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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

[Sessão Crítica] Rogue One: Um retorno triunfal para Star Wars ?



"Era uma vez..." esse tipo de frase é mais conhecida pelos adeptos de Star Wars de outra forma.
Se Episódio VII veio considerado por muitos como uma refilmagem do episódio IV, Rogue One - que se trata de uma história inédita - é um trabalho aparentemente menos ousado. Eu díria, mas modesto. Porém, a expectativa por parte da vasta população de fanáticos pela cinessérie é de 200% - uma pequena cena se torna parte de um comentário estratosférico - por isso, o impacto se torna grande diante de um longa trabalhado para ser algo modesto, um paralelo da cinessérie regular e isso certamente me comprometeu ao elevar erroneamente as minhas expectativas - motivos pelo qual não leio críticas antes de assistir qualquer longa muito esperado, independente de contar pistas sobre o título ou não; enfim, passo longe.

Para os navegantes que embarcam pela primeira vez no universo Star Wars, é importante ressaltar que essa não é "O Retorno Triunfante de Star Wars" por se tratar de um acontecimento à parte. A questão de "retorno triunfante" cabe de livre interpretação por quem já conhece como a cronologia funciona - ciente de que Rogue One nada tem a ver com os segmentos regulares de O Despertar da Força (este que ocorre muitos e muitos anos depois).

Com direção de Gareth Edwards, Rogue One - Uma História Star Wars (subtítulo bem vindo para destacar de que a produção se trata de um paralelo aos "Episódios..") se passa antes dos eventos do filme de 1977, Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança - originalmente intitulado "Star Wars" e no Brasil passou a ser conhecido como "Guerra nas Estrelas", tradução adotada no decorrer de toda a sua trilogia clássica (contando o Episódio V, de 1980, e VI, de 1985)  até os anos 90, com os todos os produtos se consolidando como o título original,  além dos relançamentos nos cinemas em 1997 no formato digital, mesmo ano que se iniciou o fã clube Conselho Jedi e suas convenções, confirmando então o título aos novos filmes quando surgiu o Episódio I no fim da década.


Apesar da direção de Gareth não oferecer toda a sofisticação de edição das séries regulares, o elenco, brilhantemente escalado, torna a presença da força grandiosa entre protagonistas e coadjuvantes de Rogue One.  Nem todos ali são desconhecidos, em comparação aos primeiros longas, mas acabam sendo quase que irreconhecíveis com a maquiagem. Nomes como Ben Mendelsohn, Mads Mikkelsen (recentemente em outra grande produção: Doutor Estranho) e Forrest Whitaker (grande surpresa) se misturam no elenco.
" Se Benjamin Mendlesohn continuar a atuar dessa forma, é seguro que em algum momento ele venha a se tornar favorito ao Oscar algum dia. "

Mendelsohn surpreende com a imposição do vilão Orson Krennic, um diretor obcecado pelo trabalho no exército imperial - provavelmente o antagonista mais "classe operária" de toda a cinessérie - claramente se aproximando do nosso mundo.

Jyn Erso (Felicy Jones) confirma de vez o incrível potencial com que o universo Star Wars possui para dispor excelentes protagonistas femininas.

Rogue One nos mostra muitas das mensagens morais das quais bem conhecemos na cinessérie: família, perseverança, redenção e parceria. Conta com algumas piadas, entre elas pouco sutis (envolvendo deficiência física) em comparação ao que já foi visto na mitologia do seguimento regular. A maquiagem digital funciona perfeitamente em um determinado momento*¹, mas refletidamente transparece uma montagem em computação gráfica em outro caso*². Um fato bem estranho (talvez a falta de orçamento?).  *Contém spoilers sobre os efeitos de maquiagem (preencha com o mouse o espaço em branco): *¹Por exemploo rosto de Carrie Fisher (a princesa Leia) é reproduzido perfeitamente mas no caso de Peter Cushing (Wilhuff Tarkin ou simplesmente Governador Tarkin) , a aparecia da gesticulação e da movimentação dos olhos soam claramente artificiais.


Assim como todo longa metragem de Star Wars, é preferível (em alguns casos, obrigatório, como o Episódio I) assistir em uma sala de cinema de tela grande e alta qualidade. Nesse caso, o IMAX 3D amplia muito bem a trilha embalada pelo Michael Giacchino (sem dever nada a John Williams, chegando a ser tão afinada quanto) - definindo profundamente a incrível resistência do lado do bem contra o puro terror do lado do mal. Cada toque de composição é de arrepiar em cada cena.

Porém, a pequena história - que não traz paralelos - vem sem grandes pretextos mas atende às expectativas. Traz emoções fortes em situações bem localizadas e causa cargas intensas de grande suspense, especialidade de roteiro que tem Tony Gilroy, autor da excelente trilogia Bourne.  O ambiente de guerra, confundindo realidade e fantasia (sugerida no formato de O Despertar da Força) se dispõe aqui em uma missão de reproduzir claramente um exército opressor bem parecido com outros longa metragens ficção da segunda década dos anos 2000, como Filhos da Esperança ou até mesmo Jogos Vorazes. Esse conflito entre realidade e fantasia nos faz refletir bastante sobre as guerras - algo que George Lucas propôs ao trazer um elemento mais político em sua segunda trilogia.

Ainda que a sua conclusão seja previsível por parte de quem já está bem servido pela cinessérie e pela carga de notícias e piadas nas redes sociais a respeito deste longa - sobram ainda leves referências ou coincidências aparentemente propositais - se comparando ao destino dos vilões Krennic e Tarkin - mas que ocorrem de formas bem diferentes, quanto ao fator "acidental" (assim como é um acidente terem falando mais do que deveriam a respeito do filme, entre uma piadinha e outra).
Rogue One continua a cumprir a missão de rebuscar a galáxia de Star Wars para a atual geração, aos novos apreciadores - que não necessariamente jovens, mas adoradores de uma ficção científica de raíz - sem romances fáceis e sem rostos muito convidativos. Traz uma tonalidade mais científica do que espiritualista, deixando então um questionamento sobre a existência da força, que é muito mais conectada à "esperança".


MEMÓRIAS DA SESSÃO
Aproveitando as férias, assisti sem compromisso Animais Fantásticos e Onde Habitam e Jack Reacher: Sem Retorno. Pela falta de tempo, acabei não realizando uma Sessão Crítica deles. Mas ambos possuem elementos bem simbólicos para as suas franquias respectivas. Mas estava mais concentrado em falar um pouco sobre Rogue One, como aqui descrito.

Porém, segue um esboço do que compreendi sobre os dois títulos que ficaram de fora da Sessão Crítica, por enquanto:

1) Animais Fantásticos traz J.K. Rowling (a própria autora do Harry Potter) ensinando hollywood como se deve trazer a sua fantasia de forma contemporânea em um ambiente completamente cativante e envolvente - em comparação a adaptação que fizeram de seu primeiro livro do bruxo, tão frio e sem magia alguma.

2) Jack Reacher: Sem Retorno traz substância ao personagem do excelente Tom Cruise, um dos maiores astros de ação - já foi do sorridente e galanteador Maverick ao agente chorão Ethan Hunt - e agora Jack Reacher, mais uma vez, assumindo a postura de um militar durão e sem sorrisos, que apesar de bruto, também ama. 


As pré-vendas de Rogue One começaram de uma forma muito desorganizada. Me recordo que comprei no primeiro dia abertura, que ainda não tinha sessões para IMAX 3D. Achei muito estranho, um filme de Star Wars não ter distribuição nesse formato. Ou a distribuidora no Brasil optou por não dar muito atenção ao filme por se tratar de uma pequena história de Star Wars (em comparação aquele longa de animação "Clone Wars" inspirada na série animada). Bem, depois de muitas reclamações, eles finalmente disponibilizaram as cópias em IMAX 3D, semanas depois da pré-venda. Eu então pedi ao cancelamento no ingresso.com para outro cinema, que não tinha IMAX 3D, embora bom, mas com o mesmo valor, o que não faria sentido (e também não faria sentido assistir algum Star Wars sem a qualidade máxima).

A rota que fiz foi a mesma de quando fui ao Fight in Rio. Passando por Mato Alto, pude conhecer mais da Zona Oeste. Eu diria que pude conhecer mais da vasto e abandonado território da Zona Oeste. É como se eu não estivesse numa cidade grande, no Rio de Janeiro, mas em outro lugar, num pequeno município ou no interior da cidade. Pude ver longas montanhas, com vacas e outros animais num aparente espaço de fazenda, matagais para tudo quanto era lado e algumas casas em construção no caminho, até chegar ao BRT. Nem acreditei que existiria BRT em um lugar tão aparentemente bonito, mas esquecido que gostei de conhecer. 


Alguns minutos antes da sessão, encontro o amigo Gustavo Lima, que conheço desde os tempos do Batmania Rio e então percebemos que não havia ninguém fantasiado com personagens de Star Wars. Num lugar como o UCI NYC sem pessoas fantasiadas em dia de estréia foi uma surpresa. Se bem que houve uma pré-estréia marcada em outro local do RJ, o Botafogo Praia Shopping, com um grande evento organizado pela empresa Cake.  Se bem que, era esperado pra mim, durante a semana, e à tarde, não haver ninguém fantasiado - fora a crise econômica que deve fazer parte dessa possibilidade. É bem provável que role alguma coisa no sábado já que o NYC é um point bem conhecido pelos cinéfilos e geeks.

E é a primeira vez que vou ao NYC assistir algum filme durante a semana (finalmente). A minha maior curiosidade seria ver que tipo de público ronda por lá - tirando as celebridades (que, a propósito, não vi nenhuma). Pra falar a verdade,  não houve nenhum hóspede "alien" como eu achei que tivesse. O público estava bem diversificado, como se fosse num fim de semana. Com pessoas de todas as idades. Só percebi algumas poltronas vazias (pergunto mais uma vez: seria a crise?).

Dentro do cinema, um casal se aproximou, o namorado pediu para trocar de lugar para ficar ao lado da sua namorada. Eu troquei de boa. Porém, só não gostei muito a sua perna cruzada feito "pistola", apontando a sola do seu sapato prestes a bater na minha perna. Depois ele se tocou.

Num geral, o comportamento do cinema  foi bem tranquilo. Público muito comportado e respeitoso com a sessão. Nota 10. Com direito a aplausos no fim e eu acompanhei o embalo e aplaudi um pouco mais. Os colaboradores do UCI respeitaram os créditos (afinal, é Star Wars, ganha-se um peso maior) alguns espectadores saíram e muitos ficaram. Star Wars é aquele negócio, a gente sabe que não vai ter cena pós-créditos, mas fica até o final para ouvir a trilha sonora (elemento icônico e eternizado pelas composições de John Williams). A diferença de mim para outros espectadores é que eu sempre fico até depois dos créditos independente de ter cena extra ou não. Creio que deveria ser um comportamento mais adotado.


SOBRE
 SESSÃO  CRÍTICA 
ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS 
Título Original: Rogue One
Gênero: Aventura
Duração: 134 minutos
Sessão Acompanhada: 15/12/16 - 13:30 - 0 22 

1 Hit Combo :

Synbios disse...

Ir pelo Mato Alto realmente parece cidade do interior, mas você ficaria ainda mais surpreso se você fizesse esse caminho antes da inauguração do BRT em 2012, na época do lendário 882. Ainda não existia Túnel da Grota Funda e o ônibus para ir de Guaratiba ao Recreio subia a Serra da Grota Funda, lá é tão tão "camponês" que quando o ônibus passava lá, de dentro dele você conseguia sentir o "cheirinho de floresta quando ele passava lá.

Mas ainda vou vencer o desafio de te convencer a ir por Sulacap no Expresso Alvorada da Transolímpica, senão eu não me chamo Marcio kkkkkkk.

Adoro ficar até o final dos créditos, infelizmente nos filmes que eu assisto não costumo ter muita sorte com o público, e acabo ficando inibido em ficar assistindo as letrinhas subindo(como diria o Apolinho Washington Rodrigues) sozinho ou quase sozinho e acabado indo embora antes do fim.

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