR TEAM na época.


(Grande) Memória Pós-Evento FIR 2019

Um dos meus maiores arrependimentos foi não ter gravado vídeos e fotos suficientes por problemas de hardware do meu celular mas pude registrar alguns momentos legais como este ao lado de Brolynho. Comentei com ele uma coisa que eu sempre tive medo de perguntar a um jogador profissional de jogos de luta – como a depressão paira infinito nesse meio esportivo (extremamente competitivo) – perguntei a ele sobre o que ele acha a respeito de religião. Ele disse: “-Isso dá a maior confusão!” preferiu não comentar mesmo a respeito mas na maior educação disse que estava para ver como estavam as brackets (quando iria jogar de novo) e desapareceu.

Essa foto registra um momento histórico que entrei para o POOL da Morte de Street Fighter V. E o mais legal é ter Brolynho e YoungTon (lendário jogador de SFV que acompanhava na Season I) – curiosamente, Ton é irmão do Didimokof (lendário jogador de Dhalsim de SFV que deu dor de cabeça para um dos Deuses Japoneses no cenário competitivo do jogo e agora está investindo pesado no inédito remake de Samurai Shodown).

Entre o freeplay com lendas, pela primeira vez um versus com Cabelo3000 – monge aposentado também das competições. Usava F.A.N.G. e agora joga de Falke só para brincar. Alguém na plateia dizia: “-Boneca lixo!” e ele: “-Essa boneca é linda!” concordamos.

Incrível que não pode dar mole, Cabelo3000 usa e abusa dos dive kicks para provocar o erro na defesa e quando aproveita a brecha, doutrina com seus absurdos Crush Counter com Critical Art de forma perfeita no neutro quando não aproveita para criar uns combos de reset de forma muito bem pensada.

Outra partida interessante foi o lendário sobrinho e discípulo de ZeusBR, Xiao, voltando com sua Karin e doutrinando o nosso Encardido Kiddo – que se viu abalado tanto com Akuma quanto com Karin em mirror match – olhei abismado com os perfects que o Akuma do Kiddo recebeu, o mesmo ficou com vergonha, mas fica assim não, meu rei, Street Figher V é assim: 50/ 50 (tem dias felizes e tristes como na pescaria).
Foi bonito ver Thyrso, um grande amigo dos tempos de colégio e faculdade (à esquerda) e Alexis, um grande amigo desde o Fórum Fighters/ Avex 2006 (à direita) jogando juntos 3S. Dois amigos na partida nesse insano crossover de contatos: vida social x virtual (uma loucura). Mas ver Thyrso e Ephorion jogando MK11 no telão da Zion foi ÉPICO. Rendeu aplausos e tudo – com direito a “Low Tier Hero” ao Encardido Ephorion – que também recebeu as condolências do monge Juliano Rocha (jogador de Mika no SFV mas que agora tá arriscando MK11). Assim como todo o time ProGamer parece agora se inclinar a nova febre do competitivo (ou como eles gostariam de incluir para correr do estressante SFV).

Sherry Nhan no Fight in Rio 2019 - pro player internacional e empresaria que veio prestigiar, competir e também ajudar jogadores Brasileiros e latinos a competirem na EVO e nos E.U.A através de seu projeto Efight Pass

Os irmãos ferozes: White e Ephorion em sua primeira viagem de VLT na cidade carioca. E nas nossas milagrosas viagens silenciosas (ufa!) de UBER, eis que rolaram umas músicas de pagode, os Encardidos se amarraram e começaram a batucar - realmente os mais humildes e os mais ecléticos de mente aberta que eu já pude conhecer da web (não só da comunidade geek ou da FGC - Comunidade de Jogos de Luta). 


Eu ainda me arrependi de não ter tirado nenhuma foto com a visita ilustre de Alan “Speed” Soares o nome mais influente da comunidade de Ultimate Mortal Kombat III e jogador top de Nightwolf. Foi a sua primeira vez no RJ e veio para competir no MK11. Rolava papo pelos corredores de ter um espaço para UMK III no domingo.  Speed,  com muita empatia, me mostrou  o seu Arcade Hit Box e disse “- Pode segurar !” pareciam botões bem suaves, o trabalho artístico da 2nd Impact tem agradado aos influenciadores da comunidade – que se veem satisfeitos com a qualidade do material também para utilização. Eu fiquei ali congelado com a peça pois nem sabia como me portar com tamanha educação do Speed, depois ele pegou rapidamente o Hit Box enquanto eu olhava para trás dando atenção ao Luke Thomas – que ficou deslumbrado com a presença do influenciador no FIR – como tento ser atencioso nos mínimos detalhes para cada um, fiquei pensando se pareci esnobe (espero que não).

Sim, foi graças ao Luke (ao meio), ele salvou o meu dia, e tirou ótimas fotos com a gente – incluindo o Speed, para registrar esse momento. Muito obrigado, Luke, engradeceu ainda mais. Sem os amigos, eu não seria nada nesse Fight in Rio – mais um evento incrível. Falando em incrível, Nino da ProGamer fez falta. E a ProGamer em peso apareceu num dos corredores e pude cumprimentar todos - carismáticos como time esportivo e como pessoas.

E foi então a primeira vez que como um Yakissoba no hashi. E quer saber ? Yakissoba delicioso, bem temperadinho (como o White adiantou) e me arrependi de ter comprado o menor justamente por vir com pouco dinheiro. E comer de pauzinho não estava difícil no começo, porém, ficou difícil no final com as peças pequenas da comida. Foi bom se sentir um verdadeiro japonês.




AGRADECIMENTOS
Thyrso
Ephorion
White Round
Luke Thomas
AMIGOS, VOCÊS SÃO MUITO SHOW !!!



Um Pedido de Socorro 
(Desesperation Move)
Aproveitando pra interromper a transmissão da narrativa para solicitar um apoia.se com qualquer valor simbólico, caso não lhe venha fazer falta, isso me ajudará a continuar criando conteúdos para o Santuário em todas as redes sociais e viver desse sonho porque o Poder - sem dúvida - é da Força de Todos Vocês !!!

~MAKE THE SANTUÁRIO GREAT~

Isso jamais me passou pela cabeça.. pedir ajuda (nunca pedi um centavo dos leitores). Mas é preciso realmente ter humildade. É isso. O PODER É DE VOCÊS - que também já nos concederam voluntariamente o prêmio Top 100 dentre os melhores do Top Blog. Milagre divino que só Deus faz com vocês. 

1 Hit Combo :

Synbios disse...

1- O VLT realmente é um Oasis no mar de lama que é o transporte público do RJ. Pena que o prefeito está embarreirando a inauguração da Linha 3 que é a única forma da massa proletária da Central ir direto para o Aeroporto. Sobre o VLT não dar troco, sou a favor, as concessionárias de transporte incentivam a bilhetagem eletrônico para agilizar as filas e o transporte. Sem contar que nas regiões mais ricas da cidade ninguém anda com dinheiro no bolso, todo mundo paga só com cartão de débito.
2- 348/352/368 é tenso, ainda bem que minha quase-namorada desistiu de ir na Bienal e ficamos pela Zona Sul mesmo. O melhor caminho para aquela região vindo do Centro é metrô + 613. O pior desse caminho nem é a superlotação, é falta de integração do metrô com outros transportes.
3- Foi o melhor Fight In Rio de todos. E logo nesse eu não fui. Droga...
4- Muito legal a presença da Sherry, espero que ela tenha curtido o Brasil e os Brasileiros.
5- Marcos ia adorar a ilustração de encerramento do post uahahahahahahahahahaha.

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