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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Humor Negro Deve Ser Bem Utilizado


Já vi o fato de algumas pessoas dizerem: O humor não pode ser politicamente correto. Mas, vem cá, não incomoda alguém ficar te pentelhando com os seus defeitos em volta de uma graça? No fundo, no fundo algo em você diz que sim, mesmo dizendo que não por fora. Não dá para a pessoa disfarçar quilos de pólvoras em volta de uma sacola preta de plástico por muito tempo. Sarcasmo pode ser bom até certo ponto. Já que é natural do ser humano rir da desgraça alheia: você estar acomodado com a sua vida de luxo, casa e comida, enquanto você assiste os outros que estão caindo. Isso não é exitante?

Se você acha isso tão exitante, não fica muito longe de uma mente psicopata. Você pode não ter matado ninguém (ainda), mas sempre teve apreciação por vilões em seus lazeres (jogos, cinema, desenho ou o que for). Isso pode não significar nada, mas já é um passo pra mostrar que quase ninguém foge muito disso. A máfia foi romantizada com filmes como O Poderoso Chefão e os mais atuais do Quentim Tarantino. Jovens de diversas gerações sempre tiveram apreciação pelo oculto (filmes de terror e as letras somadas ao som pesado, com aquelas vozes monstruosas, da galera do Heavy Metal).

Pesquisas também mostram que pessoas com mal humor e os jovens que escutam Heavy Metal são mais sensatas. Os jovens do Heavy Metal têm uma carreira profissional mais promissora, enquanto as pessoas com mal humor avaliam uma situação de uma maneira muito melhor contra quem usa o senso de humor para analisar o mesmo caso. Eu sou testemunha disso, pois por uma pura burrice de um administrador, que se diz bem humorado, me afastou de uma comunidade sem nem mesmo fazer uma pesquisa aberta sobre as queixas que ele dizia ter recebido.

Escrevo tudo isso com o mais profundo mal humor, e não preciso de um psicólogo. Obrigado!

Aí vão pelo menos dois vídeos, que já viraram um hit, sobre como não se deve fazer um Humor Negro (ou ter a infelicidade de levar para esse lado):

Robin Williams comenta sobre a vitória do Brasil como a sede das olimpiadas em 2016 à David Letterman


Robin Williams é polêmico por tratar tudo com um certo senso de humor estilo South Park. Advinha quem cantou a música do filme na cerimônia do Oscar (e censurada)? Foi o Robin Williams.
E para honrar a sua marca, ele cometeu uma infração que ofendeu a sensibilidade dos seus fãs Brasileiros. O crime de usar o seu senso de humor atípico para zoar o Brasil.
De certa forma não somos santinhos também, gostamos de cutucar Argentinos e coisas do tipo.

Qual o motivo da falta de graça: Robin Williams tocou em uma assunto muito político, como o fato de drogas e prostituição. Tudo isso leva diretamente à comparação dos problemas que os turistas vêm sofrendo. Ao receberem o Rio de braços abertos, muitos são recebidos a balas ou roubos de trombadinhas.

Os EUA também não é um paraíso. Já sofreram muito com uma epidemia de drogas por alguns anos, tanto é que inúmeros filmes Americanos retratam isso como parte comum de um meio social. Hoje é com a paranóia do terrorismo e, como sempre, o racismo.


Boris Casoy Faz um comentário ofensivo aos Garis (em meio a falha de um áudio durante o intervalo do Jornal da Noite - Rede Bandeirantes)



Qual o motivo da falta de graça: Outro assunto político que eu não gostaria de entrar. Mas Boris Casoy seguiu o exemplo de FHC quando esteve no poder. Ofendeu a grande parcela do povo com força. Não é pra tanto? Ele votou no FHC (o mesmo que um dia disse que o povo Brasileiro é vagabundo ou até mesmo ironizou religiões como o Candomblé).
O comentário pode não ter sido tão maldoso para ouvidos e mentes pouco treinadas, mas consigo pelo menos identificar 2 problemas:

1 - Casoy se referiu aos Garis como lixeiros ( Os Garis costumam também ser chamados de lixeiros, mas soa muito mais como gíria)
2 - Comentou em tom de ironia

No sentido da frase: Que Merda. Dois lixeiros desejando felicidade, do alto das suas vassouras... o mais baixo da classe de trabalho. O que chama mais a atenção aí é o trecho lixeiros desejando felicidade. Soa meio debochado, não é? Então soma isso a pequenas risadas e veja se isso não se torna ainda mais grave?

Sabemos que gari é da classe pobre, e que em certos empregos, com plano de carreira, gari pode ser considerado o nível mais baixo (assim como um Analista de Sistemas Júnior no ramo da Informática) e que pode ser uma alavanca para as classes mais altas, de um supervisor ou um gerente, como também um Office Boy. As pessoas precisam aprender a reconhecer que isso também faz parte de uma experiência positiva e honesta. Um cara que limpa o relógio da Central do Brasil é duas vezes mais herói que o próprio Ayrton Senna, por mais brilhante que ele já tenha sido nas corridas. E tenho dito!


Quem nunca ouviu falar do ditado: Toda Brincadeira Tem Um Fundo De Verdade?
Se o autor faz uma piada que só um determinado grupo ri, ele é um profundo egoísta até a alma. O humor negro deveria ser utilizado de uma maneira que todos achem graça daquilo, mas não é o que acontece na prática. Sei que a palavra, humor negro, já leva a crer que seja uma espécie de humor obscuro e sem censura. Nem as lutas de Vale-Tudo valiam exatamente tudo, eles tinham as suas regras. Decretar limites depende de nós, e sabendo que se passar desse limite, levará a devida resposta, por mais que se desculpe.

Não podemos viver sem senso de humor, mas também não deveríamos transformá-la em uma arma letal, cuja única funcionalidade é ficar atacando os outros ou o resto do mundo a base da risada. Isso é falta de simplicidade. Infelizmente as pessoas complexadas existem.
Sou da campanha de que viver bem é não viver como um complexado. Então vamos buscar mais simplicidade para viver melhor.
Não dá pra mudar o mundo pra melhor, mas fazemos o que pode

Por mais
pseudo moralista que este meu discurso possa parecer aos pseudo humorístas:
Eu rio mais das caretas do Jim Carrey do que os papéis de Rowan Atkinson
, que sempre se dá mal. Quem possui simplicidade de verdade em seu coração irá entender.
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