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domingo, 30 de agosto de 2009

Crítica: Old! Gamer (Número 1)

REDESCOBRINDO O PASSADO
(OLD! Gamer, Número 1, Agosto de 2009, 98 páginas, Brasil)
A tão esperada (e tão clamada) Old! Gamer tá na mão
Após uma campanha intensiva em março deste ano movida pelas comunidades voltadas a videogames clássicos, com a esperança de trazer a Européia Retro Gamer, surge surpreendentemente a idéia de uma revista de mesmo tema, procurando fazer uma retrospectiva entre as gerações de videogames, produzida integralmente por Brasileiros, é a Old! Gamer – título que segue o exemplo da maioria das revistas Brasileiras com títulos estrangeiros como: Super Game Power, Videogame (ou Videogame News) e Gamemaster. A revista causou rebuliço com os adiamentos (sendo prometida ainda para meados de Abril), todo o frisson (ou freak show) parecia coisa de fãs desesperados para ver um show do RBD (sem brincadeira) ou qualquer outro super ídolo. Causava agonia de ver tanta pergunta – parece que a graça na comunidade do Canal 3 (grupo de colecionadores de jogos) era só essa revista.
A revista saiu oficialmente este mês (finalmente!), apesar de estar descrita como se fosse do mês de Setembro; mas ainda não era o fim da agonia. Ela ainda é difícil de ser encontrada em algumas localidades, mas pode ser facilmente achada em bancas de Shoppings que demoram a recolher edições antigas, como o Penha Shopping (RJ).
A Old! Gamer é um diferencial por ser a primeira revista dedicada 99% à retrospectiva das gerações dos videogames, já que ela ainda toca nos remakes (ou releitura), algo um pouco condenável pelos conservadores – mas a seleção é interessante, pode se ver ali bons jogos (ou interessantes citações) da edição especial de The Secret Of Monkey Island, o remake de Teenage Ninja Turtles: Turtles in Time ou até mesmo um breve comentário do (também badalado) Street Fighter IV.

Antes
Inicialmente a capa seria uma homenagem ao Street Fighter (devido a popularidade da quarta versão), trazendo uma capa genérica com a imagem enorme de uma cena de Street Fighter II, o maior sucesso dos fliperamas (quem aí não sabe?).
Depois
Com o atraso (e a surpreendente notícia da morte do rei do pop), a revista resolveu mudar para o plano B: aproveitar a nova badalação, que deixou de fora Street Fighter IV, e dar lugar ao jogo adaptado do filme Moonwalker (e suas diversas versões) – pipocou pela Internet inúmeras resenhas e homenagens ao astro – principalmente se tratando do filme e jogo (até a minha resenha do jogo acabou saindo antes, e era pra ter sido feito bem mais a frente; e o do filme não estava nos planos – a versão definitiva da crítica será lançada aqui em breve).

A antiga capa da Old! Gamer aparentava ter menções às revistas dos anos 90
Boa tacada de mestre da equipe que fez a Old! Gamer. A capa definitiva, que agora é em homenagem à embalagem do jogo Moonwalker para Mega Drive (aquela preta, da primeira safra) ficou luxuosa e bem mais bonita que a capa genérica do Street Fighter II (apesar da idéia não ter sido tão ruim - tinha a cara da montagem das revistas de 1991/ 1992). Acreditamos que agora a revista venda mesmo milhões (issa!). A contra capa agora ganha uma ilustração do desenho do Michael Jackson, da versão Moonwalker para os Fliperamas.

Street Fighter II e Moonwalker são os pratos principais
A matéria parece ter vindo em última hora (com cara de desespero) mas mesmo assim conta com um impagável roteiro de André Forte e Amber Houchaimi (conhecido pelo seu blog) em 10 páginas, descreve não só comentários interessantes sobre as máquinas de fliperama como também detalha cada cenário dos games, deixando bem claro o mistério das obsucras versões para computadores. A outra grande atração da revista é o Street Fighter II (12 páginas). Destrincharam cada versão, oferecendo notas e separando as melhores e as piores conversões.
Uma seção que também vale destacar é a Old! News, trazendo diversas citações de outras revistas, das seções de prévias (previews) ou novidades (news), e discutindo sobre os pontos positivos e negativos delas. Muitas das matérias citadas acabam vindo diretamente das principais revistas da época: Super Game Power e Ação Games. Isso é importante, pois é um material que prova que nem só de detonados e dicas vivia o conteúdo delas. Entre as matérias analisadas estão a pequena trajetória das empresas que atuavam (ou retornavam), como a geração dos videogames em CD (3DO e Jaguar) e os Arcades (SNK); além de explorar os primórdios da Realidade Virtual nos videogames – e provar que a Nintendo não é pionera coisa nenhuma com o seu Wii. E dentre esses dossiês, o Jaguar é relembrado de uma maneira até positiva (O Top 5) em uma seção específica.

Com um humor modesto de algumas páginas (destaque para o Amer), o texto procura o equilíbrio de uma leitura precisa para que o leitor encare as longas (quase) 100 páginas – além de ser molho agradável para suavizar as críticas de ponto de vista, uma das caracterísitcas que ficou marcada nessa edição. É um material de referência tanto para os veteranos da geração Atari como os da Nintendo/ SEGA que jogaram as suas antigas coleções de exemplares fora, ou venderam ou trocaram ou perderam – tanto faz – e contribui a relembrar aquele joguinho perdido no tempo. Eu mesmo não lembrava que aquele game para NES apresentado se chamava Kung Fu, sou um jogador anos 90 e não 80, se é que me entendem, e a importância em equilibrar esse conteúdo foi bem estabelecida – não fala tão difícil com a molecada da geração SEGA/ Nintendo/ Sony e o resultado realmente vale uma fuçada.
Seções de destaque
(não encontradas na capa da revista)
> Donzelas em perigo: apresentando diversas contestações sobre as mocinhas dos jogos dos anos 80 e 90: Quem é, Quantas Vezes foi sequestrada, Porque vale a pena salvá-la? e O que fez de notável na vida?
> Dossiê Jaguar: Levanta dados interessantes e pontos postivos sobre o console
> Entrevista com David Crane: O Criador de Pitfall, Freeway e Decathlon (sim! Aquele que fuu.. o seu Joystick)
Curiosidades: A revista também apresenta várias artes de Matheus Lopes Castro que divulga seus trabalhos digitais pela internet
Pontos fracos:
> Algumas faltas de digitação (raríssimas) que comprometem algum título pequeno ou texto.
> O preço salgado - para um grande público: R$ 14,90 e mesmo na Internet, R$ 9,90, sai mais caro quando vem com o frete

Redação
(Revista Old! Gamer - Número 1)

Redator Chefe:
Fábio Santana (EGM Brasil) e Humberto Martirez
Chefe de Arte:
Welby Dantas
Diagaramação:
Marco Souza e JJ Comunicação e Design
Revisão de Texto:
Rômulo
Colaboraradores:
André Forte, Amer Houchaimi, Cláudio Prandoni, Douglas Viera, Filipe Dali Galo, Gilsomar Livramento, Marcus Garret, Nelson Alves Jr.
Distribuição:
Editora Europa


Cotações
Ruim Regular Bom Muito Bom Excelente

2 Hit Combo :

Cosmo Kramer disse...

Bela análise Mestre Ryu, to querendo comprar essa revista, mas acho que nas bancas da minha cidade não vai chegar (moro em Piracicaba - SP).

Mestre Ryu Kanzuki disse...

Eu fico espantado com o nível de dificuldade que está sendo pra encontrar essa revista, apesar de algo ter me cheirado que viria em poucos exemplares (devido o preço e o foco). O Penha Shopping é milagroso. Ter uma boa banca de jornal por perto tem as suas vantagens. Eu mesmo não consegui o paradeiro dela em nenhuma banca convencional, a não ser de Shoppings. Me disseram que já encontraram em algum ponto da Santa Efigênia. Espero que você consiga, aí você me conta. Abraço forte!

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