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sábado, 31 de outubro de 2015

[Sessão Crítica] Game TV (Dir. Ricardo Yamada, CNT/ GAZETA, 1993) - "Se Ligue no Maior Programa de Games do Planeta"



--NESTA POSTAGEM--
SESSÃO CRÍTICA
GAME TV 

EXTRAS
CURIOSIDADES
TRILHA SONORA
FICHA TÉCNICA

--SESSÃO CRÍTICA--
GAME TV

UMA HISTÓRIA VIVA
DOS ANOS 90
Apresentadoras fantásticas e um visionário criador
alimentam um dos melhores programas que já 
passaram pela TV.

No fim de uma daquelas manhãs de sábado, sentado ao sofá, zapeava os canais quando me deparo com Sonic e Tails correndo pelos loopings de Sonic 2 e uma legião de créditos passando - arregalei os olhos na hora: - "Que programa é esse? Ih, SONIC 2 EM UM CANAL DE TV ?" Era a primeira vez que eu via um videogame "rodando" fora do meu videogame. Marquei aquele horário pra então poder assistir ao programa em questão no próximo sábado.

Já no sábado seguinte, eu finalmente pude assistir ao programa do início ao fim. Aquele programa, aparentemente era especial - dedicado a desenhos animados recentemente lançados e adaptado para os videogames daquele momento. Me vi babando com o detonado do jogo "A Bela e a Fera" do Super Nintendo (Disney's Beauty and the Beast) e "Fievel Vai para o Oeste", também para SNES (An American Tail: Fievel Goes West).

Foram as únicas vezes em que vi o programa (o fim dos créditos de um programa anterior e o outro, posteriormente, sobre jogos de longas animados, na íntegra). E aquilo ficou na memória: "- Puxa, um programa de videogames". Não me recordo o que aconteceu depois - o que teria me impedido de continuar assistindo ou se o programa havia deixado de ser exibido (ao menos na capital do Rio de Janeiro).

Beth (Liz Reis) lamenta o fim do programa 
(reprodução: Projeto Vídeos/ You Tube)
Para quem já assistiu aos programas digitalizados no You Tube - sendo desta geração que acompanhou ao programa - reviveu uma deliciosa nostalgia. Para quem é da atual geração, que conferiu os últimos programas dedicados ao mundo dos jogos nas principais emissoras de TV do país - como o Madrugames (TV Globo) e o E-Games (Rede TV!) - e está antenado nos canais do gênero que crescem cada vez mais nas redes sociais (como o You Tube, inclusive), podem avaliar o programa de uma forma equivocada. 

É preciso compreender, antes de tudo, o período histórico que divide esses dois abismos de uma geração (os anos 90 e offline e os anos 2000 completamente online). Em 1993, era praticamente difícil distribuir com convicção toda a informação rápida - com o menor fluxo de erros possíveis - em relação a internet "Googlada" de hoje (onde tudo, aparentemente, parece seguir tendências de padrão estrangeiro em sua linguagem). 

Se na TV, a rapidez com eficiência possui uma taxa em menor grau em relação a internet, pode ter certeza que a telinha, em muitos momentos, consegue distribuir outras qualidades que certamente a destacam. 

Mesmo que determinadas informações nem sempre venham diretamente de fontes certas ou pouco confiáveis - diante de todo o desespero para se conseguir a primeira mão - a forma como se apuram
os resultados mais corretos - quando TV e internet caminham juntas - a televisão busca se focar 
mais nas últimas informações ou a melhor maneira para se contar uma história, que seja atrativa para o grande público e não a um público específico (como ocorre nos principais mecanismos dessa geração digital). 

Diz o certo ditado que a pressa é a inimiga da perfeição. A internet tem vantagem por ter o ciclo de informações mais rápido que existe hoje.  E por isso, por ser rápida demais, nem sempre quer dizer que ela seja a mais entendida. Pois a internet ainda é como um jovem esperto e rebelde, cheio de informações na cabeça, tentando se formar.

Com base em constantes informações, que vivem alterando, a internet é a que possui mais probabilidade de erro - embora possua mais rapidez para consertar seus enganos também - do que a TV (onde toda uma complexa produção está por trás, além da burocracia). A internet, mesmo com as suas constantes mudanças, é a que mais vem ajudando a TV e a que mais vem enterrando-a também.
A internet, aos poucos, vem amadurecendo a sua postura, copiando determinados formatos da TV, isso para o bem e, em alguns casos específicos, para o mal.

Ricardo Yamada - o criador, produtor e diretor do programa - realizou um milagre. Conseguir trasportar para a TV uma carga de informações que procurava acompanhar, com versatilidade, as novidades daquele momento - seguido um formato próprio, uma revista em movimento, diferindo dos formatos tradicionais das revistas de games da época (a única fonte de informações constante que antecedia a internet). 

Ainda que seja perceptível alguma incompatibilidade de comunicação entre as apresentadoras e a edição, esses pequenos deslizes não comprometem a grandiosa reconstrução do programa - que busca seguir tendências populares da época. É emocionante vivenciar, além dos lançamentos e de seus eventos, as vestimentas, os cortes de cabelo e as músicas badaladas da época. Yamada fez do Game TV um dos melhores (ou se não o melhor) programa de TV focado no mundo dos videogames realizado para a TV aberta.   


Isabella Brandão, uma das co-apresentadoras com maior participação, também
passou pelo Game TV. Ficou mais conhecida pelo programa Escolinha do Golias
do SBT em 1996.
E somado a todo esse cenário, é impossível deixar de lado o carisma das apresentadoras - todas modelos adolescentes e sem experiência na tela mas que já se mostravam com um enorme talento e incrível dinâmica para cativar em suas representações. E o fato de serem futuras mulheres à frente, já era notado - muito antes dos jogos em rede e campanhas na internet - a subestimação de futuros homens escrevendo cartas (em algum momento do programa) questionando o fato de uma garota estar apresentando um programa do gênero. Era a ponta do preconceito ali nascendo, mas brilhantemente driblada,  com educação, pela principal apresentadora, Elisabeth de Carvalho  - também conhecida como Beth (apelido em que Liz Reis era conhecida no programa e outros vínculos da mídia).

Como se fosse uma VJ da MTV, Elisabeth ganhava vários visuais
Vale também destacar o cuidado da produção de figurino da apresentadora, variando bruscamente (tanto em maquiagem, penteado e vestimentas) a cada programa - se preocuparam em realmente lançar uma ícone de verdade, uma popstar, uma diva entre a "galera do game" (como Liz costumava chamar os espectadores que jogavam videogame, antecedendo o termo estrangeiro "gamer" com a propagação da internet).

Soraya Pastor, apesar de sua participação relâmpago no programa,
também mostra
que meninas podem ficar muito bem
com um joystick na mão
.
Foi com o Game TV que, pela primeira vez na história da televisão, mulheres ficaram á frente de um programa de videogames. O visionário criador, enfim, nos faz acreditar que mulheres bonitas, femininas e carismáticas, podem gostar de videogames.

Numa época em que Xuxa, Angélica, Mara Maravilha e outras marcavam a criançada que saía dos anos 80, Yamada transcendeu essa fase infantil, puxando-os, para também acompanhar o público adolescente em um grupo que ali estava nascendo, carente de informações, em um mundo onde as tecnologias do entretenimento se tornavam notícia no Brasil ao começar a realizar os seus testes mais inovadores afim de trazer maior interação entre o usuário e a máquina. A Realidade Virtual (mesmo que de improviso) estava ali nascendo. 

 Nos bastidores da gravação: Mário Fittipaldi (revista Videogame) laça a apresentadora gata, Beth/ Liz (Game TV). Encontro épico no programa foi relembrado por ele na revista (Reprodução: Revista Videogame nº 31, Outubro de 1993)

Se naquela época, os programas dedicados ao mundo dos jogos tinham um curto espaço de tempo na TV, hoje eles parecem "obsoletos" com a rapidez de informações da internet e a falta de uma produção
mais elaborada, ousada e revolucionária. E como tudo que é bom dura pouco, o Game TV resistiu por quase 2 anos em suas transições de emissora, mas é hoje não só um livro vivo, para entrar para a história como uma bela reconstrução dos tempos de jogos de locadora do começo dos anos 90, mas também um exemplo a ser seguido, um programa que valorizou as memórias de sua época sem ser descuidado com a sua direção de arte e atuações apaixonadas. Este programa de games, certamente, beirou a perfeição. 

Pelo seu CONJUNTO DA OBRA,  o programa Game TV! recebe o selo PUNHO DOURADO  de MELHOR PROGRAMA DE TV


--EXTRAS--
CURIOSIDADES

Frase de Despedida: Destrinchando o "Super Mega Beijo"
No encerramento de um dos programas, Isabella Brandão envia "Um Super Nintendo abraço" e a Beth "Um Super Nintendo Abraço.. e um Mega beijo, Tchau!" - parece curiosamente irônico, mas.. chega a parecer referências indiretas a guerra entre o Super Nintendo e o Mega Drive respectivamente.
Teoria Esclarecida: Segundo a própria Liz Reis, ex-apresentadora do programa: "- Foi uma ideia do diretor Ricardo Yamada: 'Super' era uma gíria dos mega-maníacos, dos viciados em games, e Mega, relacionado a marca de vídeo game. 'Beijo' por que ele dizia que eu parecia um gatinho e que os fãs gostariam de receber o beijo .... (risos) "


Exibições

- A primeira emissora a exibir o programa foi a Rede Record no ano de 1992.


- Foi na extinta Rede Manchete que o programa ganhava a sua segunda fase, ainda em 92.

- Em meados de Junho, a terceira fase do programa estreou na CNT/ Rede Gazeta. O seu momento
mais famoso durou apenas 3 meses.


- Em Novembro de 1993, 1 mês após o anúncio do fim do programa na CNT/ Gazeta, deixando os fãs órfãos por um tempo, o programa ganhava a sua quarta e última fase na MTV.



Apresentadora
O programa teve várias apresentadoras, mas a principal em todas as suas fases foi a Beth (Liz Reis); "- Eu fiz um bom tempo sozinha, só no final (nas transições de emissora) que entraram as outras meninas. " explica a Liz.

Trilha Sonora
Algumas das incríveis músicas do repertório do programa (tanto em cena quanto em comerciais).

Marillion - Cover My Eyes

Álbum: Holidays In Eden
Data de Lançamento: 1991


Marillion - No One Can

Álbum: Holidays In Eden
Data de Lançamento: 24 de Junho de 1991


Inner Circle - Hold On to the Riddim

Álbum: Bad to the Bone
Data de Lançamento: 1992


Duran Duran - Come Undone

Álbum: Duran Duran - "The Wendding Album"
Data de Lançamento: 11 de Fevereiro de 1993


Michael Jackson - Jam

Álbum: Dangerous
Data de Lançamento: 26 de Novembro de 1991 ("Álbum"); 13 de julho de1992 ("Single")


 Naughty by Nature - Hip Hop Hooray

Álbum: 19 Naughty
Data de Lançamento: 10 de Dezembro de 1992 (Inglaterra); 19 de Janeiro de 1993 (E.U.A.); 23 de Fevereiro de 1993 ("Álbum")
Curiosidade: o videoclipe tem direção do cineastra Spike Lee e participação da atriz Queen Latifah.


Madonna - Thief of Hearts

Álbum: Erotica
Data de Lançamento: 13 de Novembro de 1991 - 15 de Agosto de 1992 ("Gravação"); 20 de Outubro de 1992 ("Álbum")


Van Halen - Dreams

Álbum: 5150
Data de Lançamento: Novembro de 1985 - Fevereiro de 1986 ("Gravação"); 24 de Maio de 1986 ("Single"); 24 de Março de 1986 ("Álbum")


Extreme - Li'l Jack Horny

Álbum: Extreme II: Pornograffitti (A Funked Up Fairy Tale)
Data de Lançamento: Agosto de 1990


Tom Jones & Art of Noise - Kiss

Álbum: The Best of Art of Noise
Data de Lançamento: 28 de Outubro de 1988 ("Single"); 1986 -1991 ("Gravação"); 1992 ("Álbum")
Curiosidade: A versão original foi escrita e cantada por Prince.


Spin Doctors - Jimmy Olsen's Blues 

Álbum: Pocket Full of Kryptonite
Data de Lançamento:  20 de Agosto de 1991 ("Álbum"); 1993 ("Single")


Madonna - Fever

Álbum: Erotica
Data de Lançamento:  Novembro de 1991 - Agosto de 1992 ("Gravação"); 15 de Agosto de 1992 ("Gravação"); 6 de Março de 1993 ("Single"); 20 de Outubro de 1992 ("Álbum")

Aerosmith - Eat the Rich

Álbum: Get a Grip
Data de Lançamento:  Janeiro - Fevereiro & Setembro - Novembro de 1992 ("Gravação" na A& M Studios e Little Montain Sound Studios respectivamente) 17 de Abril de 1993 ("Single"); 20 de Abril de 1993 ("Álbum")

Living Colour - I Want to Know


Álbum: Livid
Data de Lançamento:  2 de Maio de 1988

Duran Duran - First Impression

Álbum: Liberty
Data de Lançamento: 9 de Outubro de 1989 ("Gravação"); 20 de agosto de 1990 ("Álbum")



FICHA TÉCNICA
Título Original: 
Game TV

Direção & Criação: 
Ricardo Yamada

Piloto de Game: 
Gustavo Paraíso

Consultor de Games: 
Mario Camara Filho

Operador de VT: 
Fernando dos Reis [feijão]

Camera: 
Eraldo Di Donato Neto

Editor: 
Eduardo de Lima

Edição: 
Fernando V. Pequeno

Cabelo & Maquiagem: 
Giselda & Jorge Modi

Direção Comercial:
Alberto Otaki

Produção Executiva:
Ana Paula Camargo

Assistente de Direção:
Roberta Paula Farias

Com: 
Elisabeth de Carvalho (Liz Reis); Isabella Brandão; Gisela Estela; Soraya Pastor e Priscila Toledo.

Duração: 
30 Minutos

Horários: 
14:00 - 14:30 (Grande São Paulo); 11:30 - 12:00 (Rio de Janeiro)

Episódios: 
20 (aproximadamente)

Produção: 
VT CINE / Estúdio Cryação

País: 
Brasil

Ano: 
1992 (Record e Manchete); 1993 (Rede Gazeta e MTV)


SESSÃO CRÍTICA: GAME TV
Textos, Edição de Imagens e Montagem: 
Mestre Ryu

Agradecimentos Especiais: 
Gustavo Paraíso; Liz Reis; Street666; Soraya Pastor; Sandro Kissyfur e Fernando Reis.



Não Percam: Muito em breve, novos episódios digitalizados do programa Game TV (1993) da Rede Gazeta.

2 Hit Combo :

Doc Cocamonga disse...

De vez em nunca criavam uns programas de tv fugindo do habitual, mas eram tão breves que tu não conseguia acompanhar, mudavam o horário, emissora. Pelo menos podemos assistir no Youtube as poucas gravações feitas.

Kratos disse...

Realmente antigamente era tudo mais, melhor, era tudo menos, hoje em dia a molequeda tem acesso a muitas coisas que não tínhamos.

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