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sábado, 16 de outubro de 2010

Sessão Crítica: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro (Dir. José Padilha, Brasil, 2010)

NESTE TÓPICO

SESSÃO CRÍTICA
FACA NA POLÍTICAGEM: A ANÁLISE DE TROPA DE ELITE 2


EXTRAS
CENAS EXCLUÍDAS
CAPITÃO/CORONEL/ SUBSECRETÁRIO?
AS ORGENS DO PERSONAGEM ROBERTO NASCIMENTO: ELITE DA TROPA 2, COMPARAÇÕES
TRAILERS

SESSÃO CRÍTICA
TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO AGORA É OUTRO

FACA NA POLITICAGEM
Capitão Nascimento agora é Coronel Nascimento

Tropa de Elite 1 era uma novidade impactante, de fato. Lembro-me muito bem, caminhando pelas ruas do centro do Rio de Janeiro, e ali nos camelôs, surgiam em todas as barraquinhas de DVD, as mesmas cenas: políciais e traficantes trocando tiros. Era o tipo de filme que o Brasil estava precisando por nas telas do cinema. Essencialmente, aquilo gerava um motivo de discussão política nos bastidores - era uma dedada na ferida da deficiência da segurança pública, a currupção dentro da ficção era abertamente mostrada. Até mesmo meu pai dizia: Este filme, acho que não vão deixar de exibir no cinema, não.

Neste segundo capítulo, ficamos sabendo sobre algo a mais dos principais heróis desta grande saga nacional (até mesmo de seus nomes próprios): Nascimento e Matias. Nascimento é brilhatemente interpretado por Wagner Moura. O ator elevou o seu personagem, já apreciado no primeiro, às estrelas. Agora o Ex-Capitão do Bope é Coronel, não sobe mais o morro para atirar em traficantes, mas sim, comanda um exército maior e, sem dúvida alguma, com mais responsabilidade e consciência - apesar do seu temperameto, como sempre, explosivo - algo inseparável de um personagem como esse.

O ex-aspira Matias é interpretado por André Ramiro. No primeiro filme, a idéia que ficou é que Matias seria o substituto de Nascimento. Agora, Matias é Capitão - com todas as suas transformações adquiridas do filme anterior. Apesar do arco ser de Matias no primeiro, a marca ficou por causa dos bordões de Capitão Nascimento - acabando por ser eleito, pela população, como o centro das atenções do filme. Ramiro, se monstrou uma grande revelção no filme anterior, acompanhando muito bem a evolução de seu persoangem, desde um policial honesto e generoso a um caveira - que age com uma dureza comparável a de Nascimento. No segundo, apesar de Mathias ser um personagem já amadurecido, Ramiro aparenta pouca expressividade em seu parsonagem transformado.

Em Tropa 2, Ramiro, que, pela lógica, seria o principal neste novo trajeto - se Nascimento tivesse dispensado a sua carreira no BOPE. Mas como o personagem de Wagner Moura ganhou tanta popularidade, apesar do seu intrigante personagem, que foi elevado pelo público ao status de herói - suas atitudes autoritárias viraram o seu carisma.  José Padilha, diretor do filme, buscava esclarecer o personagem de seu filme em entrevistas, buscando trazer o lado negativo da visão otimista que o abuso de autoridade da polícia tem para o público. Tropa 1 teve diversas interpretações ao redor do mundo, sendo considerado até mesmo fascista.

 É bem provável que o apelo público e a mídia tenham destoado completamente a visão daquela discussão complexa que o primeiro filme deveria ter sido, naturalmente. O diretor Padilha estava certo em defender que as atitudes de Nascimento não eram heróicas ou exemplares. Mas pelo apelo público, Nascimento não foi embora, cedendo lugar de capitão a Matias, como já ocorre em Tropa 2. Ele acabou retornando mais resistente para enfrentar uma história maior. Embora o persoangem esteja mais forte na tela, é interessante notar sua dedicação para combater o crime como um cavaleiro solitário - sem sua mulher e filho presente em sua casa - quem viu o primeiro, conseguirá se emocionar através de um flashback mental da determinada cena.

 Agora, a ambientação de Tropa de Elite já é conhecida pelo público. No primeiro filme, há o caso dos estudantes de classe média questioando a violência da polícia - enquanto, os mesmos que os criticam, contribuem para o tráfico. No segundo, está Fraga, defensor dos direitos humanos - surge em cena criando uma teoria polêmica que liga a sociedade Brasileira e os presídios.

Tropa 2 não veio apenas para caçar alguns trocados a mais. É pela questão das controvésias do primeiro filme que Tropa 2 foi necessário. Agora os tiros são trocados com a política - a mão que rege o país. A imprensa acaba também ganhando o seu espaço - ficando ainda mais próximo do nosso Brasil real. O destaque fica para o papel do ator André Mattos, conhecido por seus papéis cômicos, como o eterno D. João VI da minissérie O Quinto dos Infernos da TV Globo em 2002. André é Fortunato, um repórter policial, que mais parece uma mistura de Datena com Wagner Montes,  que acaba se envolvendo com a política e milicianos. André cria o seu personagem com certa ironia e charme.

E a atuação das milícias, uma espécie de máfia, são cruelmente expostas, para quem quiser ver. O miliciano Russo, interpretado por Sandro Rocha, é de dar tanto medo, que deixaria o traficante Baiano (interpretado por Fábio Lago, vilão do primeiro filme) sair correndo mais do que do próprio BOPE.

Tropa 2 reconstruiu a clássica Tragédia Grega, de forma comtemporânea e em verde e amarelho. Técnicamente excepcional, inclusive na edição. Se você ainda não assistiu durante a semana de estréia, devido as lotações, não deixe de assistir e apreciar esta excelente obra nacional. Agora estamos diante do melhor filme sobre corrupção Brasileira já feito - se preferir, a melhor saga, levando em consideração o primeiro. Faca na Caveira!


Nascimento, agora Subsecretário: trocando sopapos e tiros com milicianos e políticos. A dor deste personagem, nós sentimos aqui.
Larga o aço..Isso é terrorismo. André é Fortuato. Surge para aliviar um pouco a tensão.. e virar bobo-da-corte para político ver


FICHA TÉCNICA


Título Original: Idem
Direção: José Padilha
Gênero:
Ação/ Drama
País: Brasil
Site Oficial:
Tropa2blog
Classificação: 16 anos
Data de Estréia: 08/10/ 2010
Elenco:
Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Milhem Cortaz, Seu Jorge, Tainá Müller, André Mattos, Bruno D’Elia, Maria Ribeiro, Pedro Van Held, Sandro Rocha.




EXTRAS

CENAS EXCLUÍDAS

Matias fala com um traficante

CAPITÃO/CORONEL/ SUBSECRETÁRIO?
AS ORGENS DO PERSONAGEM ROBERTO NASCIMENTO


Wagner Moura é Capitão Nascimento em Tropa 1.

ELITE DA TROPA 2

O primeiro livro, Elite da Tropa, foi programado para ser lançado em 2007, na mesma época do primeiro filme. O livro tem a partipação de Rodrigo Pimentel nos textos. O livro é um conto a parte da saga cinematográfica, Tropa de Elite, ao contrário do que muitos pensam, o filme não é inspirado no livro - ou vice-versa. Pimentel é ex-BOPE e é a fonte de inspiração para a criação do personagem Capitão Nascimento (Tropa 1).

Aproveitando o filme Tropa de Elite 2, a exemplo do primeiro filme, o livro Elite da Tropa 2 foi lançado esse ano e trata como tema, as milícias.

COMPARAÇÕES

Secretário de Segurança do RJ: Sr. José Mariano Beltrame

Nascimento, agora apresentado juntamente com o seu nome próprio, Roberto Nascimento, e como Subsecretário em Tropa de Elite 2, uma de suas primeiras notícias, durante a sua pré-produção (meados de 2008) foi comparado com o Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, Sr. José Beltrame pelo Jornal O DIA. Este seria a possível explicação para (aqueles que consideram) o personagem Nascimento ter sido suavizado em Tropa 2.

TRAILERS
 
1ª Trailer

 
2ª Trailer
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